quarta-feira, 23 de julho de 2014

Getúlio, Lula, as eleições e o Estadão

Fernão e os demônios
A boa notícia, para Fernão Lara Mesquita, um dos herdeiros do Estadão, é que nunca um artigo seu repercutiu tanto na internet.

A má é que a repercussão se deu na forma de gargalhadas.

Fernão é, neste momento, uma piada digital.

Merecidamente.

Num texto pomposo e pretensamente profundo, Fernão atribuiu todos os problemas do Brasil a Getúlio Vargas.

Getúlio se matou e entrou para a história em 1954, mas segundo Fernão ele reencarnou em Lula.

Num universo distópico, há um foco de resistência aos dois demônios: São Paulo.

São Paulo, diz Fernão, resistiu primeiro a Getúlio, na fracassada rebelião de 1932. E, mais recentemente, vem resistindo ao PT.

Um capítulo importante dessa saga paulista contra o mal se dará, avisa Fernão, nas eleições de outubro.

Bem, já foi dito que editores ruins fazem mais mal aos jornais que a internet. Antes que a internet varresse a mídia impressa, o Estadão já fora vítima disso, dos maus editores.

Mais especificamente, maus donos, uma vez que os Mesquitas sempre se puseram na condição de jornalistas.

Nos anos 1980, a Folha passou o Estadão muito mais pelos defeitos deste do que por seus próprios méritos.

O Estadão não enxergou a importância do movimento das Diretas Já, e sofreu uma humilhante ultrapassagem sem retorno.

Compare as contribuições de Getúlio e dos Mesquitas, para voltarmos a Fernão.

Getúlio deu o voto para as mulheres. Eliminou o voto de cabresto. Criou leis trabalhistas que civilizaram o ambiente do trabalho no Brasil: limite de jornada, férias, fundo de garantia foram algumas das conquistas.

Estimulou a formação de sindicatos, para que os trabalhadores não ficassem à mercê das empresas. Industrializou o Brasil. Criou a Petrobras.

Também de extrema importância, Getúlio derrotou os paulistas em 1932.

Se São Paulo tivesse vencido, o Brasil retrocederia aos tempos brutalmente arcaicos da República Velha.

Getúlio, numa frase, inaugurou o Brasil moderno.

Mais?

Por coisas assim, os barões da mídia jamais perdoaram Getúlio. Há uma passagem significativa em sua história, contada por seu biógrafo, Lira Neto.

Deposto pela direita em 1945, Getúlio foi se recuperar do desgaste em seu berço, no sul. Recebeu, um dia, jornalistas.

Perguntou a um deles o que achava de um decreto do governo que estimulava um piso para o trabalho dos jornalistas.

O jornalista teceu grandes elogios à medida.

Getúlio então disse que fora exatamente por causa do piso para os jornalistas que os barões da imprensa se bateram tanto para derrubá-lo.

Olhemos agora para o outro lado: as contribuições do Estadão.

A passagem mais marcante dos Mesquitas, na história recente, foi a participação ativa na conspiração que levou à ditadura militar.

Mas, para Fernão, o mal está em Getúlio Vargas, agora reencarnado em Lula.

Para o Estadão, portanto, a luta continua.

Enquanto essa luta épica, sem fim e sem sentido consome a energia do jornal e de seus donos, outras coisas acontecem sem serem notadas.

A passagem do tempo, por exemplo. A mudança de mentalidade das pessoas.

E, nos últimos anos, a internet.

Se você se absorve completamente numa guerra, não consegue administrar outros problemas. Pior: não os vê.

O Estadão está condenado a morrer lutando, ontem, hoje, sempre, contra um fantasma, o de GV — sem enxergar a realidade que vai liquidá-lo.

Paulo Nogueira
No DCM


VOO PSDB-171 DA AERONEVEX SOME DO RADAR DO PIG

JORNALÕES MUDAM DE ASSUNTO SEM QUE AÉCIO NEVES TENHA EXPLICADO NADA
ASSIM SE COMPORTA UMA IMPRENSA PARTIDARIZADA

Não se encontra em nenhum dos jornalões ONLINE mais uma linha sobre o AEROPORTO DE CLAUDIO - MG - Caso gravíssimo que envolve o senador tucano e candidato à presidência da República AÉCIO NEVES

ARIANO SUASSUNA - ESCRITOR MORREU HOJE AOS 87 ANOS


Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna

Morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos, o escritor Ariano Suassuna. Ele estava internado no Real Hospital Português, no Recife desde o último dia 21.

Suassuna passou mal em casa, na noite de segunda-feira (21), e foi levado ao hospital por volta das 20h, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) do tipo hemorrágico. 

Às 23h, terminou a cirurgia de emergência para a colocação de dois drenos, com o objetivo de controlar a pressão intracraniana provocada pelo AVC. Desde então, o escritor estava internado na UTI Neurológica.

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Do 007BONDeblog.

