domingo, 19 de outubro de 2014

O fascismo à espreita na reta final

"Atos de violência e intimidação são resultado previsível de uma política de criminalização da política e dos políticos

Paulo Moreira Leite, Blog:  Paulo Moreira Leite

Na quinta-feira, quando Dilma teve uma queda de pressão no SBT, um médico gaúcho usou o twitter para mandar essa “#%&!##”chamar um “médico cubano.”

(Dois dias antes, ao sair do carro no estacionamento da TV Band, para o debate anterior, a presidente foi recebida pelos gritos de um assessor parlamentar adversário. Ouviram-se coisas como “vaca”, “vai para casa…”)
No Rio, o cronista Gustavo Duvivier passou a receber diversos tipos de ameaça depois que publicou um texto onde deixou clara sua preferência por Dilma.

Agressores avançaram sobre o escritor Enio Gonçalves Filho, blogueiro com momentos de boa inspiração — e que é cadeirante — quando ele se dirigia ao Churrasco dos Desinformados, na Praça Roosevelt. Enio se dirigia a um protesto para responder ao comentário de Fernando Henrique Cardoso sobre a vantagem de Dilma nos estados do Nordeste (“O PT está fincado nos menos informados, que coincidem de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT. É porque são menos informados,” disse FHC).

No meio do caminho, três sujeitos avantajados tentaram obrigar Enio a tirar sua camisa vermelha — ele é petista — e chacoalhavam sua cadeira de rodas.

Uma comunidade de quase 100 mil usuários numa rede social, que se declaram profissionais da classe médica brasileira, se tornou palco de uma guerra dentro da  corrida presidencial. Com o título de “Dignidade Médica”, as postagens do grupo pregam “castrações químicas” contra nordestinos, profissionais com menor nível hierárquico, como recepcionistas de consultório e enfermeiras, e propõe um “holocausto” contra  os eleitores de Dilma.

Eleições apertadas, que envolvem projetos políticos distintos, podem gerar conflitos entre eleitores que chegam a lembrar torcidas de futebol. Mas estamos assistindo a uma situação diferente: ações agressivas destinadas a dar suporte a uma ideologia política de exclusão e negação de direitos elementares.

A maioria dos estudiosos costuma ligar a emergência do ódio político, sentimento que está na base dos movimentos fascistas, a situações de crise econômica, quando a maioria das pessoas não enxerga uma saída para suas vidas nem para suas famílias. Embora a economia brasileira tenha crescido pouco em 2014, ninguém definiria a situação do Brasil como catastrófica.

Ao contrário do que ocorria na Europa dos anos 20 e 30, que viu nascer os regimes de Benito Mussolini e Adolf Hitler, o Brasil não se encontra numa situação de superinflação nem de desemprego selvagem. A média dos últimos quatro anos de inflação é a segunda mais baixa da história do IBGE — numa linha que vai até 1940.

O desemprego é o menor da história e continua caindo. Nada menos que 123 000 novos postos de trabalho foram criados em setembro 2014. É inegável que ao longo dos anos ocorreram avanços na distribuição de renda, no combate a desigualdade, na ampliação dos direitos das maiores que passavam excluídas pela historia.

A intolerância de 2014 tem origem política e tem sido estimulada pelos adversários do PT e Dilma. Procura-se questionar a legitimidade de suas decisões e rebaixar moralmente os eleitores os apóiam.

Em 2006, quando Lula foi reeleito, um ano e meio depois das denúncias de Roberto Jefferson, o Estado de S. Paulo publicou uma reportagem tentando sustentar que “a aceitação da corrupção na política está mais presente entre os eleitores de baixa renda.”

Ao fazer pesquisas que associavam valores morais aos anos de educação formal de um cidadão, o estudo A Cabeça do Brasileiro sugeria que a baixa escolaridade — condição da maioria da população — tornava a parcela menos educada da população mais vulnerável ao “jeitinho” e outras práticas condenáveis.

Procurando entender a origem do fascismo nas primeiras décadas do século passado, Hanna Arendt deixou lições que podem ser úteis para o Brasil de 2014.

Hanna Arendt usava uma expressão interessantíssima — “amargura egocêntrica” — para definir a psicologia social dessas pessoas que integravam movimentos de vocação fascista. Ela escreveu: “a consciência da desimportância e da dispensabilidade deixava de ser a expressão da frustração individual e se tornava um fenômeno de massa.”

É sempre interessante recordar um levantamento feito em 2011 pelo instituto Data Popular. Entrevistando 18 000 cidadãos na parte superior da pirâmide de renda, o DataPopular descobriu que:

55,3% concordam que deveria haver produtos para ricos e pobres

48,4% concordam que a qualidade dos serviços piorou com o maior acesso da população

62,8% concordam que estão incomodados com o aumento das filas

49,7% concordam que preferem frequentar ambientes com pessoas do seu nível social

16,5% concordam que pessoas mal vestidas deveriam ser barradas em alguns lugares

26,4 % concordam que o metrô aumenta a circulação de pessoas indesejáveis na região em que moram

17,1% concordam que todos os estabelecimentos deveriam ter elevadores separados.

