terça-feira, 2 de setembro de 2014

Economista filiado ao PSB diz que candidata afronta memória de Arraes


publicado em 1 de setembro de 2014 às 19:37
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A educadora Neca Setubal, acionista do Banco Itaú, ajudou a coordenar o programa de governo de Marina que prevê autonomia para o Banco Central, ou seja, o fortalecimento dos bancos na formulação da política econômica
Brasil. Como sobreviver?
por Adriano Benayon*
01.09.2014
via Facebook da Bernadette Siqueira Abrão
As TVs e a grande mídia promovem intensamente a candidata que surgiu com a morte do desaparecido na explosão. Marina Silva costuma ser apresentada como defensora do meio-ambiente e como diferente de políticos que têm levado o País à ruína financeira e estrutural, como foram os casos, em especial, de Collor e de FHC.
2. Mas Marina não representa ambientalismo algum honesto, nem qualquer outra coisa honesta. O que tem feito é, a serviço do poder imperial angloamericano, usar a preservação do meio ambiente como pretexto para impedir — ou retardar e tornar absurdamente caras — muitas obras de infra-estrutura essenciais ao desenvolvimento do País.
3. Pior ainda, a tirania do poder mundial, com a colaboração de seus agentes locais, já ocupa enormes áreas, notadamente na região amazônica, para explorar não só a biodiversidade, mas os fabulosos recursos do subsolo, verdadeiro delírio mineral, na expressão do falecido Almirante Gama e Silva, profundo conhecedor da região e, durante muitos anos, diretor do projeto RADAM.
4. Além da pregação enganosa sobre o meio ambiente, o império vale-se de hipocrisia semelhante em relação à pretensa proteção aos direitos dos indígenas, a fim de apropriar-se de imensas áreas, que os três poderes do governo têm permitido segregar do território nacional, pois brasileiro não entra mais nelas.
5. As ONGs ditas ambientalistas, locais e estrangeiras, financiadas pela oligarquia financeira britânica, como a Greenpeace e o WWF (Worldwide Fund for Nature) trabalham para quem as sustenta, não estando nem aí para o meio-ambiente.
6. Isso é fácil de notar, pois não dão sequer um pio contra a poluição dos mares, produzida pelo cartel anglo-americano do petróleo: a mais terrível poluição que sofre o planeta, pois os oceanos são a fonte principal do oxigênio e do equilíbrio da Terra.
7. Marina foi designada ministra do meio ambiente, em Nova York, quando Lula, antes de sua posse, em janeiro de 2003, foi peitado por superbanqueiros, em reunião após a qual anunciou suas duas primeiras nomeações: Meirelles para o BACEN e Marina Silva para o MME.
8. Empossada no MME, Marina, nomeou imediatamente secretário-geral do ministério o presidente da Greenpeace, no Brasil.
9. Marina foi dos poucos brasileiros presentes, quando o príncipe Charles reuniu, na Amazônia, outros chefes de Estado da OTAN e caciques das terras que ele e outros membros e colaboradores da oligarquia mundial já estão controlando por meio de suas ONGs e organizações “religiosas”, como igreja anglicana, Conselho Mundial das Igrejas etc.
10. Todos deveriam saber que os carteis britânicos da mineração praticamente monopolizam a extração dos minerais preciosos, e a maioria dos estratégicos, notadamente no Brasil, na África, na Austrália e no Canadá.
11. Os menos desavisados entenderam por que Marina desfilou em Londres, nas Olimpíadas de 2012, única brasileira a carregar a bandeira olímpica.
12. É difícil inferir que o investimento da oligarquia do poder mundial em Marina Silva visa a assegurar o controle absoluto pelo império angloamericano das riquezas naturais do País?
13. Algo mais notório: a mentora ostensiva da candidatura de Marina é a Sra. Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, o que tem maiores lucros no Brasil, beneficiário, como os demais, das absurdas taxas de juros de que eles se cevam desde os tempos de FHC, insuficientemente reduzidas nos governos do PT.
14. Não há como tampouco ignorar as conexões do Itaú e de outros bancos locais com os do eixo City de Londres e Wall Street de Nova York.
15. D. Marina nem esconde desejar que o Banco Central fique ainda mais à vontade para privilegiar os bancos a expensas do País, que já gasta 40% de suas receitas com a dívida pública, sacrificando os investimentos em infra-estrutura, saúde, educação etc.
16. Contados os juros e amortizações pagos em dinheiro e os liquidados com a emissão de novos títulos, essa é despesa anual com a dívida pública, a qual, desse modo, cresce sem parar (já passa de quatro trilhões de reais).
17. Ninguém notou que Marina — além de regida pelo Itaú — já tem, para comandar sua política uma equipe de economistas tão alinhada com a política pró-imperial como a que teve o mega-entreguista FHC, e como a de que se cercou Aécio Neves?
18. Como assinalou Jânio de Freitas, Marina e Aécio se apresentam com programas idênticos. Na realidade, é um só programa, o do alinhamento com tudo que tem sido reclamado pela mídia imperial, tanto pela do exterior, como pela doméstica.
19. Da proposta de desativar o pré-sal – a qual fere mortalmente a Petrobrás, que ali já investiu dezenas de bilhões de reais, e beneficia as empresas estrangeiras, as únicas, no caso, a explorá-lo — até à substituição do Mercosul por acordos bilaterais — como exige o governo dos EUA — Marina e o candidato do PSDB estão numa corrida montando cavalos do mesmo proprietário, com blusas idênticas, diferenciadas só por uma faixa.
20. Por tudo, a figura de Marina antagoniza o pensamento do patrono do PSB, João Mangabeira, e o de seu fundador, Miguel Arraes, cujas memórias estão sendo rigorosamente afrontadas.
21. Não há, portanto, como admitir que os militantes do PSB fiquem inertes vendo a sigla tornar-se instrumento de interesses rapinadores das riquezas nacionais e prestando-se a que oligarcas internos e externos se aproveitem do crédito que os grandes nomes do Partido granjearam no coração de milhões de brasileiros de todos os Estados.
22. Há, sim, que recorrer a medidas apropriadas, previstas ou não, nos Estatutos do Partido, para que este sobreviva e ajude o Brasil a sobreviver.
23. De fato, estamos diante de um golpe de Estado perpetrado por meios aparentemente legais, incluindo as eleições. Parafraseando o Barão de Itararé, há mais coisas no ar, além da explosão de avião contratado por um candidato em campanha.
24. A coisa começou quando políticos e parlamentares notoriamente alinhados com os interesses da alta finança, e outros enrustidos, articularam a entrada de Marina na chapa do PSB, acenando a Eduardo Campos com o potencial de votos e de grana que ela traria.
25. Fazendo luzir a mosca azul, a Rede o pegou como peixes de arrastão.
26. Alguém viu a foto de Marina sorrindo no funeral do homem? Alguém notou que, imediatamente após a notícia da morte dele, a grande mídia, em peso, dedicou incessantemente o grosso de seus espaços à tarefa de exaltar D. Marina?
27. Os golpes, intervenções armadas e outras interferências, por meio de corrupção, praticadas a serviço da oligarquia financeira angloamericana, em numerosos países, inclusive o nosso, desde o Século XIX, deveriam alertar-nos para dar mais importância a contar com bons serviços de informação e de defesa.
28. Golpes de Estado podem ser dados através de parlamentos, poderes judiciários, além de lances como os que estão em andamento. Agora, a moda adotada pelo império angloamericano, como se viu em Honduras e no Paraguai, na suposta primavera árabe, na Ucrânia etc., é promover golpes de Estado, sem recorrer às forças armadas, as quais, de resto, no Brasil, têm sido esvaziadas e enfraquecidas, a partir dos governos dirigidos por Collor e FHC.
* Adriano Benayon é doutor em economia, autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento” e ainda filiado ao PSB.
Leia também:
Maria Lucia Fattorelli: Banqueiros capturaram o Estado brasileiro

