sábado, 2 de abril de 2011

Enquanto isso: Tucano Barros Munhoz é condenado por improbidade.




O deputado Barros Munhoz (PSDB), presidente da Assembleia de São Paulo, foi condenado por ato de improbidade administrativa. Quando ocupava o cargo de prefeito de Itapira (SP), em 2000, ele contratou uma empresa de segurança sem licitação. Segundo ação do Ministério Público, Munhoz não fez nem prévio procedimento administrativo justificando a contratação.

Em sentença de 9 de março último, a juíza Carla Kaari, da 2.ª Vara de Itapira, impôs ao réu pagamento de multa, fixada em 10 vezes sua remuneração naquela função, e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios e incentivos fiscais ou créditos pelo prazo de três anos. O deputado disse que vai recorrer.

"A condenação se afigura necessária e suficiente para reprimir a conduta ilícita (de Munhoz) e evitar o cometimento de outros atos de improbidade", asseverou a juíza. Ela não decretou perda da função pública e suspensão dos direitos políticos de Munhoz, como requerido pela promotoria. "Aparentemente, ele não obteve proveito patrimonial propriamente dito, talvez tenha adquirido algum proveito indireto difícil de se mensurar."

O valor da multa que Munhoz terá de arcar "deverá ser entregue aos cofres públicos, devidamente corrigida até o efetivo desembolso, a ser apurada em regular liquidação". O contracheque atualizado de prefeito de Itapira é de R$ 15 mil - o presidente da Assembleia terá que pagar pelo menos R$ 150 mil.

A SESG - Segurança Patrimonial Ltda foi contratada por R$ 27 mil, em valores da época, para prestação de serviços de vigilância de prédios da municipalidade. Seu proprietário, Antonio Carlos Tavares de Lima, foi condenado. A juíza amparou-se no artigo 10 da Lei 8.429/92 - constitui ato de improbidade que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial ou dilapidação dos bens das entidades públicas.Com informações Agência Estado
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Do Blog O TERROR DO NORDESTE.

Dilma quer ''Água para Todos'' no nordeste

Presidente diz a ministros que vai criar programa de construção de 800 mil cisternas para ancorar plano antimiséria e atender 5 milhões de famílias

O governo vai lançar o programa Água para Todos, voltado para o semiárido nordestino, como uma das âncoras do plano de erradicação da miséria. Apesar do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, a presidente Dilma Rousseff garantiu aos ministros da área social que o governo investirá na construção de 800 mil cisternas, além de adutoras e pequenos reservatórios para atender 5 milhões de famílias até 2014.

"Depois do Luz para Todos, vamos ter o Água para Todos", afirmou a presidente, numa referência ao programa de energia elétrica lançado em novembro de 2003, no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia também foi exposta por Dilma em conversa com dirigentes de seis centrais sindicais, no último dia 11, no Palácio do Planalto.

Com lançamento previsto para maio, o Água para Todos é inspirado no programa de mesmo nome, adotado pelo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). "É uma coisa fantástica. Conseguimos levar água para mais de 2 milhões de pessoas", disse Wagner. "A presidente conversou comigo sobre o projeto e nossos técnicos estão trabalhando com o Ministério da Integração Nacional."

Atualmente, diversas organizações não governamentais (ONGs) já investem na construção de cisternas no Brasil, principalmente na Região Nordeste, mas Dilma quer ampliar o trabalho. O projeto Um Milhão de Cisternas, por exemplo, é uma iniciativa adotada pela Articulação do Semiárido (ASA), ONG que reúne 700 entidades da sociedade civil. "Não podemos depender apenas da iniciativa dessas entidades", insistiu Dilma, segundo relato de um ministro. "O governo precisa entrar nisso."

Dilma quer transformar o Água para Todos em marca de seu governo.

Plano. Depois do reajuste de até 45,5% nos benefícios pagos pelo Bolsa Família - a média de aumento ficou em 19,4% -, o foco das propostas em estudo na Esplanada é a qualidade de vida da população carente.

Na prática, o plano de erradicação da miséria será a sistematização de programas já existentes, lançados no governo Lula, com algumas "cerejas" no bolo. Uma delas é o sistema de abastecimento de água, que, por enquanto, não está integrado à polêmica transposição das águas do rio São Francisco.

O novo projeto tem a ambição de criar um círculo virtuoso, associado a ações de saneamento - até hoje a grande dor de cabeça do governo, apesar das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - para atrair investimentos, melhorar a produção e gerar renda. Dados do Ministério da Integração Nacional indicam que 58% da pobreza no Brasil está espalhada pelo semiárido, grande parte na zona rural.

A região abrange os sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e uma fatia do sudeste do Maranhão, além do norte de Minas Gerais e Espírito Santo. Trata-se de uma área de 868 mil quilômetros castigada pela seca.

Na segunda-feira, Dilma admitiu que os quatro anos de seu mandato podem não ser suficientes para erradicar a miséria no País. "Mas vou insistir tanto nisso que esse objetivo ficará selado nas nossas consciências", ressalvou ela, em Belo Horizonte.

