quarta-feira, 30 de março de 2011

O Parlamento brasileiro precisa deixar de tratar o deputado Jair Bolsonaro como um folclore.

“Esta Casa precisa deixar de tratar o deputado Jair Bolsonaro como um folclore. Esse deputado que se referiu a uma artista, mulher negra, a Preta Gil, como uma prostituta, várias vezes, aqui deste microfone, já pediu o fechamento do Congresso Nacional”, destacou o deputado Luiz Alberto (PT-BA).

Manuela anuncia medidas contra Bolsonaro por declarações racistas

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputada Manuela d'ávila (PCdoB-RS) anunciou que vai tomar providência contra as declarações feitas pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) contra a cantora Preta Gil, em programa de televisão na noite desta segunda-feira (28). A fala da deputada recebeu apoio de outros parlamentares que anunciaram que entrarão com representação na Comissão de Ética da Casa contra o deputado.

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“Como Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Parlamentar, estou estudando todas as medidas dentro e fora desta Casa que possam ser tomadas para que não tenhamos nenhum Parlamentar que envergonhe a Constituição que juramos”, disse Manuela.

E acrescentou que “racismo é crime inafiançável” e que “a imunidade (parlamentar) não nos garante a autonomia para cometermos crimes, principalmente crimes de preconceito contra a maior parte da população brasileira que é negra”.

“Esta Casa precisa deixar de tratar o deputado Jair Bolsonaro como um folclore. Esse deputado que se referiu a uma artista, mulher negra, a Preta Gil, como uma prostituta, várias vezes, aqui deste microfone, já pediu o fechamento do Congresso Nacional”, destacou o deputado Luiz Alberto (PT-BA).

“Essa questão precisa ser tratada como uma questão grave”, alertou o parlamentar. “Como disse aqui a deputada Manuela d'Ávila, do PCdoB, o racismo é crime. Não se deve tratar um crime imprescritível, inafiançável, portanto grave, como se não o fosse. Esse deputado terá que responder, perante esta Casa, por quebra de decoro parlamentar.”

Ivan Valente (PSOL-SP) também disse que o seu Partido vai se juntar a todos aqueles que vão tomar medidas contra o deputado Jair Bolsonaro por apoio à tortura, à homofobia e ao racismo.
O deputado Emiliano José (PT-BA), se solidarizou com o pronunciamento da deputada Manuela d'Ávila e anunciou que a acompanhará em todas as providências que esse assunto tão grave requer.

A cantora Preta Gil também anunciou que entrará com uma representação junto ao Ministério Público contra o deputado Jair Bolsonaro, pedindo que apurem crime de intolerância racial e homofobia. Em entrevista para o programa CQC, ao responder se aprovaria o relacionamento de seu filho com uma negra, o parlamentar disse que "não corria o risco" por que eles foram "muito bem educados" e não viveram num ambiente "como lamentavelmente" era o dela.

De Brasília
Márcia Xavier



Do BLOG DO ONIPRESENTE.

Boçalnaro pode, finalmente, pagar por apologia e prática de crimes

Deputado carioca será processado por homofobia e racismo
Bruno Huberman, CartaCapital
Conselho de Direitos Humanos da Câmara se reúne para decidir como irá agir em relação à entrevista concedida por Jair Bolsonaro (PP) ao programa CQC

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, reunida nesta terça-feira 29, irá entrar com uma representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Só resta decidir qual: se uma representação parlamentar na Câmara ou se uma ação judicial. O pepista virou alvo de críticas nas últimas horas após a entrevista à cantora Preta Gil durante o programa CQC, da rede Bandeirantes, na noite da segunda-feira 28, quando ao ser questionado se deixaria o seu filho namorar uma negra, respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu.”

“Eu acho lamentável. Isso é um abuso da representatividade parlamentar. Ele se utiliza do seu cargo para ofender. Eu fiquei chocado. Independente de filiação partidária, ele é um deputado e tudo tem um limite”, afirma o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), que ao lado dos deputados Manoela D’Avilla (PCdoB-RS) e Brizola Neto (PDT-RJ), decide como a Comissão irá agir. “Ele ataca a comunidade LGBT há muito tempo, mas só agora que ofendeu os negros é que caíram em cima dele.”

