sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Candidatura Marina pode ser impugnada


247 - A campanha de Marina Silva à presidência da República mal começou e já pode ter de enfrentar sua primeira séria turbulência. Reportagem da revista Época deste fim de semana sugere que a campanha do PSB cometeu crime eleitoral ao utilizar um avião fantasma – sim, o PR-AFA que desabou em Santos (SP), matando Eduardo Campos e outras seis pessoas.
Documentos obtidos pela revista (leia aqui a reportagem de Murilo Ramos, Marcelo Rocha e Diego Escosteguy), apontam que o avião continua sendo de propriedade do grupo AF Andrade, do setor sucroalcooleiro, que enfrenta grave crise financeira. Desta forma, não poderia ter sido cedido para a campanha de Eduardo Campos e Marina Silva, que também voou na mesma aeronave.
Ainda que pudesse ser utilizado como táxi aéreo, o que não é o caso, o avião deveria constar nas prestações de contas apresentada à Justiça Eleitoral pelo PSB, o que não foi feito. Confira um trecho:
ÉPOCA procurou a campanha do PSB à presidência da República com perguntas sobre o uso da aeronave PR- AFA. Entre outros questionamentos, perguntou se a chapa fizera pagamentos para usar a aeronave, se arcara com as despesas de manutenção e se declarara tais despesas na prestação de contas eleitoral. Na prestação parcial, referente ao mês de julho, não há citação às empresas BR Par e Bandeirantes. ÉPOCA perguntou, ainda, quantas vezes a candidata Marina Silva voou no avião e se ela tinha conhecimento sobre quem arrendara a aeronave. Até o fechamento desta reportagem, o PSB não respondera aos questionamentos. De acordo com a legislação eleitoral, uma empresa não pode fazer doações de bens ou serviços sem relação com sua atividade fim. Por isso, uma empresa do ramo sucroalcooleiro, como da AF Andrade, não poderia emprestar um avião. Se o alugasse, teria de comunicar a Anac. “A Anac não foi informada sobre nenhuma cessão onerosa da aeronave”, informou em nota.
A revista também ouviu um especialista em direito eleitoral, que falou até na hipótese de impugnação da candidatura:
Para o especialista em direito eleitoral Bruno Martins, se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegar à conclusão de que houve omissão nas informações prestadas pela chapa, pode haver uma desaprovação das contas. “Em último estágio, pode haver até mesmo a impugnação da candidatura”, afirma.

É preferível um Aécio na mão que duas Marinas voando



A aposta em Marina Silva é de alto risco por várias razões.

Dilma Rousseff e Aécio Neves representam forças claras e explícitas e são personalidades racionais.

Dilma defende um neo-desenvolvimentismo com uma atuação proativa do Estado e Aécio a volta ao neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso.

Em 2011, o pânico em relação à inflação tirou Dilma do prumo. Mas ela tem ideias claras sobre o país e sobre o que quer: política industrial, investimentos em infraestrutura, aprofundamento do social.

Podem ser apontados inúmeros vícios de gestão, mas também tem feitos consagradores, como a própria política do pré-sal, a construção da indústria naval, o Pronatec, Brasil Sem Miséria e um conjunto de obras — especialmente na área de energia.

Mesmo sua teimosia mais arraigada não chega perto do risco da desestabilização — apesar do terrorismo praticado por parte do mercado.

* * *

Com Aécio, a economia será submetida novamente a uma política de arrocho fiscal. Haverá refluxo na atuação do BNDES, fim das políticas de incentivo fiscal, redução da ênfase nas políticas sociais, interrupção no processo de reaparelhamento técnico do Estado. Se venderá novamente o peixe da “lição de casa” e do pote de ouro no fim do arco-íris.

Assim como FHC, Aécio estará ausente do dia a dia. Mas certamente se cercará de um Ministério de primeira grandeza e há uma lógica econômica por trás de suas propostas.

Até onde pretenderá chegar com o desmonte do Estado social, é uma incógnita. Mas age com racionalidade.

* * *

Já Marina é uma incógnita completa.

Primeiro, pelos grupos que a cercam e que querem um pedaço desse latifúndio. E ela não tem um grupo para chamar de seu, a não ser para o tema restrito do meio ambiente.

Haverá uma disputa dura para saber quem a levará pela mão: economistas de mercado, os grandes empresários paulistas, ambientalistas radicais, os egressos do PSB e — se Marina se consolidar — os trânsfugas do PSDB paulista.

