Em seu discurso de abertura na 14ª edição do prêmio “As Empresas Mais Admiradas no Brasil”, promovida por CartaCapital,
o diretor de redação da revista, o jornalista Mino Carta, fez uma
homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deu início
nesta segunda-feira 31 ao tratamento de um câncer recém-descoberto na
laringe.

A presidenta Dilma Rousseff assiste à cerimônia As Empresas Mais Admiradas no Brasil ao lado de Mino Carta. Foto: PR
Mino,
que há um ano dividiu o mesmo palco com o então presidente, de quem é
amigo há 34 anos, disse lamentar a ausência de Lula no evento. Mas
previu: “Tenho a convicção absoluta de que ele será vitorioso pela
enésima vez. Ele vai ganhar mais uma batalha”.
O diretor de
redação lembrou de um caso relacionado ao ex-presidente para anunciar o
novo parceiro da revista, o empresário Eduardo da Rocha Azevedo, que
adquiriu 30% da revista e se tornou sócio da publicação ao lado de Mino
Carta e do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, consultor editorial de
CartaCapital.
Há
exatos 32 anos, contou o jornalista, o então presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, Luiz Inácio Lula
da Silva, lamentava a ele uma “pane fatal” que não mais imprimia as
páginas de
João Ferrador, o jornal da entidade. “Ele estava acabrunhado com isso”, lembrou Mino, que sugeriu uma solução para o problema.
À
época, Mino acionou o amigo Rocha de Azevedo, então vice-presidente da
Bolsa de Valores de São Paulo, dizendo: “Precisamos arranjar uma grana
para comprar um mimeógrafo (
espécie de impressora) para o
Sindicato dos Metalúrgicos. Vai ser uma obra realmente importante. É
uma aposta, porque ouviremos falar realmente desse senhor Lula”.
Segundo
o jornalista, logo em seguida um mimeógrafo “moderníssimo, o mais
moderno da época”, aportou na sede do sindicato para imprimir o
João Ferrador, que em suas páginas pregaria uma greve geral que ocorreria dali a poucos meses – e que, de fato, lançou Lula à vida pública.
“Este meu amigo acaba de adquirir 30% das ações de CartaCapital. Ou melhor, da empresa que a produz, e que se chama
Editora Confiança”, anunciou. “É mais uma aposta que ele fez, 32 anos depois”.
Mino
afirmou também, antes da premiação, que um amigo empresário comentou
que há um ano ele parecia “muito bravo” em razão da temperatura das
eleições presidenciais. “Não estava bravo”, justificou o jornalista.
“Estava indignado, para usar uma palavra que está na moda, com o que a
imprensa e a mídia em geral dizia a respeito da candidata de Lula à
Presidência da República”.

A
presidenta Dilma Rousseff discursa no evento As Empresas Mais
Admiradas do Brasil 2011, promovido por CartaCapital. Foto: Fernanda
Amaral
“Aquilo se distanciava brutalmente daquilo que eu
respeito, sobretudo na prática do jornalismo e na vida de todos os
dias, ou seja, da verdade factual, aquela que não se contesta, da qual
não se duvida.”
Mino lembrou que Dilma Rousseff já esteve no
evento de premiação das melhores empresas do País em outras duas
ocasiões, como ministra do governo Lula. A presença da hoje presidenta,
disse Mino Carta, “nos honra demais”. “Nós apoiamos a candidatura dela
desde o começo da campanha eleitoral do ano passado. Escrevi em 2005
que Dilma Rousseff reunia qualidades para ser a sucessora perfeita de
um grande presidente, que representou um divisor de águas na história
do Brasil”.
Em dez meses de governo, afirmou o diretor de
CartaCapital, Dilma “provou de sobejo que realmente correspondia aos
nossos anseios e esperanças”.
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