A intolerância e o ódio cresceram no Brasil com uma consequência inevitável de um movimento destinado à criminalização da política e dos políticos — em particular do Partido dos Trabalhadores, nascido para ser “aquela parede protetora” das classes assalariados e dos mais pobres, para usar uma expressão de Hanna Arendt. Pela destruição das barreiras de classe, que permitem distinguir um partido de outro, os interesses de uns e de outros, firmou-se o conceito de que nossos homens públicos são autoridades sem escrúpulo e bandidos de alta periculosidade, sem distinção, descartáveis e equivalentes, “não apenas perniciosas, mas também obtusas e desonestas, ” como escreveu a mestra.

As atitudes agressivas e tentativas de humilhação nasceram durante o julgamento da AP 470, no qual se assistiu a um espetáculo seletivo de longa duração. Enquanto os acusados ligados ao PT e ao governo Lula eram julgados em ambiente de carnaval cívico-televisivo, num espetáculo transmitido e estimulado por programas de TV, os acusados do PSDB, envolvidos nos mesmos esquemas, dirigidos pelas mesmas pessoas — e até com mais tempo de atividade — foram despachados para tribunais longe da TV, a uma distancia de qualquer pressão por celeridade. Sequer foram julgados — embora a denúncia seja anterior.

Há outros componentes no Brasil de 2014. A referencia sempre odiosa aos médicos cubanos que respondem pelo atendimento de brasileiros que nossos doutores verde-amarelos não têm a menor disposição de atender, revela o casamento do preconceito com um anticomunismo primitivo, herança viva da ditadura de 1964. Permite ao fascismo recuperar o universo Ame-o ou Deixe-o, assumir-se como aliado da ditadura sem dizer isso de forma explícita.

O progresso social dos últimos anos ajudou a criar ressentimento de camadas de cima que se vêem ameaçadas — — em seu prestígio, mais do que por outra coisa – em função do progresso dos mais pobres, essa multidão despossuída que na última década conseguiu retirar uma fatia um pouco mais larga do bolo da riqueza do país.

Em 2010, a vitória de Dilma Rousseff foi saudada em São Paulo por um grito no twitter: “Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”, escreveu uma estudante de Direito. Três anos mais tarde, ela foi condenada um ano e cinco meses de prisão, mas teve a pena transformada em prestação de serviços comunitários.

“O que perturba os espíritos lógicos é a indiscutível atração que esses movimentos exercem sobre a elite “, escreveu Hanna Arendt.

Richard Sennet, um dos principais estudiosos das sociedades contemporâneas, definiu o ressentimento como a convicção de que determinadas reformas em nome do povo “traduzem-se em conspirações que privam as pessoas comuns de seu direito e seu respeito.” Os benefícios oferecidos aos mais pobres resultam em insegurança e insatisfação por parte dos cidadãos que estão acima das políticas sociais dirigidas às camadas inferiores, explica Sennet, para quem essas pessoas tem o sentimento de que o governo “não conhece grande coisa de seus problemas, apesar de falar em seu nome.”

Mas quais seriam estes problemas? Hanna Arendt falou em “amargura egocêntrica.”

Na decada de 1950, poucas medidas de Getúlio Vargas despertaram o ódio de seus adversários como a decisão de aumentar o salário mínimo em 100%.

Pouco importava que esse número se baseasse na inflação do período anterior, de inflação altíssima. A questão é que, com um salário desses, um operário da construção civil poderia ganhar o mesmo que um militar de baixa patente e outros funcionários públicos — e isso era inaceitável num país onde o trabalho de um pedreiro era visto como a herança da escravidão.
O fim da história nós sabemos."

Aécio Neves e o Duping Delight . Para psicólogo, expressões faciais de Aécio Neves em debate da Band mostram “desprezo” por adversária

Para psicólogo, expressões faciais de Aécio Neves em debate da Band mostram “desprezo” por adversária

Por Redação - Revista Forum - 19/10/2014 

De acordo com doutor em Psicologia da UnB, a “excessiva quantidade de microexpressões de desprezo transmite uma ideia de narcisismo, de superioridade presumida, o que não agrada ao eleitor comum”