“O Bolsonaro feriu o código de ética da Câmara. Ele se utilizou da sua representatividade política para praticar homofobia e racismo”, reitera o deputado Chico Alencar (PSol-RJ), membro do Conselho de Ética da Casa, que também analisará a situação de Bolsonaro.

Em nota oficial, Bolsonaro tentou se defender: “A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta – percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay. Daí a resposta. Todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo. Ao responder por que sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário a qualquer cota e justifiquei explicando que não viajaria em um avião pilotado por cotista nem gostaria de ser operado por médico cotista, sem me referir a cor.”

“O Bolsonaro, por meio desta nota oficial, quer escapar da acusação de racismo, que como é crime pode ser considerada quebra de decoro e pode causar a sua expulsão da Casa. Ele quer ficar apenas com a acusação de homofobia, que não é crime e é considerada apenas injúria”, analisa Wyllys.

O apresentador do programa, o humorista Marcelo Tas, em entrevista ao Terra Magazine, reforçou a tese: “Ele manifestou dois preconceitos, contra os negros e contra os gays.” A apresentadora Preta Gil, por meio do seu advogado, disse que irá entrar com um processo por danos morais

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Do Blog O Esquerdopata.

Dilma surpreende na Universidade de Coimbra

Assis Moreira | VALOR

De Coimbra

A presidente Dilma Rousseff fez uma bem sucedida visita a Universidade de Coimbra, ontem, onde beijou estudante, parou para fotografar várias vezes, preferiu se deslocar a pé entre os locais visitados e, para variar, acabou fazendo cobrança pública ao seu ministro de Educação, Fernando Haddad.

Quando retornou ao hotel, encontrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na recepção. “Vê se a gente está com cara de estar brigado aqui”, desafiou Lula na direção dos jornalistas. A presidente cumprimentou a ex-primeira dama Marisa com elogios: “Você está linda.”

“Como Dilma é carismática”, comentou uma professora da universidade, visivelmente entusiasmada com a presidente, durante a visita. “Ela foi uma verdadeira sucessora de Lula”, comentou um membro da delegação Por sua vez, o assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia, atribuiu a imagem de uma Dilma durona a “alguns jornalistas”.

O ambiente era propício para a tietagem que ocorreu junto a Dilma. São 979 estudantes brasileiros na Universidade de Coimbra, 5% do total de estudantes. Boa parte tem bolsas de estudos do governo brasileiro. Outros dizem estar aqui porque pagam anuidade mais barata do que pagariam em universidades brasileiras.

“Dilma, Dilma”, gritavam alguns estudantes. Quando um grupo de brasileiros cantou “sou brasileiro com muito orgulho”, a presidente ensaiou passos de dança. E defronte das câmeras de TV, não hesitou em abraçar e beijar um estudante que lhe presenteou com um livro de um escritor japonês.

Ela ouviu atenta a reivindicação dos estudantes, para que o governo acelere a revalidação dos diplomas que obtêm no exterior. “Fernando, ouve isso aqui, eles estão reclamando da burocracia”, falou a presidente a seu ministro da Educação, Fernando Haddad. Mais tarde, o ministro disse que Lula faria cobrança idêntica. No entusiasmo do ambiente, os dois prometeram mandar mais alunos brasileiros para o exterior.

Enquanto isso, Lula chegou ao hotel, procedente de Lisboa. Ao encontrar alguns jornalistas, insistiu que “não tinha ponteiros a acertar” com Dilma porque não havia divergência entre eles.

Dilma chegou logo depois e deu longa resposta, sorrindo, também para desarmar os rumores de mal-estar entre ambos. “O mal-estar é de vocês”, disse. “Eu e o presidente Lula não temos nenhum mal-estar. continuamos sistematicamente nos encontrando de 15 em 15 dias aproximadamente, até porque sempre temos muito o que conversar.”