Sugestão da Amiga Ana Virgílio.

Programa de governo de Marina inclui o "volta FMI"



 
Ao propor a criação de órgão externo ao governo com o pretexto de controlar contas públicas, candidata cria condições privilegiadas para agentes financeiros especularem sobre o orçamento do país
 O Conselho de Responsabilidade Fiscal (CRF), externo ao governo, que a candidata Marina Silva (PSB) anuncia em seu programa de governo, é muito semelhante àquelas delegações do Fundo Monetário Internacional (FMI) que vinham ao Brasil intervir em como e onde o governo podia ou não investir o dinheiro que arrecada.Continue lendo aqui  
E nos ajude a divulgar, recomendando, curtindo e comentando o artigo. A sua colaboração é muito importante para Dilma

O discreto charme da burguesia “socialista” que ascende ao poder


Revista Época 1. Terríveis dúvidas sobre o rumo ideológico do PT, como se eles, sim, fossem de esquerda; a educadora — e, assim, “só de passagem”, acionista do Banco Itaú, aquele, dos lucros bilionários — se educou nas Ciências Sociais da USP!

Estadão: 2. A educadora tem outra fonte de renda, ainda que indireta, com o marido de sobrenome quatrocentão (não foi possível checar se também é socialista). Assim o jornal descreveu:

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Trata-se da Fazenda Capoava, onde dentre outras escolhas você pode se sentir, em meio a uma decoração charmosa, um verdadeiro escravo:

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O hóspede pode escolher entre a senzala padrão e a senzala loft que, presumimos, deve ser algo com um toque novaiorquino, que ninguém é de ferro.

Ah, sim, para os que se interessaram — quem foi diz que é muito bonito e vale a pena —, o valor para um casal passar o fim de semana na Senzala Loft é de R$ 2.754,00.

Por telefone, checamos: não há desconto para socialistas.