Por Redação
Sergio Senna Pires é doutor em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) e professor do Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Atualmente, é servidor efetivo na Câmara dos Deputados como Consultor Legislativo nas áreas de Defesa Nacional, Segurança Pública e Direitos Humanos.  Além disso, Senna Pires desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas de análise da mentira, linguagem corporal e regulação do comportamento por crenças e valores.
Analisando os debates entre presidenciáveis na disputa eleitoral deste ano, o psicólogo publicou, em sua página profissional, uma análise das expressões faciais do candidato Aécio Neves (PSDB), que tem gerado polêmica por ser considerado “debochado” e “agressivo” em suas colocações. Abaixo, republicamos a análise de Sergio Senna Pires na íntegra:
Aécio Neves e o Duping Delight
Depois do debate do segundo turno na Rede Bandeirantes de Televisão, comecei a notar uma grande movimentação nas redes sociais dando conta do desprezo mostrado pelo candidato à Presidência da República Aécio Neves.
Eu havia identificado diversas expressões de desprezo durante as falas, mas não pensei que fossem causar o impacto que causaram. Hoje, analisaremos essas expressões e explicarei o duping delight.
O que é o duping delight?
O duping delight (não existe uma expressão em Língua Portuguesa) na literatura científica norte-americana é, numa tradução livre, o prazer proveniente do ato de enganar. Penso que é mais adequado entender que é um prazer proveniente do êxito de uma estratégia ou mesmo da antecipação psicológica desse êxito, não necessariamente associado ao ato de enganar.
Vejam:
imagem1
É uma emoção irresistível, inicialmente não consciente também associada ao risco ou à fuga dele. Também aparece nas situações em que há desprezo pelo interlocutor ou pela situação em questão. Outro cenário em que aparece é diante do orgulho soberbo em compartilhar conquistas ou em alguém que busca a admiração pelas suas façanhas. É muito difícil de conter, por isso vale a pena aprender a identificá-la.
Quando uma pessoa sente que seu plano vai dar certo, ela pode mostrar o duping delight. Um exemplo disso é aquele sorrisinho discreto e unilateral que seu algoz no trabalho exibe quando você passa por alguma dificuldade em frente aos colegas. Dessa forma, essa expressão também está associada ao desprezo que alguém sente em relação à outra pessoa…. Veja a figura ao lado e tente lembrar se já viu essa expressão.
Aécio no debate da Band
A quantidade de expressões de desprezo mostradas pelo candidato Aécio Neves durante o debate foi notadamente alta. Sob o ponto de vista comportamental, isso explica o porquê da impressão que as pessoas tiveram. Apesar de não serem técnicos e não conseguirem explicar as suas impressões, o sentimento é que Aécio desprezava Dilma… Esse foi o comentário nas redes sociais. Como expliquei acima, não há uma indicação positiva no uso dessa expressão…. O candidato Aécio Neves só perde com ela.
Vejam as expressões:

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC. Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB.

A mentira do PSDB sobre a inflação no período de FHC

Por João Sicsú - 12/10/2014 - Revista Forum
Fernando Henrique Cardoso tomou posse em 1º de janeiro de 1995. A inflação caiu em julho de 1994, durante o governo de Itamar Franco. A nova moeda, o real, teve início em 1º de julho. Aqui foi o momento de queda da inflação. Observe a tabela com as taxas de inflação referentes a 1994, em variação %.
● Janeiro: 41,3
● Fevereiro: 40,3
● Março: 42,8
● Abril: 42,7
● Maio: 44
● Junho: 47,5
☆ Julho: 6,8
☆ Agosto: 1,9
☆ Setembro: 1,5
☆ Outubro: 2,6
☆ Novembro: 2,8
☆ Dezembro: 1.71
A MENTIRA
Em janeiro de 1995, quando houve a posse de FHC, a inflação foi mantida em 1,7%. FHC recebeu de Itamar Franco uma inflação moderada e não uma inflação anual superior a 900% como afirma o PSDB. Basta olhar os números da tabela para se ter a certeza que não existem os tais 900%. AQUI ESTÁ A MENTIRA.
A TENTATIVA DE MANIPULAÇÃO
Só é possível encontrar o número sugerido pelo PSDB se somarmos a inflação de janeiro a dezembro de 1994, mas não foi exatamente isto que foi herdado. A herança foi a inflação de julho a dezembro de 1994. Houve uma mudança estrutural durante o ano de 1994. FHC herdou a inflação com o Plano Real já implantado. Não podemos somar laranjas com bananas (não podemos somar a inflação antes e depois do Plano Real). AQUI ESTÁ A MANIPULAÇÃO GROSSEIRA.
OS DEMAIS NÚMEROS SÃO CORRETOS
FHC entregou para Lula uma inflação superior a 12,5% e que estourou a meta limite em 2001 e 2002. Nos governos de Lula e Dilma, a inflação voltou para a meta e aí está desde 2004.
Armínio Fraga é o ex-presidente do Banco Central campeão de juros altos: 45% ao ano. Ele foi presidente do BC durante o 2º governo de FHC, de 1999 a 2002.

Inflação: moderada e sob controle ou alta e descontrolada?
Por João Sicsú 09/10/2014 - Revista Forum

A discussão sobre as causas e efeitos da inflação tem sido muito rebaixada. Usa-se qualquer rótulo para classificar a inflação.  Não há compromisso com os fatos, despreza-se a coerência e faz-se o culto à superficialidade.

Dilma 47 X 43 Aécinico. Agride ela, Machão do Leblon

Agride ela, Machão do Leblon


Tracking DataCaf pouco antes do debate na Record.