Ibope repete Datafolha, mas desmonta “empate no 2° turno”. Preparando-se para o pouso?


23 de julho de 2014 | 10:54 Autor: Fernando Britoibopeglobo
Escrevi, há uma semana, que a pesquisa Datafolha registrava um quadro eleitoral sem mudanças, exceto em uma: o acenar com possível empate em segundo turno, que se construiria com uma inacreditável transferência dos votos de todos os candidatos (de esquerda, de direita e até de nenhuma identidade) para Aécio Neves.
A espequisa Ibope divulgada ontem repete, basicamente, os mesmo números de 1° turno – Dilma teria 38%, Aécio 22% e Eduardo Campos, 8% – mas uma diferença muito mais expressiva (e natural) no segundo turno, dando 41% a Dilma e 33% a Aécio.
O resultado, que segundo dizem não assegura a vitória da Presidenta no 1° turno  - a soma de todos os demais candidatos daria 37%, um a menos que os 38% de Dilma – , mostra, ao contrário, que existe uma estabilidade que leva o início da campanha de televisão e rádio, onde a candidata petista tem incrivel vantagem, tanto em tempo quanto em realizações a mostrar –  para um terreno onde a decisão sem novas eleições não é só possível como, ao menos até agora, provável.
Ainda mais agora, quando a candidatura Aécio vai ter de passar da ofensiva à defensiva, a partir do aeroporto construído e sem outro uso senão o de servir de acesso à sua fazenda.
(Veja nos próximos posts como, pior ainda, os sinais de superfaturamento da obra são incontestáveis)
A batalha eleitoral está na mídia, como sempre esteve. Mas existem indicações que a “unanimidade” pró-Aécio do conservadorismo possa estar sendo quebrada por sua estagnação nas pesquisas.
Um análise, bem humorada, do meu amigo Hayle Gadelha, veterano em eleições e análises de pesquisa e mídia, publicada em seu blog, mostra que andam se apertando os cintos nos vôos tucanos.

Ibope 2014: acho que o Globo quer ajudar os tucanos na decolagem

IBOPE - GLOBO X GLOBO 
Em 2010, no Ibope de julho, Dilma tinha 39%, Serra 34%, Marina 7% e os outros 1%.
Dilma, portanto, tinha 39 contra 42 da soma dos outros. Ou seja, não vencia no 1º turno.
Mas vencia no 2º turno por 46 a 40 de Serra.
Qual seria a manchete natural? “Dilma lidera e hoje venceria 2º turno”, certo? Errado.
Essa manchete voou no tempo e veio pousar na primeira página do Globo de hoje.
Você vai pensar que os números das pesquisas ocuparam os mesmos assentos em 2010 e 2014, mas perdeu o voo mais uma vez.
O Ibope divulgado ontem aponta Dilma com 38, Aécio com 22, Campos com 8 e todos os outros com 7.
Ou seja, Dilma vence no 1º turno de 38 a 37.
Essa poderia ser a manchete natural, mas parece que caiu no vácuo.
O que será que explica essa acrobacia aérea?
Na minha opinião, o Globo ficou com peninha dos tucanos e resolveu dar um empurrãozinho para ver se pega no tranco.
Um pouco de gás, digamos assim.
A oposição precisa acreditar que o seu plano de voo para vencer esta eleição não tem nuvens pesadas pela frente. Mas está difícil encontrar o tão sonhado céu de brigadeiro.
Talvez seja melhor tratar de pedir logo permissão para aterrissagem no aeroporto de Cláudio, MG… e boa viagem!

Do Blog TIJOLAÇO.

Há qualquer coisa no ar, além dos aviões de carreira



Google Earth: Aécio é um fanfarrão

Wellington, de quem é aquele aviãozinho ali?

O Conversa Afiada reproduz contribuição de amigo navegante que passeia pelo Google:

Aécio MENTE:

Nota do candidato do PSDB:

“Não se trata também de construção de um novo aeroporto, mas de melhorias realizadas em pista de pouso que existia há mais de 20 anos no local, realizadas por meio do ProAero, programa criado no governo Aécio Neves e que garantiu investimentos em inúmeros aeroportos do Estado.”

“A escolha da área se deu por critérios técnicos, não tendo interferido na decisão o fato do proprietário à época ser ou não ser parente do então governador. Já havia no terreno em questão uma pista de pouso construída há 20 anos, o que tornaria a obra muito mais barata. Prevaleceu exclusivamente o interesse público.”


1) Aeroporto de Cláudio (pista paralela à rodovia), 31/10/2007:



2) Aeroporto em obras de terraplenagem, 14/03/2010:


3) Aeroporto com a pista em nova posição, 15/06/2013:




Por que a ANAC tem de investigar o caso:

Avião estacionado na pista clandestina de Cláudio. De quem será?



Senador, Cláudio não é polo siderúrgico

Divinópolis tem um aeroporto tão bom, Senador … Pra que o de Cláudio?