* * *

O segundo dado é o mais confuso: a personalidade de Marina que nunca foi de admitir ser conduzida por ninguém.

Os que conviveram com Marina no governo reforçam algumas características:

Dificuldade em entender economias industriais.

Baixo pique operacional. Praticamente não conseguiu colocar de pé nenhuma de suas propostas à frente do Ministério do Meio Ambiente.

Jogo de cintura nenhum.

Tudo isso seria contornável, não fosse um aspecto de sua personalidade: teimosia e voluntarismo exacerbados. No governo Lula era quase impossível a outros Ministros definir pactos com Marina. Nas vezes em que era derrotada, costumava se auto-vitimizar.

Os empresários paulistas que apoiaram sua candidatura estavam atrás do símbolo político, o Lula de saias, o Avatar dos novos tempos. Vice de Eduardo Campos seria o melhor dos mundos, pois o presidente asseguraria a racionalidade do governo.

Colocaram como seus porta-vozes economistas, importaram o brasilianista André Lara Rezende, que encontrou a melhor síntese para casar o livre mercadismo com as propostas ambientalistas de Marina: o país não pode crescer para não comprometer o equilíbrio do meio ambiente mundial. Quem chegou, chegou, quem não chegou não chega mais.

* * *

Experiências recentes do país indicam que o componente pessoal, a psicologia individual é um ponto relevante na análise de figuras públicas.

Resta saber se o país está disposto a pagar para ver.

Para os mercadistas: aguardem um mês de campanha antes de iniciar a cristianização de Aécio, para poder entender melhor a personalidade de Marina.

É preferível um Aécio na mão que duas Marinas voando.

Luís Nassif
No GGN

Antes de começar, campanha de Marina entra em crise




Não deu outra. Bem que avisei, desde o primeiro dia, que isso não daria certo. Antes mesmo de começar a campanha, no dia em que foi ungida candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva abriu a primeira grande crise na estranha aliança ambientalista-socialista, ao bater de frente com o pessebista histórico Carlos Siqueira, que era uma espécie de José Dirceu de Eduardo Campos, coordenador-geral da campanha presidencial do ex-governador pernambucano, que morreu num acidente aéreo na semana passada. Como escrevi aqui outro dia, o mundo de Marina se divide entre quem manda e quem obedece. Quem manda é ela. Siqueira não obedeceu e já caiu fora.

"Não tenho magoa nenhuma dela, apenas acho que quando se está numa instituição como hospedeira, como ela é, tem que respeitar a instituição, não se pode querer mandar na instituição. Ela que vá mandar na Rede dela, porque, no PSB, mandamos nós", desabafou o ex-chefe da campanha de Eduardo nesta quinta-feira, ao deixar a reunião do PSB com partidos coligados, em Brasília, para oficializar a nova chapa presidencial.

O que todo mundo já sabia, mas era escondido pela grande imprensa familiar, que queria garantir um segundo turno na eleição presidencial, Siqueira botou para fora a guerra surda da aliança de Eduardo com Marina: "Acho que ela não representa o legado de Campos. Eu não vou fazer campanha pra ela porque eles eram muito diferentes, politicamente, ideologicamente, em todos os sentidos."

Para o lugar de Siqueira, Marina autocraticamente nomeou Walter Feldman, seu fiel aliado, fundador do PSDB e secretário de vários governos tucanos. O último cargo público que ocupou, antes de trocar o PSDB pelo PSB, quando ajudava Marina a criar a Rede Sustentabilidade, que não deu certo, foi o de "Secretário Especial de Articulação de Grandes Eventos" da Prefeitura de São Paulo. Alguém pode imaginar o que seria isso?

Tratava-se de uma bela mordomia em Londres, que durou seis meses e foi custeada pelos nossos impostos, em que Feldman foi encarregado de acompanhar as Olimpíadas na Inglaterra para dar sugestões à Prefeitura de São Paulo, na época comandada por Gilberto Kassab, sucessor e aliado do tucano José Serra. Como as próximas Olimpíadas serão sediadas no Rio, e não em São Paulo, ninguém entendeu até agora qual era o objetivo da sinecura de Feldman em Londres. É desse tipo de gente que Marina está cercada, incluindo herdeiras de bancos, economistas tucanos e altos empresários de cosméticos.

Em seu relatório final sobre seu trabalho em Londres entregue à prefeitura de São Paulo, Feldman concluiu com o seguinte ensinamento, no melhor estilo Marina Silva: "As atividades que envolvem um grande contingente populacional devem ter toda a área de prevenção e análise de riscos, planejamento, agregação e uma retaguarda especializada, com experiência internacional, para monitorar, dar suporte e formar uma rede de ação, a qual, desenvolvida em São Paulo, deverá atuar como fio condutor para o Brasil". Maravilha!