Paulo Henrique Amorim


Toda geração tem o seu Collor; o da atual, chama-se Aécio





Diversos ramos da família se reuniram em casa no domingão para um churrasco – a filha que reside no exterior está passando uma temporada no país e, querida pela família de A até Z, todos quiseram reencontrá-la. Juntamos umas 30 pessoas.
E, como não poderia deixar de ser, política foi um tema inevitável e árido, mas que soubemos conduzir com civilidade. Ou seja: ninguém brigou por causa de política, apesar da divisão da parentada entre eleitores de Aécio e Dilma – com vantagem para o tucano, pois trata-se de família paulista.
Revi parentes que não encontrava fazia tempo. Uma cunhada, eleitora de Aécio Neves, mostrou-se animada com seu candidato. Pedi-lhe cuidado. Lembrei-a de 1989, quando divergimos fortemente sobre política.
Lembro-me de que, como agora, em 89 a classe média estava extasiada com o Collor de plantão – toda geração tem um Collor, ou seja, um playboy de vida desregrada, conhecido por uso de álcool ou entorpecentes, bonitão, namorador, que usa a imagem de galã de novela mexicana para convencer incautos a votarem em si.
Seja como for, seis meses após a eleição de Collor era mais fácil encontrar um saco de dinheiro no meio da rua do que alguém que admitisse ter votado nele.
Claro que não são todos os Collor de cada geração que chegam perto de conquistar a Presidência, mas a política produz um ou mais deles a cada geração. Mas quando recebem chance de mostrar a que vieram, dão com os burros n’água.
Bem, a cunhada, após um quarto de século, estava toda animadinha com o Collor da vez quando a lembrei do anterior – quem, pouco após assumir, causou um problema gigantesco para a vida dela.
A irmã da minha mulher pareceu tomar um choque. E não foi para menos. O prejuízo que tomou com o confisco da poupança – o qual Collor, em 89, conseguiu convencer o país de que Lula é quem faria se fosse eleito e, ao fim, quem fez foi o candidato do PRN – causou um monte de desastres à vida dela.
A cunhada ficou lívida com a lembrança, e eu surpreso por ela ter se esquecido.
Vendo a oportunidade, ataquei:
– Lembra-se de que lhe avisei no que daria?
– Ah, mas a gente não tinha opção para votar….
– Tinha, sim: Lula
– Lula era opção?
– Por que não seria?
– Ia transformar o Brasil em Cuba.
– Assim como transformou de 2003 a 2010?
Silêncio…
Minha cunhada balançou. Pareceu interessada em que eu lhe explicasse por que deveria votar na Dilma e por que Aécio Neves não passa de um novo Collor.
O fato é que políticas neoliberais serão nefastas para os negócios da cunhada advogada. E como ela não entende patavina de política, mas por estar metida no mundo corporativo desde jovem sempre foi doutrinada contra o PT, parecia fraquejar a cada palavra que lhe dizia.
As semelhanças evidentes entre Aécio e Collor são muitas: ambos playboys no auge de suas carreiras políticas; ambos usuários de suas caras de galã de novela para seduzir eleitores (as); ambos famosos por uso de substâncias pouco ortodoxas; ambos de direita…
Resumo da ópera: consegui anular alguns votos para Aécio no churrasco familiar. A comparação com Collor foi poderosa. Sabe por que, leitor? Porque, para quem viveu a era colorida, tal comparação faz todo sentido do mundo.
*
PS: Os governos Lula e Dilma tinham o PTB de Collor na base aliada do governo. O PTB, porém, deixou a base de Dilma e aderiu a Aécio nesta campanha eleitoral
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Do Blog da Cidadania

Aécio não representa o ideal da Rede, diz Célio Turino

Articulador da Rede diz que vitória tucana traria o neoliberalismo de volta, "uma lógica oposta à ideia da sustentabilidade"

Turino idealizou os mais de 2.500 pontos de cultura
espelhados pelo País
Idealizador dos mais de 2,5 mil pontos de cultura espalhados pelo País, Célio Turino está com um tom de voz desiludido em meio ao segundo turno da eleição presidencial. A impressão é de que a esperança e energia canalizadas por um projeto foram por água abaixo. Um dos principais articuladores da Rede Sustentabilidade, o partido capitaneado por Marina Silva, mas ainda não oficializado, Turino se juntou a nomes importantes dentro do movimento para marcar uma posição contrária ao apoio dela a Aécio Neves (PSDB).

“A candidatura do Aécio não representa aquilo que estava expresso no nosso desejo de construção da Rede e da própria candidatura da Marina”, explicou Turino em entrevista a CartaCapital. “O ponto principal é que a candidatura do Aécio coloca com muita força o primado das finanças, da lógica do dinheiro sobre lógica da vida, que seria o neoliberalismo, e essa lógica, ao nosso ver, é o oposto à ideia da sustentabilidade, porque quando tudo vira dinheiro, acaba o sentido do bem comum. É o que estamos vendo com a água.”

Decepcionado com os passos tomados por Marina, Turino lembrou que ela, ao entrar no PSB, onde a Rede está abrigada, exigiu o rompimento da aliança com o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM), proposta aceita por Eduardo Campos, então presidente do partido. “E agora, por ironia e também de uma série de fatores conduzindo essa eleição, vão estar juntos”, observou. Para o ex-chefe da Secretaria da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura entre 2004 e 2010, que carrega uma trajetória de 30 anos atuando ao lado de movimentos sociais e culturais, o maior erro de estratégia de Marina deu-se em sua própria campanha. “A campanha acabou absorvendo teses que não são as que os apoiadores de Marina sempre estiveram vinculados”, disse, citando como exemplo o debate em torno da autonomia do Banco Central. “A Marina que tinha de ter aparecido na campanha era a da sustentabilidade, da agenda das mudanças climáticas, dos direitos dos povos indígenas, da reforma agrária, que é o que ela defende”.

Leia a entrevista:

CartaCapital: Em manifesto recente, o senhor e outros integrantes da Rede se mostraram contrários a um tomada de posição dentro da polarização PT x PSDB. O manifesto seria o anúncio de um rompimento com a Marina?