Aécioporto desmascara discurso tucano
Um aparte, senador? Até agora sem nota formal do governo mineiro e sem pronunciamento oficial da assessoria do senador Aécio Neves, nos valemos para aparteá-lo sobre uma nota de sua campanha eleitoral divulgada em seu perfil no facebook.
O bloco parlamentar Minas Sem Censura, exercendo suas prerrogativas fiscalizatórias, vem — de público — cobrar de sua excelência explicações cabais sobre o caso.
Em texto confuso, carregado de generalidades, imprecisões de dados e feito às pressas, como provam os erros de concordância e regência, sua assessoria ajuda a complicar a situação.
Transcrevemos, para exemplo, um trecho integralmente:
“Cláudio é um próspero município da região centro-oeste de Minas Gerais. A cidade é conhecida por seu grande pólo de fundições e metalúrgica, considerado um dos maiores do Brasil e da América Latina. Destacam-se a produção de móveis em alumínio, peças de ferro fundido e outros. Mais de 100 empresas do setor atuam na cidade. Apenas em 2014, foram formalizados junto ao Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (INDI) novos investimentos da ordem de R$ 1 bilhão no município.”
O município de Cláudio merece nosso respeito. Mas é muito exagero afirmar que seria um polo continental de siderurgia. Qualquer busca básica na internet, via IBGE, mostrará anuários econômicos, publicações e informações em que não confirmam esse diagnóstico apressado da assessoria do senador.
Enfim, a cidade polo da região é Divinópolis, com uma população oito vezes maior, um parque industrial muito superior ao de Cláudio (ainda que não seja de destaque na América Latina) e que tem um aeroporto em condições receber aviões de grande porte. Nada justificaria, portanto, esse investimento.
Além, a Anac alega que não foram enviados todos os documentos para a devida homologação do aeroporto. Esse atraso é funcional ao uso privativo, pelos familiares do senador e por ele próprio, da citada obra pública em terreno sub judice.
Aos leitores, convidamos a visitar Cláudio. Cidade acolhedora, que é conhecida como a “cidade dos apelidos” (dizem que todos os moradores de lá tem algum tipo de apelido) e cujas atividades econômicas se resumem ao que o link abaixo detalha:
Ao senador, sugerimos a revisão do seu texto no facebook.

Superfaturamento: Aécio, como se explica isso ?

Tijolaço entra no Fiat Elba do tucano: oito vezes mais, senador ?
Conversa Afiada - 23/07/2014
O Conversa Afiada reproduz post que os juristas (ler em tempo) do Arrocho Neves não vão conseguir responder:

Aeroporto de Cláudio custou quase oito vezes mais que o padrão de obras iguais em Minas

 

Ao anunciar o “pacote” de obras do qual fazia parte o asfaltamento da pista do Aeroporto de Cláudio, o governo de Minas Gerais anunciou também a pavimentação de estradas no interior do estado, que tinham piso de cascalho, exatamente como o da pista que existia antes na fazenda de seu tio.

Eram 295, 2 km de estradas, a um custo de R$ 96,6 milhões.

Como está detalhadamente registrado aqui na página do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (devidamente salva, para o caso de retirarem-na do ar).

Ou seja, o Governo de Minas pagava R$ 330 mil por quilômetro de asfaltamento, tudo incluído.

Como a pista de Cláudio tem exatamente um quilômetro e, digamos, quatro vezes a largura mínima de um estradinha, o custo de seu revestimento asfáltico – que não pede, pelo pequeno tráfego de aeronaves leves, mais do que o preparo normal de uma estrada destinada ao transito de veículos em geral, inclusive a passagem de caminhões.

E como já existia a pista de cascalho, tal como as estradinhas mineiras tinham, a terraplenagem é miníma e igual para ambas.

Portanto, uma boa base de preço seria algo em torno de R$ 1,3 milhão.

Some aí a colocação de cerca em torno do terreno, a pequena área de estacionamento, os dois postes de iluminação e a casinhota que aparece nas fotos, com muito boa vontade, teríamos mais uns R$ 500 mil, sendo muito, muito generosos.

Até porque a mesma pavimentação no Aecioporto II, na cidadezinha de Montezuma, custou R$ 268 mil, na mesma época, em valores oficiais. Um preço compatível com os praticados pelo DER.

Mesmo com todas as possibilidades de ser generoso com Aécio, a diferença é monstruosa.

A obra de Cláudio, em valores da mesma data em que se contratou estradas àquele preço, custou R$ 13,4 milhões.

Mais de sete vezes mais cara.

Não são números aleatórios, repito, são os valores praticados, na mesma data, pelo DER de Minas, em obras absolutamente semelhantes e que divergem de forma astronômica.

Basta que algum jornal se interesse pela planilha de custo e o escândalo explodirá.

E não haverá parecer jurídico que o segure.


Em tempo:
os juristas do Arrocho Neves são o Big-Ben de Propriá e Carlos Velloso, ex-ministros do Supremo. Superfaturamento de tucano ? Eles não percebem assim …


Clique aqui para ler “Google Earth: Aécio é um fanfarrão”.