Outro foco do plano para acabar com a pobreza está concentrado na preparação das chamadas "portas de saída" do Bolsa Família. Até agora, a concessão de microcrédito e programas de capacitação voltados para as classes D e E não foram considerados suficientes. Hoje, a maior preocupação da presidente reside no combate ao analfabetismo.

Nas conversas com auxiliares, Dilma sempre define o Luz para Todos - que tem o desafio de acabar com a exclusão elétrica do País - como "um dos maiores programas" do governo Lula. "Quando eu era ministra de Minas e Energia, fui com o presidente Lula à casa de uma senhora, em Tocantins. A mão dela tremia na hora de acender a luz. Foi uma cena comovente", lembra Dilma. Agora, ela quer repetir a dose com o Água para Todos.

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Do Blog O Esquerdopata.

Parlamentares vão analisar discursos de Marco Feliciano


Dayanne Sousa, Terra Magazine

“A Frente Parlamentar pela Igualdade Racial vai analisar o conteúdo de discursos já proferidos pelo deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para investigar possíveis manifestações racistas. Na sexta-feira (1º), Feliciano, também pastor evangélico, declarou no Twitter que "africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé".

Membro da Frente, o deputado Luiz Alberto (PT-SP) entende que os parlamentares poderão decidir por representar contra Feliciano na Câmara se constatarem que ele usou de seu posto para pregar ideias racistas.

Nesta quinta-feira (31), o pastor e deputado usou seu site para se defender. Ele citou trechos bíblicos e atribuiu as acusações de racismo ao "fogo cruzado" contra evangélicos. "Peço oração a todo o povo cristão brasileiro, os que lutam pela família, aos que amam o Senhor, e aos que me conhecem há tempos, e sabem que, como todo brasileiro, sou afrodescedente", concluiu.

"Extremismo"

As manifestações de Feliciano ocorrem ao mesmo tempo em que outro deputado, Jair Bolsonaro (PP-RJ), enfrenta representações na Câmara por racismo e homofobia. Uma delas é de autoria de Luiz Alberto. No programa CQC, Bolsonaro foi perguntado pela cantora Preta Gil se ele permitiria que seu filho namorasse uma negra. Respondeu: "Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados".

"Acho que isso (racismo) vem se exacerbando no Congresso", lamenta Luiz Alberto. Ele diz que temas como a delimitação de terras quilombolas ou a defesa da liberdade de culto das religiões africanas estimulam a reação da bancada evangélica. "Acho um absurdo que num Estado Laico os evangélicos tenham espaço no Congresso para fazer culto religioso e o mesmo direito seja negado às religiões africanas", critica. "Há um ambiente de extremismo".

Charge do Aroeira

Na primeira hora do golpe de 1964, "Folha" defendeu o MOMENTO PROPÍCIO a uma ditadura

Editorial do jornal Folha de São Paulo em 3 de abril de 1964:


Como se vê, a "folha", mesmo quando ainda havia ampla articulação pública para confinar o golpe de 1964 na deposição de Jango e retomar o caminho institucional vigente desde a constituição de 1946, o jornal já achava o momento propício a uma ditadura militar.

Isso derruba a tese dos defensores do jornalão, de que teriam apoiado o golpe, defendendo a "democracia" (segundo o jornal, "ameaçada por Jango"), e de que o golpe é que teria tomado rumos diferentes em direção à ditadura.

A gênese da "ditabranda": escalada de mentiras para enganar a nação, endurecendo o regime passo-a-passo até chegar à ditadura.

Enquanto a ditadura era urdida nos bastidores (o golpe dentro do golpe) após derrubarem Jango, o jornal Folha de São Paulo serviu para preparar o terreno, como se observa no editorial.

O jornalão propagandeava, como se fosse fato, um falso "retorno à normalidade democrática". A nação era enganada nas páginas dos jornais com a idéia de que tudo não passou de uma crise militar, resolvida politicamente com a derrubada de Jango, e que consumado o fato, tudo estava seguindo a normalidade institucional após estes eventos.

A mentira era evidende, pois como explicar a deposição por militares, de governadores eleitos que não renunciaram, como Miguel Arraes?

Isso reduzia resistências ao golpe, tanto internacionais, como no Congresso, como na sociedade, e permitia que a ditadura fosse se instalando como uma "ditabranda" até chegar a ditadura, com a cumplicidade dos jornais que "amaciava" o noticiário.

O jornalão publicou uma enorme mentira no editorial acima, bajulando os golpistas das Forças Armadas.

No dia 2 (véspera desta edição), o general Costa e Silva havia criado uma aberração alienígena ao próprio papel constitucional das Forças Armadas, o comando supremo da "revolução": uma junta militar composta pelo próprio general como homem-forte, o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica), o vice-almirante Augusto Rademaker (Marinha).

Não é preciso mais do que dois neurônios, para entender que os próprios militares golpistas chamavam o golpe de "revolução", e a palavra "revolução" no contexto de um golpe de estado militar é uma clara ruptura institucional, ao contrário do que o editorial da "folha" levava o leitor a ser enganado.