Célio Turino
: Não entendo assim, mas é um posicionamento que vai no sentido oposto, um indicativo muito forte em torno da alternativa do Aécio. E as pessoas que assinaram entenderam que era necessário esse posicionamento, essa distância. Mais ou menos um terço dos membros Elo Nacional da Rede assinou o manifesto. Em São Paulo houve outra consequência que não é exatamente pelo manifesto, mas de 12 pessoas da Executiva do estado de São Paulo, 7 deixaram a Rede.

E o que esse número representa na opinião do senhor?

Essas pessoas, no meu entender, na função de dirigentes estaduais, entenderam que não caberia a elas aplicar uma posição defendendo um rumo do qual não concordavam e ao mesmo não cabia a elas impor sua a posição ao partido. Então acharam que a atitude mais correta seria o afastamento da função de dirigente.

O senhor rompeu com Marina apenas em uma postura contrária ao seu apoio a Aécio ou deixou de apoiá-la de modo geral? Qual é a situação do senhor hoje na Rede?

Acho que a minha e a de todos... Nenhuma decisão se toma no calor do processo. Era necessário um posicionamento claro daqueles que construíram a Rede e fundaram a Rede, que estiveram na campanha da Marina, de que no nosso entendimento a candidatura do Aécio não representa aquilo que estava expresso no nosso desejo de construção da Rede e da própria candidatura da Marina. Por que não representa? Primeiro, o ponto principal é que a candidatura do Aécio coloca com muita força o primado das finanças, da lógica do dinheiro sobre a lógica da vida, que seria o neoliberalismo, e essa ideia tem sido amplamente repudiada no mundo todo, principalmente depois da crise de 2008. E um país com economia importante como o Brasil dar uma meia-volta nesse sentido teria efeito bastante negativo não só no Brasil, mas para o mundo. Os povos do mundo estão mostrando que em primeiro lugar tem de estar a vida e não as finanças. E essa lógica, ao nosso ver, é o oposto à ideia da sustentabilidade. Porque quando tudo vira dinheiro, acaba o sentido do bem comum. É o que estamos vendo com a água. Metade da cidade de São Paulo está sem água há três dias. Campinas e Itu estão fazendo mobilizações. Campinas é abastecida pelo Cantareira. Isso vai criar situação de instabilidade social e até psicológica muito grande, do ponto de vista humano.

A outra é que outro pilar da Rede é o da cultura da paz, e isso é um princípio fundamental. E uma candidatura que está em torno de, praticamente, toda a chamada bancada da bala, defendendo processos de profunda violência contra a população, como se expressa em São Paulo. Nesse estado, a polícia mata anualmente mais gente do que a polícia dos Estados Unidos inteira em números absolutos. E aí, então, isso tudo se resvala em uma política de muito ódio. E essa questão da maioridade penal não é uma simples lei, ela expressa uma covardia da sociedade em não enfrentar as questões fundamentais para termos sociedades mais pacíficas, de convivência mais solidária e mais harmônica. Ela joga no efeito e não na causa do problema, só gerando mais ódio. Isso se resvala em uma campanha de muito ódio que está se gerando no Brasil e que vai trazer uma fissura muito profunda nas relações, até nas eleições, independentemente de quem ganhe. Se a Rede e Marina persistissem mais na construção de uma terceira via, isso seria importante até como reserva moral para o processo de reconciliação no País, que está indo para um grau de agravamento, com amigos perdendo a amizade, conflitos dentro de famílias. Uma ideia que está fomentando muito ódio político, de convivência. A ideia da lei da maioridade penal é um reflexo disso também. Então, nós achamos que deveríamos nos posicionar num outro sentido. Porque o aceite do Aécio em relação aos pontos apresentados por Marina não tem correspondência no conjunto de alianças feitas, de apoios. É muito mais no discurso que na prática.

Marina, quando entrou no PSB, exigiu rompimento de aliança com o Ronaldo Caiado (DEM), que Eduardo Campos tinha feito. E Campos rompeu essa aliança, a pedido dela. E agora, por ironia e também porque houve uma série de fatores conduzindo essa eleição, vão estar juntos. Caiado representa algo que há 30 anos vem sendo combatido por muitas das pessoas que vêm construindo a Rede: a repressão aos trabalhadores rurais, aos sem-terra, situações de conflito com povos indígenas, muito acirradas agora, a questão do próprio conceito de trabalho escravo. Hoje o moderno conceito de trabalho escravo entende que trabalho degradante e extenuante está dentro disso. Houve toda uma batalha de dez anos para conseguir aprovar a lei do trabalho escravo. E várias das forças que estão em torno da candidatura do Aécio vão no sentido de reverter e atrasar ainda mais isso.

Esse ódio viria como consequência da polarização política?

Eu, como historiador, vou escrever um artigo sobre isso mais adiante. Porém, tenho observado ódio nas relações políticas e sociais, em um processo de profunda intolerância, que está se resvalando agora na disputa. Às vezes amigos e familiares rompendo relações por causa da disputa eleitoral e na relação da sociedade. E ela se expressa muito bem nessa alternativa, que ao meu ver é bastante covarde, que é em torno da lei da maioridade penal, porque ela joga a responsabilidade de um processo de violência em que não é o responsável, no máximo sendo o reflexo disso. O responsável é exatamente uma polícia ineficiente, relações de corrupção na polícia. São Paulo está vivendo uma epidemia de violência nos últimos tempos. Minas Gerais teve elevação dos índices de violência em 50%. Aliás, esse foi um dos principais fatores pelos quais os mineiros não votaram em Aécio. E isso não tem relação com maioridade penal. É uma demagogia, e uma demagogia que exacerba o ódio.