Aqui para ler “Lula quer investigar aeroporto do Titio”.

Aqui para ler “PT vai à PGR contra Aeroécio !”.

E aqui para votar na enquete: “Por que a Fel-lha detonou o Aécioporto?”.
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Como pensa a elite brasileira

A elite brasileira é engraçada. Gosta de ser elite, de mostrar que é elite, de viver como elite, mas detesta ser chamada de elite, principalmente quando associada a alguma mazela social. Afinal, mazela social, para a elite, é coisa de pobre.
A elite gosta de criticar e xingar tudo e todos. Chama isso de liberdade de expressão. Mas não gosta de ser criticada. Aí vira perseguição.
Quando a elite esculhamba o país, é porque ela é moderna e quer o melhor para todos nós. Quando alguém esculhamba a elite, é porque quer nos transformar em uma Cuba, ou numa Venezuela, dois países que a elite conhece muito bem, embora não saiba exatamente onde ficam.
Ideia de elite é chamada de opinião. Ideia contra a elite é chamada de ideologia.
A elite usa roupas, carros e relógios caros. Tem jatinho e helicóptero. Tem aeroporto particular, às vezes, pago com dinheiro público - para economizar um pouquinho, pois a vida não anda fácil para ninguém.
A elite gosta de mostrar que tem classe e que os outros são sem classe.
Mas, quando alguém reclama da elite por ser esnobe, preconceituosa e excludente, é acusado de incitar a luta de classes.
Elite mora em bairro chique, limpinho e cheiroso, mas gosta de acusar os outros de quererem dividir o país entre ricos e pobres.
O negócio da elite não é dividir, é multiplicar.
A elite é magnânima. Até dá aulas de como ter classe. Diz que, para ser da elite, tem que pensar como elite.
Tem gente que acredita. Não sabe que o principal atributo da elite é o dinheiro. O resto é detalhe.
A elite reclama dos impostos, mesmo dos que ela não paga. Seu jatinho, seu helicóptero, seu iate e seu jet ski não pagam IPVA, mesmo sendo veículos automotores.
Mas a elite, em homenagem aos mais pobres e à classe média, que pagam muito mais imposto do que ela, mantém um grande painel luminoso, o impostômetro, em várias cidades do país.
A elite diz que é contra a corrupção, mas é ela quem financia a campanha do corrupto.
Quando dá problema, finge que não tem nada a ver com a coisa e reclama que "ninguém" vai para a cadeia. "Ninguém" é o apelido que a elite usa para designar o pessoal que lota as cadeias.
A elite não gosta do Bolsa Família, pois não é feita pela Louis Vuitton.
A elite diz que conceder benefícios aos mais pobres não é direito, é esmola, uma coisa que deixa as pessoas preguiçosas, vagabundas.
Como num passe de mágica, quando a elite recebe recursos governamentais ou isenções fiscais, a esmola se transforma em incentivo produtivo para o Brasil crescer.
A elite gosta de levar vantagem em tudo. Chama isso de visão. Quando não é da elite, levar vantagem é Lei de Gérson ou jeitinho.
Pagar salário de servidor público e os custos da escola e do hospital é gasto público. Pagar muito mais em juros altos ao sistema financeiro é "responsabilidade fiscal".
Quando um governo mexe no cálculo do dinheiro que é reservado a pagar juros, é acusado de ser leniente com as contas públicas e de fazer "contabilidade criativa".
Quando o governo da elite, décadas atrás, decidiu fazer contabilidade criativa, gastando menos com educação e saúde do que a Constituição determinava, deram a isso o pomposo nome de "Desvinculação das Receitas da União" - inventaram até uma sigla (DRU), para ficar mais nebuloso e mais chique.
A elite bebe água mineral Perrier. Os sem classe se viram bebendo água do volume morto do Cantareira.
A elite gosta de passear e do direito de ir e vir, mas acha que rolezinho no seu shopping particular é problema grave de segurança pública.
A elite comprou o livro de um francês, um tal Piketty, intitulado "O Capital no Século 21". Não gostou. Achou que era só sobre dinheiro, até descobrir que o principal assunto era a desigualdade.
A pior parte do livro é aquela que mostra que as 85 pessoas mais ricas do mundo controlam uma riqueza equivalente à da metade da população mundial. Ou seja, 85 bacanas têm o dinheiro que 3,5 bilhões de pessoas precisariam desembolsar para conseguir juntar.
A elite não gostou da brincadeira de que essas 85 pessoas mais ricas do mundo caberiam em um daqueles ônibus londrinos de dois andares.
Discordou peremptoriamente e por uma razão muito simples: elite não anda de ônibus, nem se for no andar de cima.
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A teimosia reacionária do Estadão