Entenderam? Pois é isso que nos espera nas propostas a serem apresentadas por Marina Silva na campanha presidencial, a julgar pelas ininteligíveis propostas que a candidata e seus fiéis seguidores apresentaram até agora. Salve-se quem puder, ou quem tiver juízo.

Chega de intermediárias: Neca Setúbal para presidente


Na década de 1960, quando o embaixador norte-americano Lincoln Gordon dava seguidas e constrangedoras demonstrações de poder junto aos generais que tentavam dar a impressão de mandar no Brasil após o golpe militar, o jornalista Paulo Francis cunhou uma frase que ficou famosa: “chega de intermediários. Lincoln Gordon para presidente.”

Sessenta anos se passaram e o Brasil mudou bastante desde então. Morto em 1997, o próprio Paulo Francis tornou-se um barítono da direita brasileira, servindo de mestre para um conservadorismo que não conseguia renovar-se por si próprio.

O país se democratizou, os brasileiros fizeram uma constituição democrática e, dentro de poucas semanas, irão votar para presidente pela sétima vez consecutiva, em ambiente de paz e plena liberdade de expressão — isso nunca aconteceu na república brasileira, em período algum.

Com um histórico de desigualdade e exclusão, na última década o país conseguiu avanços memoráveis na luta contra a pobreza, por uma melhor distribuição de renda. É inegável.

Mas nem tudo se modificou, como mostra Fernando Rodrigues, na Folha de hoje.

A entrevista de Maria Alice Setúbal, a herdeira do Itaú, que, manda a tradição aristocrática brasileira, prefere ser tratada em público como Neca, apelido familiar, é um assombro.

Educadora, por profissão, Neca é, também, bilionária por herança. É uma conversa sem rodeios nem inibições. Desde a confirmação da candidatura Marina, a herdeira do Itaú foi confirmada como coordenadora do programa de governo. Lembra de Antonio Palocci, que teve um papel essencial na estruturação do governo Lula, depois da vitória de 2002, inclusive com a Carta ao Povo Brasileiro? Seu lugar no organograma era o mesmo. Imagine o poder de Neca.

Maria Alice fala do ponto mais importante: autonomia do Banco Central, medida que, nós sabemos, concentra o ponto fundamental da campanha de 2014 — permitir ao sistema financeiro recuperar o controle absoluto da política econômica, definindo a taxa de juros conforme análises e projeções de instituições privadas que atuam no mercado.

Nós sabemos que, hoje, o governo Dilma procura manter a inflação sob controle e tem obtido vitórias importantes — há quatro meses os preços estão em tendência de queda e as projeções indicam um movimento semelhante no próximo levantamento. Apesar disso, o governo não abre mão de proteger os salários e de tomar toda medida a seu alcance para manter o emprego, em seu mais baixo nível da história. Isso só é possível porque, mesmo sem dar ordens ao Banco Central, a presidência da República tem o poder de indicar e demitir seu presidente.

A autonomia do BC é a senha para se mudar isso. Em vez de deixar a política econômica em mãos de tecnocratas que respondem a uma autoridade eleita, o que se quer é dar independência aos diretores do banco, que passam a ter mandato e assim por diante. Independência de quem? Das autoridades que de uma forma ou outra expressam a soberania popular.

Eduardo Campos já havia se declarado a favor da autonomia do BC, postura que causou espanto nos aliados que recordavam a herança do avô Miguel Arraes. Marina disse na época que não era favorável. Parecia resistir. “Enfim”, concordou, explica Maria Alice, esclarecendo que se quer definir o assunto em lei.

Criado pela ditadura militar, o Banco Central brasileiro guarda uma peculiaridade em comparação com originais estrangeiros. O Federal Reserve Americano, por exemplo, tem o dever de defender a moeda do país — e o emprego dos cidadãos. Essa missão com duas finalidades está lá, em mármore, na porta da instituição. No Brasil, não há referência ao emprego. Outros tempos, outros governos. Entendeu, né?

A coordenadora Maria Alice não é uma eleitora qualquer, cujo voto representará 1/100 milhões na eleição. O Itaú é um gigante com US$ 468 bilhões de ativos em 2013. É um número respeitável por qualquer padrão, inclusive internacional. Numa lista com os 15 maiores bancos dos Estados Unidos, o Itaú fica a frente de nove em ativos. Mas não é só.