Como o senhor, que acompanhou a Marina nessa construção da Rede, nessa articulação toda, convivendo com ela, vê a Rede e Marina diante dessa escolha em apoiar o Aécio, que é símbolo desse projeto neoliberal e não necessariamente compromissado com alguns avanços sociais que a sociedade brasileira vem exigindo?

Por exemplo, o futuro ministro da Fazenda do Aécio, o Arminio Fraga, já disse que o salário mínimo é elevado. Não há como concordar que o salário mínimo seja elevado. Talvez o almoço e o jantar dele sejam. Ele deva gastar mais que um salário mínimo nisso. Mas não é elevado o salário mínimo dos aposentados, dos trabalhadores. De todo modo, prefiro esperar terminar o processo todo para fazer uma avaliação mais precisa a esse respeito. Vamos ver como segue adiante. É melhor aguardar o desfecho. Daqui a dez dias isso estará encerrado. Isso, de certa forma. A depender do resultado, que tende a ser acirrado, o grau de fissura na sociedade será muito grande. O ano de 2015 vai ser um ano muito difícil para o Brasil.

Na opinião do senhor, Marina apoiou Aécio para não apoiar Dilma? Diante dos dois projetos apresentados, o do PT, que ainda fica muito aquém do exigido pelos movimentos sociais e grupos de direitos humanos, ainda parece carregar mais pontos em comum com as posições de Marina ao longo de sua trajetória de militância?

Há alguns fatores: de fato, o governo tem tido postura bastante conservadora na agenda ambiental, com povos indígenas. Em alguns casos, até mesmo uma agenda de retrocesso, como reforma agrária, cultura. Até 2010 eu estava no governo como secretário da Cidadania Cultural no Ministério da Cultura, lancei os pontos de cultura, implantamos todos. É inegável, então, o retrocesso nessa área. E também caberia ao governo Dilma repensar essas opções. Como não houve isso, então, dificultou o apoio da Marina. Outro aspecto é que o PT errou na mão nos ataques. A Marina é uma pessoa progressista, do campo popular, ela tem uma história de vida. Dizem que na campanha foi mais uma decisão do marqueteiro, mas o fato é de que houve uma desconstrução moral. E isso, praticamente, implodiu pontes.

Mas a gente tem de pensar no processo histórico, independentemente das forças colocadas. Pelo menos do meu ponto de vista, que tem muitas críticas ao governo Dilma, esse quadro de vitória de uma tese neoliberal para uma economia forte como a do Brasil vai ter um efeito muito ruim para o País e para o mundo. Nos últimos anos fiquei boa parte viajando pela América Latina. E sei do efeito negativo que isso pode ter, não só para o Brasil.

Marina mudou? Como o senhor compararia a Marina que disputou o primeiro turno de 2014 com a Marina que concorria em 2010?

Não saberia dizer, mas seguramente a campanha dela não expressou a campanha de 2010. A campanha acabou sendo marcada por erros, atropelos, o acidente do Eduardo, uma série de questões. A campanha acabou absorvendo teses que não são às que os apoiadores de Marina sempre estiveram vinculados. A Marina que tinha de ter aparecido mais na campanha era a da sustentabilidade, da agenda das mudanças climáticas, dos direitos dos povos indígenas, da reforma agrária, que é o que ela defende. Mas acho que ela ficou muito mais na defensiva, na defesa de teses econômicas, que nem tinham muita relação com a história de vida e com a pauta que ela sempre defendeu. Isso, ao meu ver, atrapalhou muito a própria candidatura dela. Eu diria até que foi o principal motivo por ela ter perdido um conjunto de votos. Pode ver os programas de tevê. Praticamente nenhum falou dessa agenda da sustentabilidade. Havia pouco tempo de tevê, houve muito ataque do PT, e ela tinha de se defender. Mas acho que o eleitorado tinha uma expectativa de ouvir mais essa pauta de avanço.

CC: A pauta econômica, como a decisão de colocar o debate em torno da autonomia do Banco Central na campanha, descaracterizou um pouco aquilo que o eleitorado marineiro estava esperando?

CT
: Claro que como presidente ela não poderia ser a presidente da pauta ambiental, cultura, indígena, da agricultura familiar. Mas essa pauta acabou ganhando dimensão tamanha que acabou abafando a Marina de 2010. E isso frustrou um conjunto de pessoas. Tanto que pesquisas mostram que naturalmente uma maioria do eleitor da Marina está indo para a candidatura Aécio, mas isso ocorre porque o eleitor progressista foi saindo antes. Antes do primeiro turno, o eleitor progressista que estava com a Marina foi se distanciando. Aí houve uma mudança de perfil no eleitorado.

CC: O senhor apontaria outras "incoerências" nas últimas escolhas ou mesmo no discurso de campanha de Marina?

CT
: Essa foi a principal. Mesmo em relação àquela errata LGBT foi pura maldade, porque a errata do programa é, inclusive, muito mais avançada do que a maioria dos programas dos demais candidatos. Mas em política e história o que fica é a versão, mais do que o fato. E a versão foi negativa. Foi um erro de condução, muito mais que de postura. O problema é que após aquele erro, houve essa agenda econômica muito forte, contraditória com a trajetória dela, e aí foi acontecendo uma sucessão de problemas que deram no resultado que tinha de dar mesmo.