Também é óbvio que, se a deposição de Jango foi militar e não pelo Congresso, quem era o poder de fato naquele momento era a junta militar. Ao Congresso cabia tentar negociar com a junta militar o que seria "permitido". Se os militares golpistas depuseram o presidente, poderiam depôr qualquer senador, deputado, governador, como aconteceu de fato.

Mesmo assim, o jornalão, escreveu cinicamente a enorme mentira:

"O Brasil pode orgulhar-se de estar livre de 'pronunciamentos', de quarteladas, de juntas militares que se instalam no governo e dele não querem mais arredar-se".

A manobra foi útil para os golpistas alcançarem o poder sem resistência. E o jornalão funcionou como "relações públicas" desse golpe, na escalada rumo a ditadura.

JK e seu partido, o PSD, acabaram negociando apoio para a tomada do poder pelo general Castelo Branco, dando um verniz de restabelecimento da ordem institucional. Os parlamentares acreditavam ser ele mais comprometido com a legalidade constitucional, que apenas completaria o mandato até as próximas eleições. Ledo engano: Castelo Branco foi, inicialmente, o cavalo de tróia para aniquilar resistência dos moderados a um projeto de poder de uma ditadura que duraria 21 anos.

Quem conhece aposta em Dilma

Miguel Jorge – O Estado de S.Paulo

Ela, afirmativa, direta, incisiva. Ele, evasivo, repetitivo – acima de tudo, e como se estivesse permanentemente em campanha eleitoral, um bom marqueteiro de si mesmo. Não é preciso ser um grande observador para apontar que essa foi, claramente, a principal diferença entre os discursos dos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, há duas semanas, em Brasília.

Enquanto o norte-americano insistiu em abordar, de forma vaga, questões cruciais para o comércio bilateral entre os dois países, Dilma criticou abertamente as velhas práticas protecionistas dos Estados Unidos e defendeu relações comerciais mais justas e equilibradas. O dela, um discurso coerente com a posição do Brasil no contexto de uma nova realidade geopolítica global. O dele, uma prova de que Obama é um orador dos bons – descontraído, à vontade. Mas, e daí?

A presidente brasileira mencionou as barreiras ao etanol, aço, suco de laranja, algodão e carne bovina, enviando, nas entrelinhas, um recado objetivo: esta é uma via de mão dupla e envolve atores econômicos importantes no cenário mundial. Se um deles quer algo (e Obama quer vender para gerar empregos nos Estados Unidos), oferece algo em troca.

Ainda sobre os discursos de Dilma e Obama: enquanto a presidente brasileira defendeu uma reforma fundamental na governança global, com ampliação do Conselho de Segurança da ONU, o norte-americano foi reticente. Em nenhum momento ele acenou positivamente para a aspiração brasileira de ter um assento permanente no Conselho de Segurança – em vez do “sim” com que a Índia foi brindada em novembro do ano passado, a pretensão do Brasil mereceu o “apreço” do líder norte-americano.

De qualquer forma, quem conhece a presidente Dilma, quem já trabalhou com ela, não se surpreendeu com a sua boa estreia nas altas rodas da diplomacia internacional. Pode-se argumentar que lhe falta carisma, mas não se pode negar que lhe sobram coerência e firmeza na defesa dos interesses nacionais. Desenvolvimentista, a presidente age com a certeza de que o Brasil tem enorme potencial para crescer de forma cada vez mais consistente, a taxas superiores às das economias desenvolvidas.

A postura discreta, a preocupação com as questões internas e administrativas, o estabelecimento de prioridades e o controle de resultados são as principais marcas deste início de governo Dilma – e marcaram, também, a sua gestão à frente da Casa Civil, no governo do presidente Lula.

À época – e aparentemente agora também -, Dilma preferia o gabinete à exposição pública. Detalhista e rigorosa, chegou a ser acusada de intolerante – se é que se pode classificar de intolerante uma profissional que não abre mão de conduzir os processos pelos quais é responsável, que determina metas, que cobra providências e resultados.

Sóbria e coerente com seu estilo pessoal, a presidente já mostrou, também, que entende de avanços e recuos. Na disputa pelos Ministérios, não hesitou em endurecer com o PMDB, mas, depois, autorizou o partido a negociar cargos no segundo escalão com os ministros – a estes, aliás, fez questão de lembrar, na primeira reunião conjunta da equipe, que “eficiência e ética são faces da mesma moeda”.

Há poucos dias, em sua primeira grande entrevista a um jornal diário, Dilma encarou uma sabatina e tanto. Falou sobre inflação, economia mundial, tragédia no Japão, alterações no programa Bolsa-Família, especulações sobre mudanças na equipe ministerial. Garantiu que o combate à inflação não será feito com o sacrifício do crescimento e assegurou: o Brasil vai crescer, com certeza, entre 4,5% e 5% este ano.