Se você comparar a rentabilidade sobre o patrimônio, o banco da coordenadora da campanha de Marina supera mesmo os maiores bancos da maior economia do planeta. Diz a consultoria Econométrica que em 2013, o Itaú teve um rendimento da ordem de 16,70% sobre o patrimônio, algo perto de US$ 70 bilhões, só no ano.

Só para você ter uma ideia, o US Bancorp, mais lucrativo banco dos Estados Unidos, teve uma rentabilidade de 15,48%. Os maiores bancos dos EUA estão longe de exibir um desempenho comparável ao Itaú, no entanto. O Morgan, com um patrimônio mais de quatro vezes maior do que o Itaú, teve um rendimento 50% menor, em termos relativos. O rendimento do Citi, três vezes maior, teve um rendimento de equivalente a um quatro daquele auferido pelo Itaú, em termos proporcionais.

O Itaú não é o único banco brasileiro nessa posição. Bradesco e Banco do Brasil sobrevivem em ambiente muito parecido. A diferença é que os concorrentes não colocaram uma herdeira no comando de uma campanha presidencial, o que dá um grau de proximidade particularmente perigosa.

O Banco Central que a coordenadora Maria Alice quer autônomo já define, hoje, a taxa básica de juros e isso explica a força do setor financeiro no país. Caso essa situação seja colocada em lei, a situação ficará ainda pior.

Protegidos por uma taxa de juros que já foi muito mais alta no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas segue uma das maiores do mundo, os bancos crescem e engordam recebendo rendimentos pelos títulos do governo. Com os lucros do rentismo, os bancos não tem necessidade de emprestar ao empresário nem ao consumidor, atividade que está na razão de sua existência, no mundo inteiro. A taxa média anual de juros nos empréstimos bancários, em 2013, foi de 27,3% no Brasil. Uma barbaridade. Só em Madagascar (60) e Malawi (46%) esse ganho foi maior. No Canadá ficou em 3%. Na China, em 6%. Na Italia, em 5,1% e na Suíça, 2,6%. Nos Estados Unidos, ficou em 3,2%, ou oito vezes menor do que no Brasil. Na Inglaterra, ficou em 0,50%, mais quarenta vezes menor.

Dá para entender, assim, a desenvoltura de Maria Alice Setúbal.

Pode parecer arrogância, mas não é isso. É pura expressão de uma realidade política profunda. Alguém reclamava na França do Século XVII quando o Rei Sol dizia que “o Estado sou eu?” Era natural, vamos combinar.

Sem demonstrar inibições maiores, a herdeira do Itaú faz críticas diretas ao estilo de Dilma Rousseff. Avançando num argumento que reúne varias camadas de preconceito, nem sempre invisíveis, falou que a presidente exerce uma “liderança masculina.” Vinte e quatro horas depois que a candidatura de Marina provocou a saída de dirigentes históricos do PSB da campanha, ela achou conveniente definir Dilma como “desagregadora”.

Marina trouxe uma representante do 1% do PIB mundial para o comando de sua campanha.

É aquela turma que atua por cima dos estados nacionais e tem ligações frágeis com as respectivas populações porque seu horizonte é o mercado global. Como se aprende com o Premio Nobel Joseph Stiglitz, são esses interesses que impedem uma recuperação firme após a crise de 2009. O povo foi a rua em várias versões de ocupação e nada acontece. O 1% não quer e não deixa.

As grandes instituições financeiras seguem dando as cartas do jogo, mesmo depois de suprimir 60 milhões de empregos e destruir o futuro de várias gerações de trabalhadores.

O que a turma de 1% quer é eliminar o Estado de Bem-Estar Social aonde existe, ou impedir seu crescimento, ande está para ser construído. Isso porque ele funciona como uma garantia contra a reconcentração de renda e preservação dos direitos democráticos, que nem sempre comovem os mercados. Em alguns países do mundo, a força destruidora da crise não fez seu trabalho. Um deles é o Brasil, onde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva se recusou a tomar medidas que criariam uma Grécia infeliz e sem futuro na América do Sul. Vem daí a campanha de ódio contra seu governo e contra sua sucessora.

É isso e apenas isso.