No Viomundo


Começa a surgir o “voto contra as trevas”


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Ao contrário do que se passou em 2010, ao menos aqui no Rio de Janeiro, surge uma reação eleitoral interessante.
Gente que estava resistente a votar em Dilma Rousseff, por decepção ou críticas (algumas muito justificadas) ao PT, está migrando para um “voto útil”.
Contra o que está vendo surgir por detrás da candidatura Marina Silva, mais do que a ela, pessoalmente.
O neoliberalismo selvagem e a teocracia medieval.
Gente que não quer o Itaú no Banco Central nem Silas Malafaia como chefe da Inquisição.
Porque percebem que Marina não tem um partido, nem estruturas políticas, mas patrocinadores que vêem nela um instrumento para a projeção de seus poderes.
Nem mesmo a tal “Terceira Via”, desmoralizada desde que Tony Blair virou coadjuvante de George Bush, é capaz de encobrir que é ela, agora, o cavalo de Tróia que o conservadorismo oferece ao povo brasileiro.
Recheado, claro, de tudo o que ele abomina: a paralisia do país, o autoritarismo e a intolerância.
A campanha, agora, ganha ares de segundo turno, com o fim de Aécio Neves, inapelavelmente devorado pelo apoio e cumplicidade da mídia com Marina Silva.
Cumplicidade que se expressa, de forma mais que evidente, com o encobrimento da origem escusa do avião que mudou radicalmente os rumos da campanha eleitoral.
Mas os fatos reais, estes teimosos, acabam desnudando quais são os verdadeiros  santos do altar de Marina.
Os que ela não chuta, como chutou, ao longo de sua vida, o PT, o PV e, agora, a comunidade LGBT.
Marina Silva é o Tea Party tropical.
Todo o poder para os bancos, os grandes empresários, a mídia.
Governar com os melhores, não é?

Do Blog TIJOLAÇO.

Os golpes de Estado no programa de Marina Silva


"Democracia de 'alta intensidade' sem partidos fortes. Justiça social com Estado mínimo. O programa de Marina é uma bomba institucional. 

Saul Leblon, Carta Maior

Por trás do cerco conservador à candidatura Dilma, e da fase alegre dos consensos em torno de Marina Silva – que Malafaia trincou com 4 ‘bordoadas’ de twiter, como ele próprio se jacta -- existe uma encruzilhada política.

É ela que está sendo escrutinada nos dias que correm.

O que as urnas de outubro vão decidir é se o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro será pautado por um salto revitalizador da democracia ou pela restauração neoliberal.
A identidade programática entre Marina e Aécio nesse aspecto é tal que o tucano já acusa a afilhada de Neca do Itaú de roubo de patente.
A patente de um governo deliberadamente subordinado à supremacia da lógica financeira.


Um governo que se propõe a ser um anexo do Banco Central independente.
E que não oculta a determinação de entregar ao poder financeiro a gestão autônoma da moeda, do juro e, por isso também, do câmbio – e em consequência, do poder real de compra dos salários.
Democracia participativa ou a ditadura da lógica financeira?
Interesse público ou apetites unilaterais?
Um Brasil mais justo ou a desigualdade como motor da economia?
A alavanca da produtividade ou o garrote-vil do arrocho salarial?
A coordenação democrática da economia ou a farra das privatizações?
Repactuar metas, concessões, salvaguardas e prazos com partidos, sindicatos, lideranças e movimentos sociais organizados; ou submetê-las à chibata do poder econômico local e global?
Não existe uma terceira via nessa disjuntiva.
Pode existir nas bibliotecas.
Ou nos devaneios marinados nos salões elegantes, onde o capital financeiro se veste de verde sustentável.
Mas o que distingue um devaneio ou uma biblioteca de um projeto político é justamente a construção das linhas de passagem concretas, aquelas que alteram a correlação de forças, criando um protagonista organizado, fiador de um futuro que não repita o passado.
É isso que desafia a história concreta do Brasil hoje.

A pergunta levada às urnas é como pavimentar um ciclo de crescimento mais justo em meio à desordem sistêmica que o ideário neoliberal abraçado por Marina e Aécio instalou na economia mundial.

O campo progressista diz que isso só acontecerá se as forças descontroladas dos mercados forem submetidas ao imperativo democrático do interesse público.
Trata-se de subtrair espaços à incerteza e à volatilidade da lógica financeira.
A crise de representação intuída pelo descontentamento e a incerteza em relação ao futuro evidencia que nos limites atuais da democracia brasileira isso não ocorrerá.
Mais democracia exige mais organização.
Exige partidos mais fortes.
Movimentos sociais mais articulados.
Instituições adicionais que tornem os governos mais permeáveis.
Exige informação plural.
Exige um Estado com poder de coordenação capaz de mobilizar recursos e políticas que contemplem os anseios e urgências da sociedade no curto, médio e longo prazo.
Exige planejamento público que estabeleça coerência entre o horizonte do investimento pesado e as emergências inadiáveis.
Marina pensa diferente.
Democracia de 'alta intensidade' sem partidos fortes.
Justiça social com Estado mínimo.
O programa de Marina é uma bomba institucional.
O capítulo econômico é um golpe de Estado contra a participação da sociedade.
E esta é golpeada por medidas antagônicas que implodem o sistema representativo, piorando-o.