Na mesma entrevista, a presidente anunciou sua disposição de enfrentar o problema dos aeroportos, um dos principais gargalos de infraestrutura no País. Prometeu “uma forte intervenção” – e cumpriu o prometido. Na sexta-feira 18 de março, o Diário Oficial da União publicou a criação da Secretaria Nacional de Aviação Civil, com status de Ministério, alterando a legislação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Dilma admite articular a expansão dos aeroportos brasileiros com recursos públicos e por meio da adoção de um regime de concessões ao setor privado – medida defendida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com participação da então ministra da Casa Civil, ainda no governo Lula. Como agora, empresários interessados em investir no setor aeroportuário defendiam o regime de concessões, próprio de nações desenvolvidas.

Mais uma vez: nada que surpreenda quem conhece a presidente e já trabalhou a seu lado. Não por acaso, pesquisa Datafolha, divulgada no domingo 20 de março, garante 47% de aprovação à gestão Dilma, taxa de popularidade que se iguala ao recorde registrado pelo presidente Lula nessa mesma época, em seu segundo mandato.

Segundo o Datafolha, Dilma supera em popularidade todos os antecessores de Lula, com aprovação maior entre as mulheres (51%) do que entre os homens (43%). Para os brasileiros, saúde é o principal problema do País, mas a pesquisa mostra que a presidente tem outros desafios pela frente: segurança pública, combate à corrupção e transporte.

Para superá-los é fundamental a soma de competência técnica, responsabilidade política e uma ampla visão dos problemas nacionais. Isso Dilma tem de sobra e, a considerar a sua atuação no governo passado, os brasileiros estão em boas mãos.

JORNALISTA, FOI MINISTRO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR DO GOVERNO LULA (2007-2010)

Postado por Luis Favre
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Do Blog do Favre.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Charge Online do Bessinha

Não deu no Jornal Nacional: presidente da OAB diz que Bolsonaro deve ser processado por violar Constituição

Deputado se defendeu e disse que entidade "não escuta ninguém" e já deu veredicto

Do R7

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, divulgou nota nesta sexta-feira (1º) condenando as declarações que o deputado Jair Bolsonaro deu à TV nesta semana. Para Cavalcante, as falas “violam a Constituição e a lei" e são "incompatíveis com a dignidade do Parlamento".

Na última segunda-feira (28), ao responder a uma pergunta da cantora e apresentadora Preta Gil no programa CQC, da TV Bandeirantes, sobre o que faria se seu filho se casasse com uma negra, Bolsonaro afirmou que não iria discutir "promiscuidade". Depois, o deputado disse que entendeu mal a pergunta e negou que estivesse sendo racista, mas confirmou que não admitiria que seu filho fosse homossexual.

Dois dias depois, após acusações e a revolta de movimentos em defesa dos direitos dos homossexuais, Bolsonaro disse que está se lixando “para o movimento gay”.

Para Cavalcante, “as declarações do deputado Bolsonaro revelam odioso preconceito e inominável discriminação a cidadãos brasileiros, em franca violação às liberdades constitucionais e à lei, sendo incompatíveis com a dignidade do Parlamento, que deve atuar de forma rigorosa para punir esse tipo de conduta”.
Matéria Completa, ::Aqui::

No 1° de abril: Dilma confirma Serra na Agricultura.

Dilma confirma Serra na Agricultura.
Como espantalho


Numa demonstração de que não guarda rancores pela disputa acirrada, a presidente eleita Dilma Rousseff convidou seu oponente José Serra para a Agricultura. Ele será o espantalho.


“Eu estou estendendo a mão para a oposição com esse gesto”, disse Dilma.


Analistas afirmaram que a presença de Serra nas plantações poderá fazer o Brasil ter uma safra recorde, uma vez que ele afastará todas as pragas. Se ele levar uma foto de Bolsonaro junto, então, o país poderá se tornar uma potência no campo.

Santayana dá uma aula ao Aleluia

    Publicado em 01/04/2011

O Conversa Afiada reproduz artigo magistral do auto-didata Mauro Santayana, extraído site do JB:

Coisas da Política


De olhos opacos no turbilhão do mundo


Mauro Santayana


O engenheiro baiano José Carlos Aleluia enviou carta ao Reitor da Universidade de Coimbra, protestando contra a concessão do título de Doutor Honoris-Causa ao operário Luis Inácio da Silva, que, com o apelido afetivo de Lula, presidiu ao Brasil durante oito anos. Sem mandato, Aleluia mantém contatos com seus eleitores, mediante um site na Internet.


Ele foi um oposicionista inquieto, ocupando, sempre que podia, a tribuna, no ataque ao governo passado, dentro da linha sem rumo e sem prumo do DEM. Aleluia considera uma ofensa às instituições acadêmicas o titulo concedido a Lula, e faz referência elogiosa à mesma homenagem prestada ao professor Miguel Reale. Esqueceu-se, é certo, de outros brasileiros honrados pela vetusta universidade, como Tancredo Neves. Não é preciso conhecer a teoria de Freud para compreender a escolha da memória de Aleluia.