Se eu vou votar em Dilma? Sim! Veja algumas razões



Rosemary Barros Se eu vou votar em Dilma? Sim! 
1 - Sim pelo Prouni. 
2 - Sim pelo Pronatec. 
3 - Sim pelo Pronaf. 
4 - Sim pelo Minha Casa Minha Vida. 
5 - Sim pelo Luz Para Todos.
6 - Sim pelo Água Para Todos.
7 - Sim pelo Ciências sem Fronteiras.
8 - Sim pela redução do desemprego a menos de 5%.
9 - Sim pelo pagamento da dívida com o FMI.
10 - Sim pela inflação cortada pela metade.
11 - Sim pelos 30 milhões que não passam mais fome.
12 - Sim pelos 50 milhões que agora tem consulta médica.
13 - Sim pela redução de 20% nas internações em hospitais como efeito do Mais Médicos.
14 - Sim pelo fim do uso privado do dinheiro público em aeroportos e afins.
15 - Sim pelo Brasil entre as 7 maiores economias do mundo.
16 - Sim pelas 18 Universidades Federais construídas.
17 - Sim pelas 370 escolas técnicas construídas.
18 - Sim !! para que o Brasil sombrio de 12 anos atrás não volte mais..."
Poderia passar de 100 fatos e motivos, mas estes já são mais que suficientes.

Marina provoca debandada no PSB


Coordenador da campanha entrega o cargo, critica a candidata do partido e diz que ela está longe de representar o legado de Eduardo Campos. Cúpula da legenda tenta apagar a crise no relacionamento com a Rede
 A crise na campanha presidencial de Marina Silva cresce na mesma proporção das justificativas dadas por dirigentes do PSB e da Rede de que tudo está dentro da normalidade. O coordenador-geral da campanha, Carlos Siqueira, personagem central na história do PSB, entregou ontem o cargo, disse para Marina "mandar na Rede dela" e acrescentou que ela está muito longe de representar o legado de Eduardo Campos. "Eu sei o que ele sofreu para manter essa coalizão." A debandada não para por aí: Milton Coelho, do comitê de mobilização, deixou a campanha. Responsável pela arrecadação, Henrique Costa pensa em retornar a suas atividades profissionais. E o marqueteiro Diego Brandy só permaneceu após receber o aval de pessoas próximas a Campos.

O sentimento de Siqueira permeia parte dos integrantes do PSB, embora a cúpula do partido tente reverter a crise. O ex-coordenador-geral da campanha é um nome histórico dos socialistas, foi secretário de governo de Miguel Arraes, conhecia Eduardo desde pequeno. Depositou nele as esperanças de ver o PSB chegar ao Planalto, senão agora, que fosse em 2018. Marina, nesse contexto, não representa a história que ele imaginava ser escrita.

A falta de habilidade da nova candidata também atrapalhou e antecipou a saída dos coordenadores. Na quinta-feira passada, um dia depois do acidente que matou Eduardo Campos, Marina já dizia, internamente, que a coordenação de campanha apresentava falhas e que era preciso encontrar caminhos para subir nas pesquisas de intenção de voto. A tensão foi crescendo até explodir no encontro realizado na tarde de quarta-feira, na Fundação João Mangabeira, quando Marina anunciou que Walter Feldmann, porta-voz da Rede, seria promovido à coordenação-geral. "Você fica onde o PSB quiser que você esteja", disse Marina a Siqueira, provocando a ruptura. Ontem à noite, o PSB divulgou nota informando que Luiza Erundina assumirá a coordenação-geral da campanha. Feldmann ficará como adjunto.



Flat devolvido

Integrantes do PSB defendem que a ala pernambucana da legenda deve atuar nesse momento para evitar uma nova debandada. Emissários de Renata Campos e Ana Arraes seriam enviados ontem para Brasília para tentar demover Siqueira da saída. Desistiram ao descobrir que o ex-coordenador-geral da campanha voara para São Paulo com o presidente do PSB, Roberto Amaral. Marina estava na capital paulista desde o início da tarde de ontem, gravando para propaganda eleitoral.

A viagem não tem um tom de reconciliação, contudo. Siqueira foi a São Paulo arrumar as coisas e fechar o flat que alugara para fazer a campanha. Ao lado de outros correligionários, ele tem a certeza de que Marina, a quem tratou ontem de "hospedeira", abandonará o PSB assim que a Rede for criada. As suspeitas se reforçaram durante encontro dela ontem com presidentes dos partidos aliados. Marina lembrou que é contra a reeleição e anunciou que, caso seja eleita para o Palácio do Planalto, cumprirá apenas quatro anos de mandato. "E eu espero que, em 2018, o PSB eleja um nome do partido para presidir o Brasil", disse ela.