Por Altamiro Borges
Em editorial nesta segunda-feira (21), intitulado “Teimosia inconstitucional”, o jornal Estadão voltou a demonizar o projeto da presidenta Dilma Rousseff (número 8.243) que institui a Política Nacional de Participação Social. Além de festejar a manobra da Câmara Federal, que inventou um decreto legislativo para sabotar a PNPS, o jornal critica o governo por insistir na ideia da ampliação dos mecanismos de democracia participativa no país, inclusive com a criação de um Fundo Financeiro de Participação Social. Para o jornalão, esta iniciativa é inconstitucional e “pretende criar, por decreto, novas despesas para financiar os conselhos populares” – numa nova investida “bolivariana” contra a democracia brasileira.
“Mais uma vez fica explícito o desejo do Executivo de controlar os movimentos sociais. Ele criou por decreto o sistema de participação social. Ele instituiu por decreto a política de participação social... E agora quer por decreto financiar os movimentos sociais. É o itinerário da domesticação dos movimentos sociais, cujo ponto final é o aparelhamento do Estado. Cada vez se torna mais evidente que o lulopetismo pretende criar canais paralelos de poder, não legitimados pelas urnas, com o consequente aparelhamento do Estado, para impor a sua vontade sobre os outros Poderes. Não contentes com o sistema representativo, os inquilinos do Palácio do Planalto querem impor, por decreto, uma ‘democracia direta’”.
O Estadão nunca aceitou qualquer tipo de ampliação da participação popular na definição dos rumos políticos do Brasil. Para a decrépita famiglia Mesquita, a elite é quem deve comandar o país, restando ao povo apenas votar de tempos em tempos numa democracia liberal de fachada. Isto explica porque o jornal liderou a frustrada revolução constitucionalista de 1932, que visava derrubar Getúlio Vargas e garantir o retorno ao poder da reacionária oligarquia cafeeira de São Paulo. Explica também porque ele foi um dos mentores do golpe de 1964, que derrubou o “populista” João Goulart, eleito democraticamente pelo povo. Até hoje, o Estadão justifica a sua trajetória golpista sem qualquer autocrítica.
Em editorial publicado em 31 de março, por ocasião dos 50 anos do golpe militar, o jornalão deixou explícito que não tolera qualquer ampliação da democracia no país. Na sua ótica reacionária, João Goulart cometeu um crime imperdoável. “Mobilizou sindicatos e lideranças radicais para impor as chamadas reformas de base ‘na lei ou na marra’. Reformas de cunho socialista, embora ele não tivesse mandato popular para isso, pois foi eleito vice - e não em sua chapa, como então permitia a lei eleitoral - de um presidente nitidamente conservador. Nem para sua tentativa de dar papel preponderante aos sindicatos na condução do País, no que foi chamado de república sindicalista”.
Diante desta ameaça comunista – hoje seria “bolivariana” –, o Estadão justifica o golpe e até elogia o trabalho “bem-sucedido” dos militares. Só lamenta que depois o regime tenha se “desviado de seu rumo”. A famiglia Mesquita sonhava em eleger o udenista Carlos Lacerda para presidente da República, mas os generais bloquearam este projeto de um setor da burguesia e se perpetuaram no poder. Esta breve história explica porque o Estadão destila tanto ódio contra o projeto da presidenta Dilma da Política Nacional de Democracia Social (PNDS). O jornal padece de uma “teimosia reacionária”, ele sempre foi golpista e nunca tolerou a ampliação da participação popular!
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Ibope confirma vantagem de Dilma e mostra dificuldade para oposição crescer