Não é uma 'difamação petista'.
Na verdade, a melhor crítica a essa algaravia de uma candidata eólica, que muda de ideia ao sabor dos ventos da conveniência – e o faz entre uma página e outra de um programa marmorizado de golpes e contragolpes contra si mesmo — foi feita por um sincero simpatizante.

O filósofo Renato Janine Ribeiro, em sua coluna no jornal Valor (01-09), declara-se vivamente entusiasmado com a ‘democracia de alta intensidade’ acenada por Marina Silva, cujos acenos são de fato corretos.

Assim:
É um pouco vago, mas saúdo esse aprofundamento do projeto de democracia participativa de Franco Montoro ou essa retomada da democracia direta do PT em suas primeiras décadas. Uma participação maior do povo é o tema principal”
A simpatia de Janine, todavia – a exemplo da de Malafaia, mas com sinal trocado -- dura menos de 15 páginas de um catatau de 241 folhas.
Seu desconcerto, nas suas próprias palavras:
Mas, quando chegamos à página 15, um "box" pretende traduzir este arrazoado - sério, correto, prioritário - em medidas que devam "deflagrar" a reforma política. Contudo, esse minirresumo executivo não bate com a filosofia antes exposta.
Os meios não dialogam com os fins! (...)
O que se propõe de prático e de imediato? Primeiro, a coincidência de todos os mandatos, inclusive municipais, numa única eleição a cada cinco anos, sem reeleição. Já defendi a reeleição e não volto ao tema (...) Ora, se este ano a campanha presidencial nublou a dos governadores, para não falar dos legislativos, como será se renovarmos todos os cargos ao mesmo tempo? E por que eleições mais espaçadas, e não mais frequentes? Tudo isso despolitiza. A escolha será menos meditada do que já é hoje. O que vai contra os ideais do programa. E uma contradição: quer-se preencher os "cargos proporcionais" segundo "a Verdade Eleitoral", definida como a regra de proclamar eleitos os candidatos individualmente mais votados, sem levar em conta o partido ou coalizão a que pertençam. É curioso que isso seja exatamente o "distritão" proposto pelo vice-presidente Michel Temer. Aliás, assim os cargos deixam de ser preenchidos proporcionalmente (...). Mas isso acaba com os partidos.
Na verdade, as candidaturas avulsas, adiante recomendadas, deixam de ser a exceção e se tornam a regra. Todas as candidaturas serão avulsas. Não conheço país no mundo que adote esse critério (...). Há duas más consequências: primeira, cada candidato terá como adversários todos os demais candidatos, não sendo de seu interesse aliar-se ou somar suas forças a ninguém que dispute o mesmo cargo. Segunda, os partidos se liquefazem. Assim o mandato deverá pertencer ao eleito, não ao partido. Daí, a troca de partidos estará na lógica do sistema. Há o risco de que, em vez de criar canais paralelos aos da democracia representativa, esta última fique mais frágil, mais vulnerável ao canto de sereia do Poder Executivo. Isso pode até piorar nossa política! Porque, enfim, o programa tem um descompasso entre a meta nobre da maior participação popular, mas que não se traduz em nada concreto, e as reformas concretas, só que confusas e possivelmente com efeitos indesejados...”
As contradições estruturais no programa de Marina Silva não refletem apenas confusão.
Tampouco 'falhas de editoração', como se alegou em relação ao casamento gay, ao apoio à energia nuclear e, possivelmente, em breve, em relação aos pontos agora denunciados pela honestidade intelectual de um simpatizante, como Renato Janine Ribeiro.
A verdade é que o espaço de coerência entre democracia e mercadismo – que nunca foi amplo - se estreitou ainda mais a partir de 2008, mesmo para a dissimulação de uma terceira via.
Mas também não é confortável para o campo progressista.
Justamente porque avançou muito nos últimos anos, explorando as linhas de menor resistência, mas também indo além delas em algumas áreas, o Brasil talvez esteja muito perto de ter atingido o limite na trajetória de construção a frio de um projeto de desenvolvimento com justiça social.
Não avançará muito mais a partir de agora se menosprezar os interesses catalisados pelas políticas populares dos últimos dez anos.

O baixo incentivo ao engajamento dos grandes contingentes ingressados ao mercado de consumo nas últimos anos revela agora seu calcanhar de Aquiles quando uma parcela dos eleitores entre dois e cinco salários se descola da candidatura Dilma.

Durante muito tempo se considerou que essa era uma 'não-questão'; que tudo se resolveria no piloto automático de uma incorporação ao consumo, com avanços incrementais que se propagariam mecanicamente, das gôndolas das supermercados à correlação de forças na sociedade.
Pode ser meia verdade em céu azul de brigadeiro na economia.
A essa meia verdade, o economista Márcio Pochaman indagava premonitoriamente ainda em 2013:
“Criamos 17 milhões de empregos desde 2003; um milhão de jovens ingressaram na universidade graças ao Prouni e 1,5 milhão de famílias ascenderam ao Minha Casa, Minha Vida. Qual foi o saldo organizativo de tudo isso?”.
Pode-se atualizar a pergunta no tempo que resta para ser respondida:
O que a candidatura progressista propõe como catalisador organizativo para que essa energia social se enxergue parte essencial de um segundo governo Dilma?