A titular da chapa tentou minimizar ontem os atritos. "É lógico que estamos diante de uma situação que tem um mal-entendido e que o próprio PSB deve esclarecer", esquivou-se.

Time escalado

Confira as mudanças já feitas pela Rede e as desistências de socialistas na campanha ao Palácio do Planalto

Coordenação-geral de campanha

» Rede: Walter Feldmann

» PSB: Luiza Erundina

Coordenação de Mobilização

» Rede: Pedro Ivo

» PSB: Milton Coelho deixou o cargo

Comitê financeiro

» Rede: Bazileu Margarido

» PSB: Henrique Costa (pode deixar o cargo)

Comitê de plano de governo*

» Rede: Neca Setúbal

» PSB: Maurício Rands

* O único que não sofreu alterações

ANÁLISE DA NOTÍCIA

Tiro, porrada, bomba e memória

» Leonardo Cavalcanti

Mais do que um homem de partido - daqueles chamados de orgânicos -, Carlos Siqueira é a memória de toda a campanha de Eduardo Campos. Desde o momento em que o PSB entregou os cargos ao governo Dilma Rousseff, em outubro de 2013, até a morte do ex-governador de Pernambuco, na semana passada, Siqueira participou de todos os acordos.

Entenda-se como o homem de memória de uma campanha o cidadão ao qual os segredos de um partido são confiados. Amigo de Eduardo Campos e ex-assessor de Miguel Arraes na legenda, Siqueira é da confiança de Renata Campos, a viúva do ex-governador, que chama o dirigente do partido carinhosamente de Carlinhos. Com tais qualificações - pelo menos para o PSB pernambucano -, Siqueira complica Marina Silva ao abandonar a campanha. Sem ele, os novos assessores terão mais dificuldades de retomar as negociações e acordos suspensos com a morte de Campos.

A trama lembra, em outra escala, o que ocorreu com a morte de Tancredo Neves, em 21 de abril de 1985. Na época, especulou-se acerca dos acordos políticos fechados pelo mineiro. Alianças, diga-se, que nunca poderiam ser concretizadas, pois ninguém poderia apresentar um único recibo das negociações para a equipe de José Sarney, o sucessor de Tancredo. No caso de Campos, os acertos firmados pelo ex-governador com aliados poderiam, caso necessário, ser confirmadas com Siqueira. Agora, não mais.

Por fim, para o bem ou para o mal, duas características de Campos o distanciavam de Marina Silva: a praticidade e a capacidade extrema de negociação. O episódio envolvendo a saída de Siqueira da campanha apenas reforça uma imagem antiga vinculada à ex-senadora: a da intransigência. A 44 dias do primeiro turno, era tudo que ela não precisava. Informações do Correio Braziliense

Itaú assume comando de campanha de Marina

Neca, do Itaú, já dá as cartas no governo Marina 
Coordenadora do programa de governo de Marina Silva, Maria Alice Setubal, herdeira do Itaú, assegura que a candidata socialista dará autonomia ao Banco Central e irá perseguir uma meta de inflação de 4,5% no primeiro ano, que cairá para 3% nos anos seguintes, o que demandaria taxas de juros maiores; ela também minimizou a falta de experiência de Marina, que, segundo ela, contará com "operadores de mercado" em sua equipe; por fim, atacou a presidente Dilma; “Toda essa fala da Dilma gestora se desfez ao longo de quatro anos", afirmou.

247 – Madrinha de Marina Silva, Maria Alice Setubal, a Neca, coordenadora do programa de governo do PSB, minimiza a falta de experiência da candidata e sinaliza aproximação com o mercado.

Em entrevista à Folha, ela afirma que a presidenciável manterá os compromissos feitos anteriormente por Eduardo Campos a respeito de conceder autonomia formal, por lei, ao Banco Central. Diz que, ao longo da campanha, mais economistas "estarão se aproximando".

“Hoje, temos uma presidente cujo perfil é de gestão, pragmático, racional. Talvez o oposto da Marina. E o resultado que nós temos é bastante insatisfatório. Toda essa fala da Dilma gestora se desfez ao longo de quatro anos. O mercado visualizando as pessoas que estão ao lado dela vai ter muito mais segurança. Ela já tem vários economistas. Terá outras, mais operadoras", afirma.

Neca disse que a meta de inflação num eventual governo Marina permanecerá em 4,5%, com foco em chegar a 3% a partir de 2019.
Quanto à gestão de Dilma Rousseff, avalia que a petista "tem uma incapacidade de ouvir. Desagrega" (leia mais).