O título universitário é, hoje, licença profissional corporativa. O senhor Aleluia está diplomado para exercer o ofício de engenheiro. A Universidade o preparou para entender das ciências físicas, e é provável que ele seja profissional competente, tanto é assim que ministra aulas. O título universitário certifica que o graduado estudou tal ou qual matéria, mas não faz dele um sábio. O conhecimento adquirido na universidade é importante, mas não é tudo. Volto a citar, porque a idéia deve ser repetida, os versos de um escritor mais identificado com a direita do que com a esquerda, T.S. Elliot, nos quais ele mostra a diferença entre ser informado, conhecer e saber: Where is the wisdom we have lost in knowledge? Where is the knowledge we have lost in information?


O título de Doutor Honoris-Causa, sabe bem disso o engenheiro Aleluia, não é licença profissional, mas o reconhecimento de um saber, construído ao longo do tempo, tenha o agraciado ou não freqüentado a universidade. O papel da Universidade não deveria ser o que vem desempenhando – o de conferir certificados de preparação técnica -, mas o de abrir caminho à busca do saber. O Senador Christovam Buarque, com a autoridade de quem foi reitor da UNB, disse certa vez que a Universidade ideal será aquela que não expeça diplomas.


Lula, com os seus defeitos, e não são poucos, é um doutor em política. Um chefe de Estado não administra cifras, não faz cálculos estruturais, não prolata sentenças, nem deve escrever seus próprios discursos. Cabe-lhe liderar os povos e conduzir os estados, e isso dele exige muito mais do que qualquer formação escolar: exige a sabedoria que desconfia do conhecimento, e o conhecimento que se esquiva das informações não confiáveis.


A universidade é uma instituição relativamente nova na História. Ela não foi necessária para que os homens, com Demócrito, intuíssem a física atômica; com Pitágoras e Euclides, riscassem no solo figuras geométricas e delas abstraíssem os teoremas matemáticos; e muito menos para que Fídias fosse o genial arquiteto e engenheiro das obras da Acrópole e o escultor que foi. Mais ainda: as maiores revoluções intelectuais e sociais do mundo não dependeram das universidades, embora nelas se tenham formado grandes pensadores – e sua importância, como centro de reflexões e pesquisas, seja insubstituível. O preconceito de classe contra Lula sela os olhos de Aleluia e os torna opacos.


Solidário o meu autodidatismo com o de Lula, quero lembrar o grande escritor norte-americano Ralph Waldo Emerson: um talento pode formar-se na obscuridade, mas um caráter só se forma no turbilhão do mundo.


É no turbilhão do mundo que se forma o caráter dos grandes homens.

Do Blog CONVERSA AFIADA.

Popularidade de Dilma iguala-se à de Lula

73% dos brasileiros aprovam Dilma, diz CNI/Ibope
Ditabranda Online

GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

A presidente Dilma Rousseff foi aprovada por 73% dos brasileiros em março deste ano, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta-feira.

Apenas 12% dos entrevistados desaprovaram a petista, enquanto 14% se mostraram indecisos. A avaliação positiva do governo Dilma é de 56%, contra 27% que o consideram regular, 5% ruim ou péssimo e outros 11% indecisos.

Os índices positivos superam os registrados pela pesquisa Datafolha, divulgada no dia 20 de março. Segundo o Datafolha, Dilma foi aprovada por 47% dos brasileiros --igualando-se ao recorde registrado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo período do seu segundo mandato.

Segundo a CNI/Ibope, a expectativa dos brasileiros em relação ao governo Dilma também é positiva. Segundo a pesquisa, 68% acreditam que ele será ótimo ou bom.

Em dezembro, antes do início do governo, 62% dos entrevistados esperavam que o governo Dilma fosse positivo. Os que consideram o governo federal regular somam 19%, outros 5% ruim ou péssimo e 10% se mostraram indecisos.

A confiança no governo Dilma também é muito alta: 74% confiam na presidente, contra 16% que não confiam. Outros 10% não responderam.

COMPARAÇÃO

Numa comparação com o ex-presidente Lula, 64% do entrevistados consideram a gestão Dilma igual à do petista. Outros 12% acham o governo Dilma melhor, 13% pior e 11% não responderam ou se mostraram indecisos.

Em relação ao estilo de governar, 40% acham Dilma "um pouco diferente" de Lula, enquanto 39% consideram não haver diferença - num empate técnico. Apenas 14% acham os estilos dos dois presidentes muito diferentes e 6% não responderam.

A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 23 de março, com 2.002 pessoas em 141 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos.
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Do Blog O Esquerdopata.

Dilma, 100 dias: o jogo de claro-escuro da imprensa

Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa

Washington Araújo

Partidos de oposição ao governo do ex-metalúrgico não economizaram em criar epítetos para rotular Dilma Rousseff. Chamá-la de "poste" virou lugar comum ao longo de 2010. Chamá-la de "marionete", de ser criada artificialmente no laboratório do ex-presidente Lula, pontuou os debates com os presidenciáveis no segundo semestre de 2010. Não faltou quem não arriscasse uma praga poderosa de que, uma vez eleita, não governaria por si mesma, estaria sempre à sombra de seu antecessor e criador. No mesmo caminho, presidenciáveis com algum bom índice de intenção de votos nas pesquisas Ibope/Datafolha/Vox/Sensus, não hesitavam em lhe atribuir um caráter fraco. É de José Serra a sentença definitiva: "Na primeira oportunidade, uma vez eleita, Dilma trai Lula!"