A resposta, certamente, passa por evidenciar ao eleitor popular algo de que carece o programa autogolpista de Marina Silva: a coerência entre meios e fins; entre o desenvolvimento que se quer para o Brasil e a democracia necessária para construí-lo."

Coordenador do núcleo LGBT da campanha de Marina Silva deixa o cargo após publicação de ‘errata’


Saída acontece após publicação de errata sobre trecho do programa de governo de Marina Silva
O coordenador do núcleo LGBT da campanha presidencial do PSB, Luciano de Freitas, deixou o posto, depois da decisão da candidatura de rever pontos do programa de governo voltados aos direitos dos gays. Freitas, que faz parte do Diretório Nacional do PSB, afirmou que a decisão já havia sido tomada na semana passada.

Eu já estava decidido a sair porque estava sem tempo e depois desses contratempos todos — disse.

O coordenador do núcleo LGBT, que é de Pernambuco, justificou que pretende se dedicar à campanha do candidato do PSB ao governo do estado, Paulo Câmara, e da candidata a deputada estadual Laura Gomes.

Freitas se recusou a comentar a decisão da campanha de publicar uma errata do programa de governo retirando o trecho do documento que defendia a aprovação de lei que criminaliza a homofobia e a proposta de colocar na constituição o direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Prefiro não falar — disse.

Ele foi o coordenador da equipe redigiu esse trecho do programa de governo e fazia parte do núcleo LGBT desde o início da campanha, quando o candidato do partido era Eduardo Campos.

O que redigimos foi exatamente o que saiu. Esperávamos que tivesse cortes. Ficamos surpresos com o que foi publicado.

O coordenador geral da campanha de Marina, Walter Feldman, disse não ter conhecimento da saída de Freitas, mas considerou natural um eventual abandono do posto.

Não pedimos a ninguém para sair. Houve várias manifestações em relação a mudanças do nosso plano de governo. Elas são democráticas, ninguém é obrigado a apoiar, ninguém é obrigado a ficar. Aquilo que foi reformado expressa exatamente a opinião da candidata e dos coordenadores do programa de governo — afirmou Feldman.


Cid Gomes:Marina é canoa furada,conservadora e reacionária


O governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), disse que Marina Silva (PSB), é uma canoa furada, conservadora e reacionária. Cid ainda afirmou que, caso eleita, Marina será deposta após dois anos de governo.As declarações ocorreram na noite da última segunda-feira (1º) durante a inauguração de uma escola na periferia de Fortaleza.

O governador afirmou estar preocupado com a divulgação das últimas pesquisas que mostram o crescimento da candidata.

"Se as pessoas não se tocarem, vão eleger Marina Silva presidente da República. Meu Deus! A gente não pode com um gesto de protesto, induzido pela grande mídia, dar o poder para banqueiros e meia dúzia de poderosos."

Ainda de acordo com o governador cearense, Marina passa pose de progressista, mas é "religiosamente o que há de mais conservadora e reacionária".

"Eu não dou dois anos de governo para Marina. Ela será deposta, pode escrever o que estou dizendo. Me impressiona a proposta de autonomia do Banco Central. Sabe o que significa? Entregar aos bancos o poder de arbitrar os juros. Dizer quanto o capital financeiro quer ganhar", disse.

Marina Silva e a superioridade do faz de conta no debate do SBT


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Um problema dos debates no SBT é que você fica sempre esperando que, a qualquer momento, Silvio Santos vá sair da coxia gritando “quem quer dinheiro, oeeee??”

Silvio não apareceu, mas Suplicy passou o tempo antes do programa jogando conversa fora com os jornalistas. Me contou que pretende organizar uma maratona com os demais candidatos ao Senado e garantiu que está fazendo 4 mil metros em 40 minutos. Eu acredito. Atrasado, Serra chegou só no segundo bloco.

O DCM acompanhou o encontro no SBT. O clima tenso entre os “três irmãos siameses”, segundo o achado de Luciana Genro, era patente. Dilma já partiu para o ataque a Marina de cara; Aécio, num erro estratégico que não vem de hoje, foi para cima de Dilma e não de Marina, que lhe rouba votos num ritmo malufista. Marina bateu em ambos, mas paira acima deles.

Como nas outras ocasiões, os nomes sem chance proporcionam os melhores momentos. Eduardo Jorge em sua utopia hippie e falta de noção, Luciana Genro em modo irônico, o semi picareta Levy “Ponto Fora da Curva” Fidelix. E o Pastor Everaldo ainda sem fazer sentido.

A participação dos jornalistas foi decisiva. Se no debate da Band os caquéticos Boris Casoy e José Paulo de Andrade transportaram os telespectadores para a Guerra Fria, no SBT as perguntas foram incisivas e atuais. Levy nunca mais olhará Kennedy Alencar da mesma maneira.

Na falta da Hebe, que deus a tenha, o que fica do debate é que o Brasil parece ter ganhado desde já sua imperatriz, sua santa padroeira, seu farol, sua fada madrinha, sua redentora. Se Marina Silva sempre teve uma postura professoral, na tarde do dia primeiro de setembro ela caprichou.