Marina destrói o PSB em 24 horas


Divisionista, Marina faz 'strike' no PSB de Campos
Não há mal-entendido; nas primeiras 24 horas após ser indicada candidata pelo PSB, Marina Silva abalou, de cima até embaixo, estrutura partidária e alianças firmadas, uma a uma, por Eduardo Campos; coordenadores Carlos Siqueira e João Câmara, puxador de votos em Minas Gerais Alexandre Kalil, governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, e deputado Nelson Trad (MS) deixam campanha; "O que me interessava no partido caiu de avião", disse, em seu estilo rude, o presidente do Atlético Mineiro; ex-coordenador Siqueira rompeu relações chamando Marina de "grosseira"; ela alegou "mal-entendido"; o que fica demonstrado, porém, é que o personalismo de Marina não admite diálogo, convivência e, menos ainda, contestação; depois de sair do PT, dividir o PV e abortar o Rede, ex-ministra derruba pinos no PSB; strike!
Marco Damiani _ 247 – Não há mal-entendido, apesar de ter sido esta a alegação da ex-ministra Marina Silva para a saída do coordenador de campanha Carlos Siqueira. Assim como ele fez ontem, no momento seguinte após dizer à candidata que rompia relações com ela, em reunião da cúpula do PSB, nesta quinta-feira 21 o partido sofreu novas perdas. Todas elas estratégicas, que haviam sido amarradas, uma a uma, pessoalmente, pelo ex-governador Eduardo Campos.
Nas primeiras 24 horas de candidata a presidente, ainda que não tenha registro no TSE e já tenha iniciado sua propaganda, Marina fez um verdadeiro 'strike' em seu próprio time – expressão usada no boliche quando o jogador derruba, com uma única jogada, todos os dez pinos de um vez.
Puxador de votos do PSB em Minas Gerais, pelo fato de ser presidente do Clube Atlético Mineiro, o empresário Alexadre Kalil desistiu de ser candidato a deputado federal. Ele havia sido convencido por Campos a disputar, mas agora não vou motivos para prosseguir:
- O que me interessava caiu de avião, disse Kalil, numa rude referência, como é de seu estilo, ao acidente que vitimou o presidenciável socialista.
No Mato Grosso do Sul, outro puxador de votos, o deputado federal Nelson Trad anunciou que não há hipótese de pedir votos para Marina, em razão de suas ligações históricas com o agronegócio de sua região e de ela nem querer conversa com esse setor da economia.
Na mesma toada, o experiente governador André Pucinelli, verdadeiro campeão de votos no Estado, anunciou que irá cerrar fileiras na campanha da presidente Dilma Rousseff. Após uma série de conversas com Eduardo Campos, ele se preparava para entrar na campanha do presidenciável do PSB. Bastou, no entanto, Marina mostrar seu estilo que Pucinelli correu para o outro lado.
Em Pernambuco, novo golpe. Depois que Siqueira deixou a coordenação da campanha de Marina sob a alegação de ela ter sido "grosseira", na mesma quinta 21 o indicado para ser seu substituto, Milton Coelho, não aceitou assumir o cargo. E, ainda, deixou vaga a posição de coordenador nacional de Mobilização e Articulação.
- Havia um pacto com meu querido amigo Eduardo Campos, mas minha tarefa acabou aqui, justificou ele, lembrando que trabalhou para Campos, em posições centrais, em três campanhas eleitorais.
A tomar-se pelo histórico de Marina Silva, as defecções não devem causar surpresa. Eleita senadora pelo PT, ela deixou o partido atirando depois de ocupar durante cinco anos, nas duas gestões de Lula na Presidência da República, o Ministério do Meio Ambiente. Abrigada com seu grupo no PV, obteve 17% dos votos válidos da eleição de 2010, mas dois anos depois, com estardalhaço, saiu, com seus amigos, depreciando a legenda. Partiu, então, para montar o Rede. Dependendo de seus próprios esforços, no entanto, não foi feliz. Com falta de assinaturas em número legal suficiente, apesar de ter desfrutado de quase um ano para atender a legislação, Marina iria ficar fora da sucessão presidencial de 2014. Mas Campos, com seu poder de articulação, a convenceu a entrar no PSB.
Mesmo dentro do partido, Marina gosta de declarar que estava presente para ter novas condições, a partir de 2015, de montar o seu próprio: o Rede Sustentabilidade.
Neste momento, além de estancar as sangrias que o estilo personalista de Marina vai causando no PSB, a cúpula do partido se esforça para que ela deixe de lado, ao menos no discurso, a ideia de mudar de agremiação logo no próximo ano.
Estar em uma legenda anunciado estar montando outra, no entanto, não é a única contradição de Marina. Sua falta de tato para manter os acordos firmados por Campos ainda irão provocar mais rachas no PSB. Apesar de indicada, ela a candidatura dela ainda não foi oficializada no TSE - o que faz com que muitos socialistas já queiram voltar atrás, apesar de a campanha estar nas ruas.
Marina já avisou que não vai aceitar contribuições financeiras de bancos e de indústrias de bebidas. O PSB contava com recursos de doadores desses setores para alavancar a campanha da legenda. Mas agora tudo é dúvida.
Certeza, apenas, o fato de Marina ter como principal coordenadora de seu programa de governo, com 250 páginas, numa intersecção de propostas do Rede e do PSB, por Neca Setúbal. Trata-se da herdeiro do maior banco privado do País, o Itaú Unibanco. Para Marina, isso pode, mas não conviver com quadros históricos o PSB não, isso não pode.
Na política, um histórico e um posicionamento como os de Marina têm um só nome: divisionismo. Com este germe dentro de um partido, a unidade é corroída por dentro. Nas suas primeiras 24 horas como candidata no lugar de Campos, que, na mesma linguagem, pode ser chamado de unitário, Marina mostrou que tem um poder destrutivo à altura, na direção contrário, do que se espera que ela possa construir.
Política do tipo voluntarista e chamada de personalista, Marina resgata agora outro carimbo: divisionista.