Mais alguns dias e teremos sobrevivido a todos esses prognósticos fracassados. Nem Dilma tem governado o Brasil como se fosse um poste, uma marionete, nem passa-nos a impressão, por mais leve que seja, de que para espirrar necessita de prévia autorização de seu antecessor no terceiro andar do Palácio do Planalto. Também nenhum de seus atos de governo, não obstante a torcida da grande imprensa para que tal ocorresse, nos autoriza a pensar em uma traição da presidenta ao ex-presidente.

Nesses quase 100 dias de 2011, o Brasil governado por uma mulher não foi para o limbo por tantos aventado, esperado, anunciado. A presidenta anunciou logo de partida um possível corte de formidáveis R$ 50 bilhões no Orçamento da União. Desancou o governo de Mahmoud Ahmadinejad logo em sua primeira entrevista à imprensa internacional: "Não apoio um governo que apedreja uma mulher". Referia-se à iraniana Sakineh Ashtiani.

Vendo as águas tragarem a precária infraestrutura da região serrana do Rio de Janeiro logo nas primeiras semanas de sua gestão, não pensou duas vezes, tomou um helicóptero, sobrevoou as áreas inundadas, destruídas, as casas soterradas, as vidas interrompidas e de pronto autorizou a imediata liberação de verbas para ajudar os infelizes sobreviventes da tragédia carioca.

Sinais de mudança


Montou um governo pra chamar de seu. Boa parte dos antigos colegas de ministérios nos anos Lula da Silva não voltou à Esplanada. Trouxe gente nova, como é o caso de Ana de Hollanda para a Cultura, evitou o fatiamento das estatais não entregando seu comando a partidos de sua base de sustentação. Pagou pra ver e viu. Assistiu à gritaria por um salário mínimo superior aos R$ 545,00 oferecidos por sua equipe econômica; não recuou, ao contrário, autorizou seus apoiadores no Congresso Nacional a levarem logo o tema a voto. Ganhou, e bem, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. E assim ficou conhecendo quem merecia e quem não merecia sua confiança nas duas Casas do Congresso.

Barack Obama veio ao Brasil e a presidenta o recebeu com elegância porém com firmeza, chegou mesmo a convidar os ex-presidentes para recepção ao colega americano nos belos salões do Itamaraty. Aceitaram o convite José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Luiz Inácio Lula da Silva, o único que o convidado chamou de "o cara", simplesmente não deu as caras. E ficou por isso mesmo, não obstante o esperneio da grande imprensa com "tamanha desfeita" para com o primeiro presidente negro a ocupar a Casa Branca.

Dilma diz e repete a quem quiser ouvir que a liberdade de imprensa é sagrada. E não fala isso para agradar a imprensa ou para lhe parecer meramente amistosa. A verdade é que a presidenta não se sente nem um pouco incomodada com as manhas e artimanhas da grande imprensa. Parece estar sempre a nos dizer que nossa grande imprensa "não fede nem cheira". E articulou com maestria para retirar da presidência da Vale, nosso principal portento empresarial na cena internacional, o economista Roger Agnelli, empresário queridinho da vasta maioria dos líderes da oposição e arrebatador da simpatia da totalidade de nossos comentaristas de política e economia, nos jornais e revistas, nas rádios e nos telejornais. Dilma bancou o nome de Tito Botelho Martins e o Bradesco e demais acionistas o referendaram. Simples assim.

A presidenta voltou também à carga na cena internacional. É que pela primeira vez em oito anos o Brasil votou – no dia 24/3/2011 – contra o Irã em um organismo da ONU, o Conselho de Direitos Humanos. O órgão aprovou por 22 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções a designação de um relator especial para investigar denúncias de violações de direitos humanos no país persa. Trata-se de uma sinalização de mudança no governo Dilma Rousseff em relação ao de Lula, que vinha evitando críticas ao Irã. Desnecessário dizer que quem mais festejou a mudança do voto brasileiro foi nossa imprensa... afinal, estamos novamente ao lado dos "mocinhos", aqueles que controlam com mão de ferro o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O rumo e o remo


E como a imprensa se comportou nesses 100 dias? Foi o comportamento típico de quem espera cenários apocalípticos e, por um choque de realidade, se vê às voltas com uma normalidade política, econômica e institucional como há muito tempo não víamos no país. É que a grande imprensa jogou todas as suas fichas na certeza de que os temores (ou tremores?) da oposição demo-tucana iriam se concretizar com o avanço regular dos dias no calendário. E isso, com absoluta certeza, não aconteceu. É como se nossa grande imprensa não soubesse distinguir o que é propaganda política do que é realidade política. E também não soubesse separar até onde vai a militância política na imprensa e onde começa o verdadeiro trabalho jornalístico.