A pergunta de 2014

Por Paulo Moreira Leite

Os números do Ibope divulgados ontem mostram que Dilma Rousseff e Aécio Neves permanecem no mesmo patamar anterior a Copa, em 7 de junho: 38% e 22% das intenções de voto, respectivamente.
Quem caiu foi Eduardo Campos, rebaixado de 13% para 8%.
 A maioria dos analistas apressou-se em dizer que estes números mostram que a Copa das Copas não trouxe benefícios para Dilma. É uma tentativa de transformar uma derrota em vitória. 
Explico. O que a oposição pretendia – e as bolas de Cristal da mídia sobre a Copa refletiam isso – era para arrancar eleitores do governo. Apostando numa profecia que se revelou um fiasco histórico, achava inevitável que Dilma saísse da Copa menor do que entrou.
Mas Dilma permanece do mesmo tamanho e os adversários não cresceram. O terceiro colocado até diminuiu. Quem você acha que ganhou?
Quem tem tamanho para jogar na defesa, sabendo que irá ganhar se impedir ataques adversários. Este é o retrato político que o Ibope desenhou. Não é uma surpresa. 
O sociólogo Antônio Lavareda, insuspeito de simpatias petistas, criou o Índice Band, que trabalha com votos válidos, universo que exclui nulos e brancos, de quem já resolveu em quem irá votar em 5 de outubro. O resultado é o seguinte:
50% para Dilma
27% para Aécio
11% para Eduardo Campos
4% para o pastor Everaldo
E só.
Isso quer dizer que se as eleições fossem hoje, Dilma levava no primeiro turno por 50% a 42% sobre o conjunto dos adversários -- muito além de qualquer margem de erro.
Você pode argumentar que os “votos válidos” irão aumentar até o dia da eleição – e isso é verdade.  Pode até calcular que nos próximos levantamentos, os adversários de Dilma irão ganhar num ritmo maior do que o dela – é possível, até porque ela já atingiu um bom tamanho, conquistou a metade dos votos de quem já sabe em que vai votar.
 Mas o retrato do momento, a eleição real, está aqui. Lavareda construiu o Índice Band fazendo uma média dos números dos principais institutos de pesquisa. É um índice válido, cada vez mais usado, por exemplo, em eleições norte-americanas. Tem um grau de confiança maior, mas não é infalível, evidentemente. Sua vantagem é que ajuda a evitar que institutos que têm um viés – político, regional, ou qualquer outro – possam contaminar o resultado final.  A desvantagem é que, trabalhando com vários números, de datas diferentes, pode se mostrar mais lento para apontar tendências e mudanças de ultima hora.
O dado importante é que apesar de toda torcida Aécio Neves e Eduardo Campos tem caminhado bem devagar.
Compare com 2010. Em fevereiro daquele ano, quando já não podia ser chamada de poste, Dilma perdia de 28% a 35% para José Serra. 
Mas em 23 de junho de 2010, a data em que o último Ibope foi fechado, Dilma já estava na dianteira, cravou 40% a 35% -- e não parou mais. 
Em julho de 2014, com um mês a menos até a votação, Dilma lidera as pesquisas e nenhum candidato representa como uma ameaça próxima. Aécio segue firme em segundo e Eduardo Campos ainda não chegou ao patamar que Marina Silva exibia em 2010, no mesmo período. Já em abril ela havia atingido 9 pontos.
Essa situação traduz um aspecto importante. A campanha de 2014 está longe de expressar um movimento irresistível contra o governo. Dilma entrou como favorita e segue nesta situação. Em 2010, mesmo em desvantagem numérica para Serra, nenhum observador atento deixaria de apontar a candidata do PT como provável vitoriosa.  
Ainda assim, é razoável avaliar que o condomínio Lula-Dilma enfrenta, em 2014, a mais difícil disputa eleitoral em doze anos.  
A eleição ocorre em ambiente político muito diferente.
Nem a primeira vitória de Lula, em 2002, quando o mercado financeiro ameaçou jogar o país no precipício como forma de terrorismo eleitoral, ocorreu num ambiente tão hostil e difícil.
Em 2002, um executivo do Goldman Sachs, um dos principais bancos de investimento do mundo, chegou a criar o Lulômetro, instrumento que servia para elevar o pânico junto aos eleitores de classe média. George Soros, um dos maiores especuladores do planeta, chegou a dar declarações de espírito colonial intimando o eleitorado brasileiro a votar em José Serra.
Naquela eleição, no entanto, aceitava-se a vitória de Lula como simples evento democrático: é natural que, vez por outra, ocorra uma alternância no poder. Mas era uma visão formal. Não se imaginava que o governo vitorioso em 2002 fosse implementar um conjunto de mudanças em maior profundidade, que permitiram mais duas vitórias consecutivas e a possiblidade de entrar com uma candidatura favorita 12 anos depois.
 Em 2014, o Lulômetro deixou de ser trabalho de uma instituição. A unidade entre a oposição e o grande poder econômico tornou-se explícita e abrangente, o que explica movimentos da Bolsa, que levantam e derrubam - artificialmente - os índices sempre que aparece uma novidade favorável a oposição. Se estivéssemos num ambiente político mais sério, plural, com debates consistentes, essas altas e baixas da Bolsa deveriam prejudicar a oposição. Pois seriam vistos como aquilo que são: prova de que ela faz a alegria dos especuladores, investidores que não geram um posto de trabalho, nem pavimentam o futuro do país, mas promovem um cassino onde a sociedade sempre perde e seus proprietários sempre ganham, como explicou o Premio Nobel Joseph Stiglitz ao falar do colapso de 2008.
São operações de valor 100% especulativo, já que não há a mais remota razão plausível para se imaginar que a vida dos brasileiros – nem das empresas com papéis na Bolsa, a começar pela Petrobrás, bússola dos investimentos no país -- pode ficar melhor em caso de uma vitória dos adversários. Essa turma é contra a Petrobrás antes dela ter sido criada. Seus avôs e bisavôs políticos trabalharam pelo suicídio de Vargas, seu fundador, antes que ela começasse a explorar petróleo para valer no país.  
O lugar de Dilma se explica por um motivo fácil de entender. No retrospecto, em doze anos a vida da maioria da população tornou-se reconhecidamente melhor. Na perspectiva dos próximos quatro anos, não se vê uma proposta dos adversários capaz de proteger as conquistas obtidas, muito menos ampliar o que já foi feito. Depois de fazer uma única afirmação consistente sobre o rumo de seu eventual governo – a aplicar “medidas impopulares” – Aécio Neves preferiu manter-se em conveniente silêncio a respeito de seus planos para o país. 
Mas é este o ponto central da eleição, como explica o professor Fabiano Santos, em coluna recente no Valor Econômico:  
 “Há algo de novo no ar,” diz ele, comparando 2014 com os pleitos anteriores. “Não se percebia, no contexto do segundo mandato de Lula, o quanto havia de potencialmente conflitivo naquele modelo de crescimento, baseado em políticas de inclusão social. A economia crescia, todos ganhavam. O contexto mudou. Agora, perdas terão de ser impostas no curto prazo para que ganhos sejam retomados em bases mais seguras e promissoras no futuro. Quem pagará a conta?” pergunta Fabiano Santos.
Esta é a pergunta. Mesmo com a inflação em torno de 6%, e um crescimento fraco, ainda que real, o governo tem conseguido manter a opção que lhe permitiu chegar até aqui – e é isso que explica os números de Dilma.
Como explicou Ricardo Berzoini em entrevista para Carolina Oms, da revista Dinheiro:
 “O governo busca o centro da meta, mas há duas maneiras de se tratar a meta da inflação. Uma é tratar como objetivo único da economia. Outra é tratar a meta combinada com outros objetivos como emprego, renda dos trabalhadores, crescimento econômico, investimento público e privado. Se o governo pudesse trazer a inflação para 4,5% ao ano, traria, mas temos uma série de pressões inflacionárias. Se você usar a política monetária de maneira demasiada, vai provocar uma recessão. É importante ter um olho na inflação e outro na geração de emprego e renda. A inflação incomoda os trabalhadores. Mas, para o trabalhador, pior do que inflação é desemprego alto e arrocho salarial.”
 O debate é este.

