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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

[Mensalão] Renomado jurista afirma: "Houve transgressão de garantias básicas"



“Mensalão foi soluço na história do Supremo”

Quem diz é o jurista Celso Bandeira de Mello, responsável pela indicação de Carlos Ayres Britto ao STF; ele afirma que, nos próximos casos, a suprema corte não permitirá a mesma "flexibilização de provas"

O renomado jurista Celso Antônio Bandeira de Mello acredita que o julgamento do chamado 'mensalão' foi um "solução na história do Supremo Tribunal Federal". Segundo ele, que indicou ao tribunal o ministro Carlos Ayres Britto, quem diz considerar "um irmão", houve forte influência do que chamou de "opinião publicada", além de transgressão de garantias básicas. A Corte Suprema do País, acredita ele, não irá repetir nos próximos casos a "flexibilização de provas" cometida na Ação Penal 470.

Especialista em Direito Administrativo, Bandeira de Mello defende, numa entrevista concedida ao portal Última Instância, hospedado pelo Uol, que "o juiz devia ser proibido de dar entrevistas". Em seu ponto de vista, a postura de Joaquim Barbosa como relator do processo foi "muito agressiva", sem a "serenidade que se espera de um juiz". Ele também acha que o novo presidente do STF "tinha que ter uma atitude de maior urbanidade em relação aos colegas". Já o revisor do processo, Ricardo Lewandowski, considera um "príncipe", digno de uma "educação e uma finura monumental".

Confira abaixo trechos da entrevista:

Com a fixação das penas, chegamos à reta final do julgamento da Ação Penal 470. Como o senhor enxerga o julgamento?

O mensalão, na minha visão, não era mensalão porque não era mensal. Isso foi a visão que a imprensa consagrou. Em segundo lugar, entendo que foram desrespeitados alguns princípios básicos do Direito, como a necessidade de prova para condenação, e não apenas a suspeita, a presunção de culpa. Além disso, foi violado o princípio do duplo grau de jurisdição.

Há um mês atrás, um juiz mineiro decidiu anular os efeitos da Reforma da Previdência. Ele citou textualmente o julgamento no STF para alegar que a compra de votos foi comprovada e que, portanto, a reforma seria inconstitucional. É possível anular atos do Legislativo com base na tese do mensalão?

Se é com base no mensalão, não. A Reforma da Previdência pode ser censurada por outros aspectos, mas não por causa do mensalão. Acho que a chance de anular atos legislativos aprovados durante o escândalo é zero. Isto, pois há um impedimento jurídico de que quando um colegiado decide, quem decidiu foi o colegiado como um todo e não os membros do colégio. É por isso que, se um indivíduo tem o mandato invalidado, porque ele foi ilegalmente investido, isso não afeta em nada [a validade dos atos].

Quanto ao processo de indicação dos novos ministros, qual é o melhor modelo?

Não há nada mais difícil do que imaginar um bom processo de escolha. No passado, já sugeri que a escolha fosse feita através de um processo de eleição entre todos os juízes do Brasil. Mas, nem mesmo isso, eu me atrevo a dizer que será o ideal. Porque isso é capaz de politizar tanto, criar tantos grupos de partidários, que o mérito do candidato pode também ficar em segundo plano.

O senhor considera exagerada a publicidade que alguns magistrados recebem ao exercer suas funções jurisdicionais?

Antigamente, se dizia que o "juiz só fala nos autos". Eu acho que o juiz devia ser proibido de dar entrevistas. E não só os ministros do Supremo — mas eles é que parecem que gostam.

Qual é a sua impressão da postura do relator Joaquim Barbosa ao longo do julgamento?

Eu não gostei. Achei uma postura muito agressiva. Nele não se lia a serenidade que se espera de um juiz. Inclusive, em relação aos colegas, ele tinha que ter uma atitude de maior urbanidade em relação aos colegas. E no caso do Lewandowski, ele é um príncipe. Um homem de uma educação e uma finura monumental. É quase que inacreditável que Barbosa tenha conseguido fazer um homem como Lewandowski perder a paciência.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Jarbas Vasconcelos [PMDB-PE] e o cinismo político

Fonte: JC - edição impressa - 16/10/2012

Por DiAfonso [Blog Terra Brasilis]

O senador Jarbas Vasconcelos [PMDB-PE] tem toda razão quando fala em "cinismo político" e em a "esperteza [ser] mais importante do que o conhecimento e do que a ética". Isso que ele evoca tem estado em seu próprio dna nos últimos tempos. Desde que Lula assumiu [e FHC mergulhou em seus desvarios narcísicos], Jarbas tem mostrado o seu "cinismo político" e trocado o "conhecimento" e a "ética" pela "esperteza".

Seu cinismo está em não tecer um comentário sequer sobre os desmandos da era FHC, sobre o "mensalão mineiro" e sobre "A Privataria Tucana".

Sua esperteza - e o abandono do "conhecimento" e da "ética" - está em se aliar a Eduardo Campos [PSB-PE] - outrora inimigo figadal - para derrotar Lula e o PT [deu certo aqui em Recife] e, de quebra, tentar eleger o filho Jarbinhas vereador, na coligação do neto de Miguel Arraes [a quem injuriou e maltratou]. 

Como se sabe, Jarbinhas foi rejeitado nas urnas [obteve, apenas, 4.295 votos]. Já Jarbas "Pai", por sua vez, deveria rever o que disse sobre cinismo político e tais e quais, porquanto não possui autoridade moral para falar nada.

Acaso faltou-lhe "conhecimento" quando deu apoio irrestrito ao corrupto Demóstenes Torres [ex-DEM]?

Acaso falta-lhe "conhecimento" quando não abre o verbo para falar do "mensalão mineiro" [anterior ao do PT]?

Acaso falta-lhe "ética" e "conhecimento" ao entupir-se para não falar da "Privataria Tucana"?

Se lhe falta tudo isso, então Jarbas Vasconcelos é ignorante e "cínico" tanto quanto aqueles a quem ele faz referência... Ou o que é mais grave: faz uso, por excelência, da esperteza que tanto recrimina.

sábado, 28 de julho de 2012

"Mensalão": a mídia golpista quer sangue



Por DiAfonso
Todas as investigações sobre o escândalo – na Polícia Federal, em CPIs, na imprensa – produziram provas. Em cima delas, os juízes decidirão o destino dos réus

Assim, a revista Época resume matéria em que trata da Ação Penal 470 ou, simplesmente, "Mensalão" [do PT, que fique claro!]. 

Há de se perguntar se as "provas produzidas na imprensa" têm a credibilidade da Veja, de O Globo, da Folha de S.Paulo, do Estadão e da própria Época. Sim, porque, quando donos de veículos de comunicação [leia-se, Roberto Civita] e jornalistas agem como bandidos [leia-se Policarpo Jr. e Gustavo Nogueira Ribeiro], fica difícil tomar tais investigações jornalísticas como parâmetro para um julgamento justo e isento das interferências políticas a que estarão sujeitos os réus [na verdade, eles já foram condenados por uma mídia que julga e condena à revelia das instâncias jurídicas].  

Vale notar, ainda, a "disposição" de certos ministros do STF [leia-se, sobretudo, Gilmar Mendes] em se aliarem ao que de mais podre existe nessa elite apeada do poder pelo voto popular.

Noutros tempos, é preciso destacar, o Grupo Folha tornou-se mais do que bandido, ao ceder seus carros para torturadores do regime militar.

Esta é a mídia que produz provas para um julgamento no STF...