CC: O que é a Rede hoje e qual o futuro dela?

CT
: Vai depender muito do resultado dessa eleição e do rumo das coisas. A Rede é uma necessidade, um partido em rede, que construa outra cultura política, uma necessidade do nosso tempo. Tanto que vários países têm estruturado alternativa assim. Na Itália, o Cinco Estrelas, na Espanha, o Podemos, na Índia, o Partido do Homem Comum. Há vários movimentos que vão na construção de uma nova política. A rede se inseriu nisso, até antecedendo os movimentos de junho que houve no Brasil. Porém, a depender da inflexão e se ela entrar nesse quadro das velhas alianças e acordos, ela pode se frustrar, pode até não conseguir ser essa alternativa. Mas daí entendo que alguma outra opção vai nascer, porque se trata de uma necessidade desse tempo.

CC: Se não for a Rede, haverá outra opção nesse sentido?

CT
: Seguramente. Há uma demanda por algo diferenciado, há um pensamento progressista muito forte na sociedade brasileira que não se sente contemplado pelos atuais partidos de esquerda. Há uma busca de ativismo maior, construção de outros mecanismos de democracia direta que envolvem atos revogatórios, inclusive, como suspensão de mandato. Isso tem no mundo inteiro, até nos Estados Unidos tem. Aqui a gente está muito atrasado em mecanismos de participação democrática. Então vai ter que construir. Às vezes, quando as pessoas falam de reforma política associam muito só à questão eleitoral, que é importante acabar com abuso do poder econômico nas eleições e uma série de outros mecanismos, mas a reforma política vai além disso, envolve uma série de outros mecanismos, inclusive de consulta mais constante, direta e permanente.

CC: O senhor acredita na possibilidade de a Marina entrar no governo Aécio se ele for eleito?

CT
: Não saberia dizer.

CC: Há quem diga que o senhor vinha sendo cotado para ser ministro da Cultura em um possível governo Marina. A ideia o agrada?

CT
: Estou sabendo por você. Eu me dediquei, de fato. Quando eu percebi que essa agenda econômica estava um pouco fora do que a gente tinha construído e pensado desde o início da Rede, a minha contribuição na campanha da Marina foi concentrada naquilo que tenho conhecimento maior. Então, é investir na construção do programa da cultura, nos encontros da cultura. Tivemos 600 pessoas contribuindo com programa de cultura, e nessa área, de fato, a Marina teve um diferencial, de agregar apoio. De fato, investi nisso, mas não tinha nenhuma pretensão específica não. E esse tipo de questão, de ocupar cargo, não foi trazido em nenhum momento.

CC: Muitos membros da Rede insatisfeitos com a situação colocada na mesa recomendam votar nulo. No dia 26 de outubro, que opção o senhor fará?

CT
: Estou avaliando. Eu tenho tido uma postura de muita convicção de que a candidatura do Aécio representa um profundo retrocesso. Nesse momento, no entanto, não consegui fazer uma decisão. Pode ser que perto da urna eu tenha uma postura mais explícita em outro sentido. A alternativa que mais contemplaria, não a Rede, mas a possibilidade de um Brasil ter um agregador para depois das eleições, seria, sim, a neutralidade. Não é ficar em cima do muro, mas entender pouco o quadro atual.


Roberto Amaral fala de seu apoio a Dilma

Qualquer semelhança será mera coincidência?


Fernando Brito, Tijolaço  

O senador Aécio depois reclama das comparações.

Não é compará-lo a Collor, mas comparar a agressividade das duas campanhas presidenciais.

Tudo na campanha de Aécio – e em boa parte de seus eleitores mais radicais – é agressividade.

O “abaixe este dedo” de Luciana Genro foi, talvez, a primeira vez que todos tenham percebido.

Depois foi um festival de “leviana”, “mentirosa”, “mente” sobre Dilma.

Criticar seu nepotismo, suas obras insustentáveis, a destinação de verbas de seu governo para suas emissoras de rádio, isso são “agressões”.

Recordar seus hábitos pessoais, notórios, é “baixaria”

Agora, acusações de corrupção a Dilma, todos os dias, contando com todos os jornais nessa empreitada, são “civismo”.

O senhor diz que agora quer discutir propostas,
Muito bem.

Mas abaixe o dedo.

Porque vou lhe contar uma brincadeira que ouvi no Carnaval.

Me perguntaram porque americano samba de dedinho levantado.
Sabe por que?

Para que não lhes olhem os pés."

Aécio gastou mais verba do Senado para ir ao Rio do que a Minas



Em 2010, o hoje candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves, elegeu-se senador por Minas Gerais. Como todo parlamentar do Congresso Nacional, teve que se mudar para Brasília e, assim, adquiriu o direito a cota de passagens aéreas pagas pelos cofres públicos para se locomover entre o Estado pelo qual se elegeu e a capital do país.
Desde sua eleição como senador, porém, o que vem sendo constatado é que o tucano tem dado menos atenção ao Estado que o elegeu do que a Estado que frequenta com fins puramente recreativos, para frequentar “baladas” durante as quais até tropeçou em blitz de trânsito da Polícia.
No início do ano passado, por exemplo, o jornal O Estado de São Paulo descobriu que os brasileiros pagam pelas incursões recreativas do senador mineiro no Rio. Matéria de 24 de março de 2013 diz que “Capital fluminense foi o destino de 63% das viagens de Aécio pagas pelo Senado nos dois primeiros anos de seu mandato.