Compreensivelmente, elegeu Dilma seu alvo preferencial. Insistiu ao menos duas vezes na tese de que Dilma não admite as próprias falhas. “A candidata não consegue fazer uma coisa que é essencial para quem pretende fazer um segundo mandato, que é reconhecer os erros. Porque se não reconhece os erros, não tem com repará-los”, ensinou, magnânima.

Fez questão de se alinhar a FHC e Lula, como se fizesse parte de outra linhagem, bem diferente da daqueles manés ao seu lado. O lugar de Dilma era, na verdade, seu por direito divino. Sua “nova política” é a dos “bons”. Ela tem a receita para salvar o país, especialmente da usurpadora de vermelho.

Acima do bem e do mal, Marina dá aulas para Dilma e Aécio. Não há, na verdade, nada que lhe permita posar de grande realizadora. É preciso lembrar que Marina ficou em terceiro lugar em seu estado de origem, o Acre, em 2010. Por quê? De acordo com a própria, “é difícil ser profeta em sua própria terra”.

Em matéria de não assumir equívocos, a inefável Marina não tem qualquer razão para se colocar num pedestal tão inatingível. Ela afirma que a mudança no programa de governo com relação ao casamento gay — que não resistiu a quatro tuítes cafajestes de Silas Malafaia — se deve a um erro da “coordenação”.

De quem na coordenação? Essa pessoa, ou essas pessoas, foram demitidas? Ninguém sabe. O programa foi divulgado sem a sua aprovação, portanto? Você, certamente, não leu porque não é obrigado. Mas esta não deveria ser a obrigação dela?

Os dois principais contendores de MS levam uma enorme desvantagem, que é a de terem governado. Lidaram — com maior ou menor êxito em diversas áreas — com questões da vida real nos últimos anos. Marina pertence ao mundo das possibilidades e explora essa condição com arrogância e irresponsabilidade.

É um adversário difícil porque combatê-la significa lutar contra o que ela simboliza. Qual a obra de MS? Passou pelo PT — saiu. Passou pelo PV — saiu (com uma cláusula que a desobrigava de encampar bandeiras que se contrapunham a suas crenças religiosas). Tentou fundar a Rede — não conseguiu. Está de passagem pelo PSB.

Está acima de todos. A virtuosa Marina não é apenas uma política melhor. É uma pessoa moralmente mais equipada, honesta, transparente e muito mais íntegra. Apenas pertence ao mundo da fantasia, mais ou menos como o Silvio Santos.

Kiko Nogueira
No DCM

Slogan de Marina copia campanha de Gushiken


 
Pelo visto, a nova política não foi capaz de criar um novo slogan.
Até hoje não se sabe quem inventou a frase “Não vamos desistir do Brasil.” Ela foi pronunciada por Eduardo Campos em seus comícios e agora foi incorporada à campanha, como o principal slogan da “nova politica” de Marina Silva.

Nova?

Há 11 anos, a mesma ideia com outras palavras, esteve no centro de uma campanha do governo Lula: “Eu sou brasileiro e não desisto nunca.”.

Na frase de 2003, o sujeito é “o brasileiro.” Ele não desiste. Está resolvido.

Na versão de 2014, alguém precisa, apelar para que o povo não desista. A ideia é muito parecida, mas aparece uma novidade: é preciso arrumar um lugar para um líder, ou melhor, uma candidatura. É quem puxa o coro que vai reafirmar um traço ameaçado do caráter nacional.

Em 2003, a campanha “sou brasileiro e não desisto nunca foi uma ideia de Luiz Gushiken,” o primeiro titular da Secom.

A autoria da frase chegou a ser atribuída aos craques da Copa de 2002, que a teriam para virar o placar de um jogo em que o Brasil ficara em desvantagem. E também a Lula. Na minha lembrança, algo parecido fazia parte dos versos de um musical estrelado por Bibi Ferreira…

Não sou fanático dos direitos autorais da propaganda política. Os grandes textos e expressões deste universo são obras anônimas da luta popular. Não ganharam importância porque foram criadas por um autor supostamente genial, mas porque expressavam a vontade da população em determinado momento.

“Mataram um estudante, podia ser seu filho” ajudou a levantar a classe média contra a ditadura, em 1968.

“Greve geral, derruba o general,” foi uma grande palavra de ordem num 1 de maio da Vila Euclides, dominando pelos metalúrgicos do ABC.

Quando Lindomar Castilho matou Eliane de Grammont, o movimento de mulheres reagiu: “Bolero de machão se canta na prisão.”.

A verdade é que há 12 anos, o Brasil vivia num ambiente de pessimismo real.

Não era a euforia do Real. Era o seu fracasso. O país mal havia esquecido a emigração em massa de brasileiros ao exterior. Depois de 1998, o país quebrou e o governo Fernando Henrique Cardoso foi obrigado a bater às portas do FMI para pedir um empréstimo. Mas a credibilidade do governo era tão frágil que foi preciso obter aval dos candidatos de oposição para o dinheiro sair. Havia outro problema, porém. Fazendo corpo mole para liberar os recursos, que dependiam de sua assinatura, o secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, fez chegar aos jornais o receio de que o dinheiro pudesse “acabar numa conta na Suíça.” (Sabe o que se investigava nos EUA, na época? Alstom, Siemens e outras e outras empresas envolvidas no pagamento de propinas pelo mundo afora — até no metrô paulista, como fomos informados duas décadas mais tarde.).