Os principais devaneios dessa imprensa se alternaram entre os seguintes blocos de temas principais:

1. Ruptura política (e quase) imediata da presidenta com o ex-presidente Lula;

2. Reconhecimento de uma herança pra lá de maldita nas contas públicas da União;

3. Formação de um ministério capenga, altamente fisiológico para atender ao imenso arco de alianças partidárias que lhe sustentaram a vitória na corrida para o Planalto.

Alheia à falta do que fazer de tantas editorias de Política, ressalte-se que ainda na segunda-feira (28/3), a presidenta Dilma voltou a afirmar que que "recebeu um país diferente, em condições de dar um salto maior ainda do que Lula conseguiu dar em seu primeiro mandato". E não ficou por aí: "Ele me legou essa herança e, tenham certeza, vou honrá-la".

Constatando que esse labirinto de ideias disparatadas não apresentariam no curto prazo qualquer porta de saída, a imprensa vistosa passou a semear diferenças entre o governo Lula e o governo Dilma. Foram generosos com Dilma ao louvar repetidas vezes sua discrição, seu jeito pouco afeito às câmeras, holofotes e microfones. E ressentidos ao tratar todo elogio à postura da presidenta como um petardo certeiro à postura do ex-presidente Lula. A pauta, o foco e o interesse dos colunistas da imprensa escrita – normalmente amparados nas marquises de O Estado de S.Paulo, a Folha de S.Paulo, O Globo, Veja e Época – tem sido o de elogiar a presidenta ao tempo em que trata de desmerecer seu antecessor no cargo. Um jogo de claro-escuro em que muitas vezes é apenas claro ou apenas escuro.

Não faltam colunistas se debatendo para encher suas colunas com algo que seja minimamente inteligente ou, na falta dessa qualidade, minimamente sensato. É o caso de Merval Pereira, que recentemente escreveu que "a presidenta Dilma Rousseff está acertando onde Lula havia errado e errando onde Lula havia acertado". Esta percepção de Pereira demonstra à larga a boa vontade com que nossa grande imprensa se esforça para oferecer uma cobertura equilibrada e justa à ocupante da Presidência da República.

Não há quem não veja a oposição ao governo Dilma Rousseff como desorientada, sem discurso, inábil e inapta para conduzir temas cruciais para o futuro do país como as reformas política, tributária e a nunca esquecida reforma previdenciária. E se não consegue se organizar ao menos para debater temas como esses, como imaginar que poderiam formar um contingente oposicionista bem qualificado para se opor às políticas de governo mantidas ou criadas por Dilma Rousseff?

Meu avô Venâncio Zacarias, velho líder salineiro, político calejado nos grotões do Rio Grande do Norte, diria que a oposição atual está "sem rumo e sem remo", e que nem "com o vento soprando a seu favor consegue seguir adiante". Sei não, a continuar nesse trote, a cobertura política do Planalto poderá deslocar muitos de seus vistosos colunistas para engrossar as editorias de Esportes, Mundo e Ecologia.


*Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pelaUNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.orgEmail - wlaraujo9@gmail.com.

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Jarbas Passarinho: "Nunca pude suportar Jair Bolsonaro"











Para o ex-ministro Jarbas Passarinho, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) "irrita muito os militares"