“Vocês nunca se esqueçam, eu trabalhei com o presidente Lula e é assim. Tenho com o presidente Lula um acúmulo de experiência comum que para mim é muito importante. Ele para mim é um grande interlocutor. O presidente Lula é um estadista. Uma pessoa com uma baita experiência de Brasil”, disse.

A presidente acrescentou: “Eu gostaria de saber a troco de que eu não vou compartilhar não só a minha amizade, porque tenho uma relação afetiva com o Lula. Vocês podem tentar tudo, mas é impossível separar a minha trajetória da trajetória do presidente Lula.”

E completou: “Isso não significa que eu e ele sejamos as mesmas pessoas. Nós não somos, mas somos pessoas que atingiram um patamar de respeito, com quem tenho imenso prazer em compartilhar as minhas horas e a minha experiência.”

Pouco depois, com a noticia da morte de Alencar, o clima era de tristeza o que reuniu ainda mais os dois.

Ao receber o titulo de doutor “honoris causa” da Universidade de Coimbra, Lula terá que pagar uma “propina”, como dizem os portugueses. O reitor receberá dele dois quilos de castanhas de ovos. Em troca, receberá um anel de ouro de 13 gramas com um rubi “cor de sangue de pombo”. No momento central da cerimônia, o reitor, em discurso em latim, pergunta a Lula: “Quid petis?”, ao que Lula responderá: “Gradum doctoratus”.

Postado por Luis Favre
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Do Blog do Favre.

Valeu, Zé!

O Brasil de Luto

Discurso do presidente Luis Inácio Lula da Silva em homenagem ao vice presidente José Alencar pelo recebimento do titulo de Presidente emérito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo-FIESP.

“Ele era bom em vida”, diz ex -presidente

Lula entre Marisa e Dilma em Coimbra: lembrança da carreata em novembro em que Alencar ficou em pé por 4 horas


Assis Moreira | VALOR

De Coimbra

Foi em meio a momentos de prantos que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentaram a morte de José Alencar, pouco depois de serem informados pelo médico do ex-presidente.

A visita de ambos em Portugal foi encurtada, e retornam a Brasília logo depois de Lula receber titulo de doutor honoris causa na Universidade de Coimbra, hoje cedo.

Com a voz embargada e os olhos marejados, a presidente Dilma Rousseff anunciou luto oficial por sete dias e velório no Palácio do Planalto para Alencar como chefe de Estado.

“Estamos num momento de muita dor e sofrimento, José Alencar vai deixar uma marca indelével na vida de cada um de nós”, disse a presidente, enquanto Lula ao seu lado caia literalmente no choro.

“Todo mundo fica bom depois de morto, mas José Alencar era bom em vida”, disse Lula, estimando que não podia ter tido um vice-presidente melhor e mais leal, sem “nenhuma divergência”. Qualificou a relação de ter sido mais que política e sim de “irmãos e companheiros e a gente funcionava como um orquestra”.

Lula declarou-se ainda mais agradecido ao lembrar que, depois de ter perdido eleições porque não passava de 35% dos votos, foi com ajuda de José Alencar que encontrou o restante. “Quando vi o discurso de José Alencar em Minas Gerais, comemorando os 50 anos de vida empresarial, sai de lá falando que encontrara meu vice.”

O ex-presidente lembrou a resistência ao nome do empresário mineiro. Mas os dois viajaram o Brasil inteiro. “Tinha muita gente mais à esquerda que achava que não devia chamá-lo para vice. Mas quando ele falava e contava sua vida, o mais esquerdista ficava chorando.”

Lula lembrou com Dilma de um episódio da campanha dela em Belo Horizonte. Alencar não tinha mais força nem sequer para levantar a mão de tão fragilizado. Mas subiu num carro e os três fizeram a carreata por Belo Horizonte por quatro horas. “Ele dizia que tinha de fazer isso porque queria eleger a Dilma.”

O ex-presidente disse que falava com Alencar praticamente toda semana. “O otimismo dele era uma coisa que causava na gente até uma inveja de ver sua força.” Antes de partir para Lisboa, ele telefonou para Alencar do carro. O ex-vice presidente sabia que do ponto de vista clínico não tinha mais muita expectativa, mas mantinha a fé.