Aeroporto de Aécio, abalou a campanha tucana, diz jornal Estadão

Aécio Neves, voltou a defender nesta terça-feira, 22, a construção, do  aeroporto em terreno de seu tio  no município de Cláudio, no interior do Estado, quando ele era governador

A campanha tucana convocou a imprensa, mas Aécio se recusou a responder a perguntas feitas pelos jornalistas que estavam no comitê central, em São Paulo. O candidato fez apenas uma declaração sobre a legalidade da obra, sem dizer se fez ou não uso do aeroporto, que fica a 6 quilômetros da fazenda de sua família.

Reportagem publicada no domingo pelo jornal Folha de S.Paulo revelou que o governo mineiro gastou quase R$ 14 milhões na construção do aeroporto de pequeno porte na área que pertenceu ao tio-avô de Aécio, Múcio Guimarães Tolentino, ex-prefeito de Cláudio. Conforme a reportagem, um dos filhos de Múcio, Fernando Tolentino, disse que o próprio Aécio, seu primo, usa a pista sempre que visita a cidade.

No rápido pronunciamento, Aécio acusou o PT de estar por trás da divulgação do caso.

Abalo.

O caso do aeroporto abalou a campanha tucana. Aécio cancelou sua agenda nesta terça e passou o dia em Belo Horizonte articulando sua defesa.  Embora digam oficialmente que não há crise na campanha, aliados do senador admitem reservadamente que o sinal amarelo foi aceso depois que o caso foi repercutido pelo Jornal Nacional, da Rede Globo.

A estratégia para sair da defensiva já foi traçada: culpar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pelo vazamento e o PT pela propagação da história e por tentar politizar a denúncia. “Esse assunto ocorreu em 2010. A denúncia foi feita, claro, por vazamento de algum órgão de governo que tenha a informação e controla o funcionamento do aeroporto”, disse o senador José Agripino (DEM-RN), coordenador da campanha de Aécio, sem citar nominalmente a agência.

A Anac anunciou que vai apurar se aviões pousaram ou decolaram da pista em Cláudio, pois o aeroporto não tem autorização do órgão para operar.

O PT entrou nesta terça com um pedido para que a Procuradoria-Geral da República abra inquéritos civil e criminal para investigar se houve irregularidades cometidas pelo candidato do PSDB. A sigla solicita que sejam apurados práticas de improbidade administrativa, crimes de peculato, prevaricação e outros.

Na capital mineira, o promotor Júlio César Luciano, do Ministério Público estadual, disse que instaurou um procedimento prévio de investigação para apurar o caso.

Índice Band: Dilma tem 50% dos votos válidos; Aécio, 27%


Ibope: Dilma tem 38%, Aécio, 22%; Campos, 8%


'Pesquisa Ibope, divulgada nesta terça (22) apresenta cenário mais favorável à presidente Dilma Rousseff (PT) do que o último Datafolha; na disputa pelo segundo turno, Dilma vence nos dois cenários: ela soma 41% contra 33% de Aécio e 29% de Campos; no entanto, avaliação do governo segue em baixa: apenas 31% aprovam; sobre a forma da presidente Dilma governar, aprovação é de 44%

Brasil 247

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (22) pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou que a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, tem 38% dos votos. Em segundo lugar aparece o candidato do PSDB a presidente do país, senador Aécio Neves, com 22% das intenções de votos. O ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, candidato a Presidência pelo PSB, aparece com 8% dos votos. O Pastor Everaldo tem 3%.