Marina abre o jogo e se afirma como candidata neoliberal

Portal Vermelho - 21 de agosto de 2014 - 11h32

Em sua primeira entrevista depois da oficialização de sua candidatura à Presidência da República, nesta quarta-feira (20), em substituição ao candidato Eduardo Campos (PSB), Marina Silva (Rede Sustentabilidade) fez jus à empolgação do sistema financeiro e da direita neoliberal, mostrando a metamorfose de seu ideário político que se adapta aos interesses antinacionais.

 Agência Brasil

Candidata do PSB-Rede-PPS prometeu "vantangens competitivas" ao agronegócio.

Candidata do PSB-Rede-PPS prometeu "vantangens competitivas" ao agronegócio.


Durante toda a entrevista, a candidata repetiu a cartilha de medidas estabelecidas pelos economistas do sistema financeiro, inclusive para o agronegócio. Marina, que antes fazia críticas ferrenhas ao modo de produção do setor, afirma agora que este será também um “polo da sua campanha”.

Distante do combate ao latifúndio e seus laços com o capital estrangeiro, Marina revelou a sua real bandeira quando assume o compromisso com o setor de “avançar nas vantagens comparativas que temos, transformando-as em vantagens competitivas”. Questionada se faria mudanças no novo Código Florestal, contra o qual se posicionou na época da votação no Congresso, Marina agora defende a sua “implementação”.

Aliás, a aproximação com o agronegócio, tão criticado por Marina e a sua Rede de Sustentabilidade, é nítida com a escolha de seu vice, o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS) que tem trânsito entre as empresas do setor, que são os principais doadores de sua campanha.

Copiar base econômica de FHC

Marina reafirmou o compromisso com o receituário econômico de ajustes com o sistema de metas de inflação, câmbio flutuante e autonomia do Banco Central, fazendo questão de elogiar a política econômica do governo de FHC. Por outro lado, criticou a presidenta Dilma Rousseff dizendo que o governo precisa ter uma “base política que dê credibilidade para os investimentos”.

As afirmações de Marina mostram a quem o seu plano de governo serve e confirmam que a euforia dos especuladores internacionais (além de tucanos) com a sua candidatura não foi à toa. Na terça-feira (19), o banco americano Brown Brothers Harriman (BBH) divulgou “relatório” em que afirma que a eventual eleição de Marina é muita positiva “para os mercados”. Gurus econômicos de Aécio também manifestaram sua alegria com a entrada de Marina na disputa por conta da identidade dos tucanos com sua a política econômica.

Aliás, para acompanhar o coro alarmista, seguindo o exemplo da campanha do tucano Aécio Neves na questão inflacionária, Marina lançou a “ameaça do apagão” dizendo que é uma ameaça existente desde 2002. No entanto, a candidata tratou logo de dizer que irá resolver o problema, mas não é algo “que se faça da noite para o dia”.

Da Redação do Portal Vermelho, Dayane Santos
Com informações de agências