Graças ao Portal da Transparência do Senado Federal, agora foi possível confirmar que no terceiro ano de seu mandato como Senador o tucano continua gastando o dinheiro dos contribuintes com turismo. Dos R$ 77 mil gastos por Aécio em passagens entre 2011 e 2013, mais de R$ 50 mil foram com passagens para o Rio, o equivalente a mais de 67% do total utilizado pelo candidato tucano à Presidência.
Cidade em que passou parte da juventude e onde cursou o ensino superior, Aécio é figura carimbada nos eventos sociais. Entre 2011 e 2013, das 116 viagens oficiais realizadas pelo senador, 69 tiveram origem ou destino à capital fluminense, em especial para o aeroporto Santos Dumont.
Em uma dessas ocasiões, em 2011, o senador foi parado e multado em uma blitz no Leblon, zona sul do Rio, por estar com a carteira de habilitação vencida e se recusar a fazer o teste do bafômetro, exigido pela Lei Seca.
São Paulo foi a segunda capital eleita por Aécio como destino preferencial. De 2011 a 2013, foram 45 visitas ao estado. Nesse caso, o valor reembolsado com o VTA foi superior a R$ 34 mil.
Já a capital do Estado que elegeu o tucano, Belo Horizonte, para a qual ele dedica oficialmente o mandato, foi origem ou destino dele apenas 27 vezes em três anos. Dos R$ 77 mil de passagens, o senador gastou R$ 12.535,48 em viagens para Minas.
Ainda segundo prestação de contas de 2013, Aécio superou, inclusive, senadores do Rio de Janeiro. Em comparação com o senador pelo PT fluminense Lindbergh Faria, por exemplo, o tucano utilizou cinco passagens para visitar o Rio contra uma do petista.
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Do Blog da Cidadania. 

DataCaf: Dilma 45 x 42 Aécioporto

As mulheres estão com medo do Machão do Leblon


O Lula é quem sabe dele: o Lula queria ver se ele ia ser assim, violento, se o adversário fosse um homem. Quiquem aqui ou Leiam abaixo.



Lula: queria ver ele falar assim se o adversário fosse homem

“Não passa de um filhinho de Papai”

Em ato pela reeleição de Dilma Rousseff, o Presidente Lula criticou a postura adotada por Aécio Neves (PSDB) nos confrontos diretos com a petista. Para ele, o tucano “falta com respeito.”

Eu disputei muitas eleições nesse país e nunca vi um cidadão faltar com o respeito como ele faltou com Dilma. Nunca fiz isso com o antropólogo (Fernando Henrique Cardoso). Pegue uma palavra minha chamando alguém de mentiroso, de leviano”, discursou neste sábado (18) em Belo Horizonte (MG).

E completou: "O comportamento dele (Aécio) não é de um candidato, é de um filhinho de papai. Eu queria ouvir ele falar assim se o outro candidato fosse um homem

Ainda em relação ao candidato adversário, Lula lembrou a eleição de 1989, quando foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor. “Esse país às vezes comete equívoco. Em 1989, com medo de mim, instigados pela imprensa, esse país elegeu o Collor. O povo poderia não ter me escolhido porque eu era muito radical na época, mas o Ulysses Guimaraes tinha história. Agora o que a gente tá vendo? É o mesmo comportamento que tiveram lá”, disse.

Ao defender o combate à corrupção nos governos petistas,  o Presidente voltou a comparar as gestões do seu partido com as do PSDB. “A única coisa que a direita sabe fazer é perguntar para os outros sobre corrupção, escondendo seu rabo. Nenhum governo abriu mais a possibilidade de investigação, que o meu governo e de Dilma. A verdade é que a diferença entre a Dilma e eles, é que Dilma tirou o tapete da sala e não empurra nada pra debaixo dele”, comentou ao lado do recém eleito governador Fernando Pimentel (PT).

A pouco mais de uma semana para o segundo turno, Lula comentou a posição ideológica da revista The Economist, que sugeriu voto em Aécio Neves. “Eu li a The Economist e eles tão pedindo para o povo votar no adversário da Dilma. Essa revista defende os bancos, viu?”, alertou para prosseguir: “Qual resposta a gente tem que dar para a The Economist e para o Mercado Financeiro? Elegendo Dilma. Qdo a Europa inteira demitiu 100 milhões de pessoas, Dilma criou 5,5 milhões. Eles (Mercado) queriam que a Dilma joga-se a crise no colo dos trabalhadores, mas Dilma não aceitou fazer isso”.

Não vai ser uma revista estrangeira que dirá em quem temos que votar. Não somos gado, sabemos em quem devemos votar”, encerrou.

Alisson Matos, editor do Conversa Afiada


Leia mais:

DILMA NA CARTA: 98% DA MÍDIA APOSTAM CONTRA O BRASIL


FOI ASSIM QUE AÉCIO LEVANTOU R$ 166 MILHÕES PARA 2012-2014?

No CONVERSA AFIADA.