Na disputa pelo segundo turno, Dilma tem 41% e Aécio tem 33%. Já entre Dilma e Campos, ela tem 41% e ele soma 29%.

Avaliação do governo Dilma:

Bom/Ótimo - 31%
Regular - 36%
Ruim/Péssimo - 33% 

Forma de governar de Dilma:

Aprovam - 44%
Desaprovam - 50%

PT processa Aécio por peculato e prevaricação

Brasil 247 - 22 de Julho de 2014 às 18:41

 

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Pega fogo a campanha eleitoral; o Partido dos Trabalhadores acaba de entrar com representação criminal contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), em razão do aeroporto construído em terras que já pertenceram à sua família, no município mineiro de Cláudio; petição ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pede também que se investigue por que o governo mineiro optou pela fazenda de Múcio Tolentino, tio de Aécio; coordenador jurídico da campanha da presidente Dilma, Flávio Caetano diz que denúncia é "gravíssima", porque "além de mostrar que há um beneficiamento privado de algo que seja público, também há relação da empresa que fez o aeroporto com doações de campanha ao senador Aécio"; em nota, PSDB defendeu investigação e disse que obra atendeu a critérios técnicos

247 - Como havia decidido ontem, o PT pediu nesta terça-feira 22 ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, investigação contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato à Presidência da República, pelos crimes de peculato (crime cometido contra a administração pública) e prevaricação. A representação se deve à construção de um aeroporto no município de Cláudio, em Minas Gerais, em terras que pertenceram ao tio de Aécio, na época em que o tucano era governador do estado.

"Os fatos são gravíssimos e merecem rigorosa apuração do Ministério Público, tanto em âmbito federal como em âmbito estadual, para apuração não só de atos de improbidade administrativa, mas de eventuais crimes", afirmou ao 247 o coordenador jurídico da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT), Flávio Caetano. Segundo ele, trata-se da denúncia mais grave até este momento da campanha, "porque além de mostrar que há um beneficiamento privado de algo que seja público, também há relação da empresa que construiu o aeroporto com doações de campanha ao senador Aécio. Então é gravíssima".

Leia abaixo reportagem do portal Entrefatos e a íntegra do documento:
PT pede a procurador da República investigar Aécio por peculato e prevaricação
Advogados do partido querem investigação de aeroporto construído em fazenda de parente
Redação Entrefatos - O Diretório Nacional do PT protocolou na tarde desta terça-feira (22) pedido ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que investigue a construção pelo governo mineiro, quando sob o comando de Aécio Neves, de um aeroporto na cidade de Cláudio, interior do estado. O governo Aécio construiu um aeroporto em área pertencente a um tio, Múcio Tolentino, e investiu R$ 14 milhões em obras no local, além de determinar o pagamento de indenização por desapropriação de R$ 1 milhão a um parente do governador.

O aeroporto não possui autorização para operação da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e mesmo assim opera, segundo publicou no último domingo (20) a "Folha de S.Paulo". Além disso, o jornal descobriu que as chaves que dão acesso à pista de aviação ficam com a família de Múcio, que é tio-avô de Aécio. O senador e candidato a presidente do PSDB possui uma fazenda a seis quilômetros do aeroporto, passa fins de semana no lugar, embora tenha tentado dizer que o imóvel rural não é seu, e pertence somente ao "espólio de dona Risoleta Neves", sua avó.

Entre as alegações do partido de Dilma, está a possibilidade que Aécio cometeu crime de prevaricação, crime cometido por autoridade contra a administração pública. A petição a Rodrigo Janot pede que o procurador investigue a alegada operação irregular do aeroporto, já que não tem autorização da ANAC. Os advogados pedem também à procuradoria-geral da República que verifique a infração a três artigos do Código Brasileiro de Aeronáutica e dois artigos da Lei de Improbidade Administrativa, além do crime de peculato, previsto no artigo 312 do Código Penal.

O PT pede ainda que o procurador investigue porque o governo mineiro optou pela fazenda de Múcio Tolentino para a construção do aeroporto. "Nota-se que a prevalecer o divulgado pelas matérias, essa parceria público-privada remonta à história familiar do ex-governador", aponta a petição protocolada há pouco pelo PT.

Ontem (21), ao perceber que o assunto não ficaria circunscrito à "Folha de S.Paulo", o PSDB apresentou queixa ao Tribunal Superior Eleitoral, alegando que Aécio sofre "perseguição" do governo Dilma Rousseff, por uso da máquina pública, já que a ANAC afirmou que a operação da pista na fazenda de seu tio Múcio é irregular.

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