Na campanha de 2002, como se fossem potentados coloniais, banqueiros como George Soros davam ultimatos ao país. Os juros chegaram a 24,90% no final daquele ano. Mas a crise era tão grave que depois da posse de Lula foram elevados para 26,27%, numa medida de emergência para conter a herança inflacionária, que enfim foi debelada no final do ano.

Falando no lançamento da campanha de 2003, Lula disse: “Eu acho que tem valores que temos de resgatar: valores religiosos, familiares, do círculo de amizade.” O presidente acrescentou: “tanta gente de fora acredita tanto no brasileiro e nós, às vezes, não acreditamos”.

Em 2014, fala-se em perda de controle da inflação quando ela se encontra em tendência de queda, fechou em torno de zero a quatro meses — e na média de quatro anos, encontra-se num patamar mais baixo do que FHC e mesmo Lula. O crescimento econômico é fraco, mas, mesmo em condições difíceis, tem sido possível evitar o desemprego e o arrocho nos salários.

O slogan da campanha de Marina procura se transformar numa profecia que se auto realiza. É o pessimismo induzido. Busca criar um ambiente de medo, incerteza, dizendo que tem gente capaz de “desistir” — mas ela não vai deixar.
Entendeu?
Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília. É também autor do livro "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA, IstoÉ e Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa".

Com fim da Copa, indústria do Brasil volta a crescer em agosto


A atividade da indústria brasileira voltou a mostrar expansão em agosto após quatro meses de contração, favorecida pelo aumento da produção com o fim da Copa do Mundo e pela atividade de compras, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira.

Em agosto, o PMI da indústria apurado pelo Markit subiu a 50,2 contra 49,1 em julho, voltando a ficar acima da marca de 50 que separa crescimento de contração pela primeira vez desde março.

"O índice sugere que a atividade melhorou  em agosto, no que pode ter sido uma recuperação após os impactos provocados pela Copa do Mundo", disse o economista-chefe do HSBC André Lóes.

Os PMIs em junho e julho mostraram que a Copa do Mundo afetou a atividade industrial. Mas com a conclusão do Mundial, a indústria aumentou a produção em agosto, bem como garantiu a assinatura de novos acordos comerciais, segundo o Markit.

O maior aumento da produção foi registrado pelo subsetor de bens intermediários, enquanto a indústria de bens de capital teve ligeira queda.

Por sua vez, a atividade de compra cresceu pelo segundo mês seguido, e no ritmo mais rápido desde março. Todas as categorias registraram aumento, sendo o mais forte entre os produtores de bens de investimento. Agência de notícias Reuter

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Do Blog Os Amigos do Presidente Lula