O repórter pronunciou o nome "Jair Bolsonaro" e, do outro lado da linha, o ex-ministro Jarbas Passarinho abusou do fôlego de 91 anos para bendizer o deputado federal: "Ah, esClaudio Lealse homem eu nunca pude suportar!".
Desafeto de Passarinho, Bolsonaro protagoniza uma polêmica comportamental e política desde que declarou seu desapreço por um hipotético namoro de seu filho com uma negra, em entrevista ao programa humorístico "CQC".
Provocado por uma pergunta da cantora Preta Gil, filha do compositor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, o capitão reformado do Exército deu uma pedrada: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu". Bolsonaro responderá a um processo por racismo, movido por 20 deputados.
Grudou-se ao congressista de extrema direita o mito de que representa a alma das Forças Armadas. Passarinho pega a contramão e desconstroi o discurso de Bolsonaro. "Ele irrita muito os militares", garante. Para definir seu interlocutor ideal, recorre, ora vejam só, à escritora francesa Simone de Beauvoir.
- Já tive com ele (Bolsonaro) aborrecimentos sérios. Ele é um radical e eu não suporto radicais, inclusive os radicais da direita. Eu não suportava os radicais da esquerda e não suporto os da direita. Pior ainda os da direita, porque só me lembram o livrinho da Simone de Beauvoir sobre "O pensamento de direita, hoje": "O pensamento da direita é um só: o medo". O medo de perder privilégios.
Ex-ministro do Trabalho, da Educação e da Previdência no regime militar, além de ocupar o ministério da Justiça no governo democrático de Fernando Collor, Jarbas Passarinho presidiu o Congresso Nacional e personalizou uma parcela dos militares moderados. No governo Costa e Silva (1967-1969), ele participou da reunião do AI-5, marco da restrição às liberdades individuais no País, em dezembro de 1968. Adiante, no governo Médici (1969-1974), foi o primeiro ministro militar - na realidade, um híbrido, com carreira civil - a admitir, publicamente, a existência de tortura, em entrevista ao repórter Reali Júnior.
Conhecido por sua habilidade para o diálogo com a esquerda e a direita na ditadura, o tenente-coronel reformado vive atualmente em Brasília e passou por problemas de saúde em 2009 e 2010. Depois de um ano de repouso, voltou a escrever artigos para a imprensa. Nesta entrevista a Terra Magazine, aceitou falar, a contragosto, daquele que Nelson Rodrigues poderia chamar de "personagem da semana": Jair Bolsonaro, um homem que ele nunca conseguiu suportar.
Terra Magazine - O que o senhor acha da polêmica de Jair Bolsonaro? Ele sempre diz que representa os militares. Isso é real?
Jarbas Passarinho - Nem todos os militares estão ligados a ele, mas como ele é o único que aparece falando... Os militares, inclusive depois do meu silêncio por doença, perderam espaço. Eu perdi meu espaço no "Estado de S. Paulo", no "JB" (Jornal do Brasil), que infelizmente faliu, no "Correio Braziliense", no "Estado de Minas". Então, desapareceu essa voz que tinha uma penetração na área mais nobre da mídia. Ele irrita muito os militares também, porque quando está em campanha, em vez de ele ir ao Clube Militar, como oficial, ele vai pernoitar no alojamento dos sargentos (risos). Pra ganhar a popularidade dele. Quando eu fui ministro da Justiça, recebi a visita de uma viúva de um brigadeiro de quatro estrelas. Ela era pensionista, portanto. Sabe que a pensão dela, naquela ocasião, no governo Collor, era o que um cabo recebia na ativa? O Collor me autorizou a tentar fazer uma modificação daquilo, pra ter pelo menos um pouco mais de dignidade. Ele (Bolsonaro) me viu fazendo isso. Ficou calado, veio com a esposa dele lá do Rio (de Janeiro), e em seguida ele foi pra tribuna e deu aquilo como projeto de lei dele. Por aí tu vês qual é a pessoa.
No programa do CQC, ele disse que considerava uma "promiscuidade" um hipotético namoro do filho dele com uma negra, e atacou os homossexuais.
Se alguém me procurar sobre isso, eu me recuso a dar opinião. Recuso porque eu tenho por ele uma verdadeira idiossincracia. Foi mau militar, só se salvou de não perder o posto de capitão porque foi salvo por um general que era amigo dele no Superior Tribunal Militar (STM). O ministro (do Exército), que era o Leônidas (Pires Gonçalves), rompeu com esse general por causa disso (em 1986, Bolsonaro liderou um protesto pelo aumento do soldo dos militares). Ele começou a se projetar quando aluno da escola de aperfeiçoamento de capitães. Deu uma entrevista falando dos baixos salários que nós recebíamos.
Quem era o general que o apadrinhava?
Já morreu. Comandou o II Exército, um general de muito respeito entre nós todos.
E o Bolsonaro...
Todos se aproveitam, usam como um modo de currículo. Com base nesse currículo, recebem votos.
As ideias de Bolsonaro são representativas para a maior parcela das Forças Armadas?
Não tem. Alguns sujeitos (apoiam), mas é raro. Tem um jornal mineiro, chamado Inconfidência de Minas... É o único grupo ativo de militares da reserva. Então, pela primeira vez ele pôs um artigo lá. Daqui a pouco, nem isso ele põe. Porque o pessoal recebe com restrição. Agora, claro que não vai botar contra ele.
Ele causa mal-estar nas Forças Armadas?
Não posso dizer isso, porque seria uma opinião pessoal. Ele já teve um aborrecimento comigo. Um cadete meu, que depois foi paraquedista e fez parte da luta contra a guerrilha do Araguaia, Lício Maciel, que esteve à morte, uma guerrilheira atirou na boca dele... Quase foi o fim. E o Lício Maciel foi na conversa do Bolsonaro, que o levou para uma sessão (no Congresso). Ele entrou e levou o Lício, que foi na conversa dele e começou a dizer: "(José) Genoíno, você tenha a coragem de dizer aqui na minha frente que foi torturado... Você mente! Você foi preso por mim, pelo meu grupo". Depois eu soube, por uma mulher da esquerda, que ele (Genoíno) confessou que lá ele não foi torturado, mas depois.
Então, Bolsonaro submeteu esse rapaz a um vexame, porque ele entrou numa sessão do Congresso. Eu escrevi um artigo e mostrei a total imprudência e irresponsabilidade do deputado. Submeter um oficial brilhante, digno, que tinha exercido sua atividade contra a guerrilha sem nunca ter participado de uma violência física, e ao contrário, sofreu, para depois ser expulso de uma sala da maneira vergonhosa como foi!... Ele escreveu para o "Correio Braziliense" me metendo o pau. Era a primeira vez que ele tinha coragem, depois de tantos atritos. Ele (Bolsonaro) me insultou, dizendo que eu era um escondido da esquerda, um infiltrado, não sei o quê. E mais ofensas de natureza pessoal. O "Correio" não publicou. Ele ficou indignado. Eu não gosto nem de falar sobre ele, porque tudo isso vem à mente.
Claudio Leal
By: Terra Magazine