Dilma zangada é garantia de bom desempenho em debates



Dilma é, tão-somente, caloura na política. Jogá-la em um debate com raposas como Aécio Neves ou Marina Silva chega a ser covardia. A inexperiência e o quadro político adverso dificultam ainda mais a vida de quem não está habituado com a cara-de-pau que a política exige.
Políticos, antes de tudo, têm que ser frios. Ser cara-de-pau ajuda muito. Permite a estratégia de Marina Silva, por exemplo, que não diz nada e consegue ser entendida devido às expressões faciais, que anunciam que está dizendo alguma coisa sem que diga absolutamente nada.
A inexperiência em debates e o momento político difícil constituem-se em enorme problema para Dilma; ela sempre começa os debates nervosa. Desta vez, no debate do SBT/UOL, inclusive, reconheceu o nervosismo ao errar nomes daqueles aos quais perguntaria.
Dilma sempre começa os debates gaguejando. Faz pausas intermináveis durante as frases, dando a impressão de que esqueceu o que iria dizer. Mas ela tem um botão anti-pânico e os marqueteiros precisam encontrar uma forma de acioná-lo para que ela se saia bem na oratória tanto em comícios quanto em debates.
Aliás, quem conhece um pouco melhor a história recente de Dilma se lembra da sova que ela deu no demo Agripino Maia no Congresso ao responder a ele sobre por que disse, em uma entrevista, que mentia “muito” aos torturadores da ditadura militar, ponderando que mentir sob tortura é quase uma obrigação.
Dilma, quando indignada, se supera. Não foi diferente no debate do SBT/UOL.
Marina, por exemplo, após fazer uma interpretação escandalosamente pessimista da situação do país, pergunta a Dilma: “O que deu errado em seu governo?”. Dilma, visivelmente indignada, faz aquele ar de impaciência – que chega a ser engraçado – e dispara: “O que deu errado é que tiramos 30 milhões de brasileiros da miséria”.
Bingo! Só os trejeitos da presidente, ao indignar-se, já deixam o adversário constrangido. É a linguagem corporal instintiva.
Mas não é só. Zangada, Dilma não gagueja. As palavras fluem, ganham naturalidade. É outra pessoa, quando provocada.
Com Aécio Neves foi a mesma coisa. Ele disse que o governo federal não manda dinheiro para seu Estado – Minas Gerais, não o Rio de Janeiro, como muitos podem pensar – e Dilma, indignada com a mais do que comprovável mentira, fez o mesmo ar de impaciência e disse que ele, além de ter “memória fraca”, é “desinformado”.
É mais como ela disse do que o que ela disse. Foi engraçado e soou verdadeiro. Zangada, Dilma passa a quem a vê que aquilo é indignação diante de uma mentira.
De resto, foi divertido. Levy Fidelix xingando a mídia e fazendo um discurso inflamado e panfletário como qualquer estudante universitário devido a seu partido ter sido chamado de “legenda de aluguel” pelo jornalista Kennedy Alencar, foi impagável.
Eduardo Jorge dizendo que não tinha nada que ver com a briga dos dois, foi antológico.
O “pastor” Everaldo citando várias vezes “estrupo”, apesar de patético também foi engraçado.
Não dá para esperar mais do que isso em debates nesses moldes, com tantos debatedores. Não será aprofundado tema algum. Nesses debates, a mise-em-scène vale mais do que as palavras. Ninguém presta atenção no que é dito, mas em COMO é dito.
Não se pode afirmar, mas é mais provável que o debate desta segunda-feira não tenha sido vencido por ninguém. Na verdade, entre o primeiro pelotão, talvez Dilma tenha marcado alguns pontos devido às respostas atravessadas a Marina e a Aécio.
Dar respostas atravessadas dificilmente é uma boa tática. A menos que seja na situação particular em que Dilma as deu nesse debate, ou seja, após sofrer o bombardeio de quase todos os candidatos e de ter sido agredida por aqueles aos quais respondeu.
Se os marqueteiros encontrarem uma fórmula para que Dilma já chegue zangada aos debates e comícios, não vai ter para ninguém. E se o que as lendas tucano-midiáticas dizem for mais do que isso, não será preciso muito para zangar a presidente. Tomara que seja verdade.

Do Blog da Cidadania.

PSB entrega hoje à Justiça Eleitoral uma fraude

Dr. Amaral: o Brasil lembra da frase de Ulysses: sou velho, mas não sou velhaco

Tijolaço - Autor: Fernando Brito
O Dr. Roberto Amaral fará hoje uma escolha.

Aquela que um dia, Ulysses Guimarães retratou na frase: sou velho, mas não sou velhaco.

Hoje vão se entregar as contas do PSB sobre receitas e gastos de campanha.

Nela, segundo ele próprio anuncia, constará “tudo”.

Os dirigentes do partido acenam com uma “doação” do avião que servia a Eduardo Campos e Marina Silva e que acabou por vitimar o candidato do PSB, transformando sua vice em “obra de Deus”.

O Dr. Roberto Amaral sabe que esta “doação” é mentirosa e os documentos (?) que tentarão lhe dar aparência de real são falsificações.

Ninguém (e até agora ninguém é ninguém mesmo, porque o único papel que surgiu é anônimo) compra um avião de R$ 20 milhões para “doar”  para  uma campanha que vai durar quatro meses.

Pela simples razão de que o aluguel de um jatinho, fazendo o mesmo papel de servir ao candidato, com tripulação, operação e combustível, custaria pouco mais de um décimo deste valor.

Mesmo que o “doador” fosse um louco, o partido lhe diria isso e diria que alugasse.

Tanto é assim que nenhuma campanha, mais milionária que fosse, ousou até hoje tamanho golpe: “não me empreste um avião, doe-me um”.

Dos destroços do Cessna emana a evidência de uma fraude.

Se é isso, como antecipou ontem o Estadão, o que o PSB vai apresentar à Justiça Eleitoral será a consumação de um crime que vai além do Código Eleitoral, vai à lei penal brasileira.

Gravíssimo, pois vai além da materialidade do delito, mas atinge a boa-fé de toda a população.

Não há um jornalista com quem converse que não esteja convencido de que houve uma trampa aeronáutica de milhões dólares sob as asas da “nova política”.

Hoje, com a entrega dos documentos, produz-se a certidão de óbito de qualquer alegação de honradez e ética que possa haver nela, inapelavelmente.

A “Operação Uruguai” de PC Farias será uma miniatura, frente à fraude que se está por consumar.

É tão grande, mas tão grande que – mesmo com a cumplicidade da mídia, que não estampa o episódio escandaloso com o destaque que merece e demonstra uma inexplicável preguiça em encontrar, há mais de 15 dias, os espertalhões que intermediaram o negócio – nada poderá ocultá-la.

E ela vai surgir como um escândalo capaz de derrubar o governo que, com seu encobrimento, procuram eleger.

O Dr. Roberto Amaral fará mais que uma escolha sobre se será velho apenas ou velhaco, como na frase de Ulysses.

Com ele à frente, vão escolher hoje se têm um partido político ou uma societas sceleris, uma quadrilha.