Depois que chegou em Portugal, Lula ligou de novo para o médico de Alencar e soube que ele estava sedado. Mais tarde, o médico Raul Cutait informou sobre a morte. “Foi um descanso para ele, estava sofrendo há seis meses. Alencar não se contentava de ficar no hospital o tempo inteiro”, disse Lula, de novo chorando. Alencar pedira a opinião de Lula sobre se deveria parar de tomar remédios. “Achei que sim, ele devia viver da maneira mais prazerosa os dias que restavam”, contou. Depois interrompeu a entrevista aos prantos.

Postado por Luis Favre
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Do Blog do Favre.

O empresário e o operário

Nesta singela homenagem que o ABC! faz ao cidadão brasileiro José Alencar, que descansou hoje, queremos que ele seja sempre lembrado ao lado do seu grande companheiro. Ambos, empresário e operário, numa parceria inédita, comandaram o Brasil por oito inesquecíveis anos e o elevaram a um novo patamar entre as nações.


Descansa em Paz, guerreiro.


Presidente Lula, já com a faixa presidencial, sobe a rampa do Palácio do Planalto ao lado do vice-presidente José Alencar, durante a cerimônia de posse para o segundo mandato _ (Brasília, DF, Palácio do Planalto, 01/01/2007) _ Foto: Ricardo Stuckert/PR



Presidente Lula e o vice-presidente, José Alencar, durante cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Biodiversidade _ (Brasília, DF, Palácio do Planalto, 20/05/2005) _ Foto: Ricardo Stuckert/PR





Fotos: Ricardo Stuckert/PR

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Do Blog TERRA BRASILIS.

terça-feira, 29 de março de 2011

Charge Online do Bessinha


Os sem-diploma

Assim como Lula e José Alencar fizeram pela educação do povo, fiz pela instrução formal dos meus filhos. E, assim como o ex-presidente e seu ex-vice, que acaba de cruzar os umbrais da história, tampouco tirei meu diploma – revoltei-me com o sistema e fui estudar em casa.

Como eles, pela falta de diploma enfrentei preconceito no trabalho remunerado (comércio), no meio social e até no jornalismo – e olhem que não tirá-lo foi opção minha, não da vida que Deus me deu. Sei como é duro, pois, vencer o preconceito, sobretudo quando é velado.

Não, não teria a insanidade de me comparar com Lula ou com Alencar para além da coincidência óbvia sobre diploma. Comparo a eles, sim, todos os brasileiros que não têm diploma, mas que provam que um pedaço de papel não muda o que a pessoa é.

Estudem, jovens. Tirem vossos diplomas. Exorto-vos como sempre exortei meus filhos, dando-lhes as melhores condições de estudar através de escolas caras, viagens, livros, bens culturais em geral. Mas jamais estigmatizem os sem-diploma, como fizeram as gerações que vos antecederam.

Nenhum pedaço de papel substitui o talento. Nenhum professor ensina inteligência. Todos são capazes de aprender, se estudarem. Nem que, como fiz, sem outro mentor que não você mesmo, pois certamente se dedicará a instruir-se como mestre algum faria.

Do Blog da Cidadania.

Em Portugal, Dilma e Lula vão dar uma declaração conjunta sobre morte de Alencar

Yara Aquino e Luciana Lima, Agência Brasil


“Em viagem a Portugal, a presidenta da República, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já receberam a notícia da morte do ex-vice-presidente José Alencar. O Palácio do Planalto informou que os dois vão dar, na cidade portuguesa de Coimbra, uma declaração conjunta. A assessoria da Presidência não informou, porém, se a presidenta Dilma antecipará o regresso ao país.

O ex-presidente Lula está em Portugal para receber o título de doutor honoris causa da Universidade de Coimbra. A presidenta Dilma foi acompanhar a homenagem, marcada para amanhã (30).

Durante os dois mandatos do presidente Lula, o vice José Alencar assumiu o comando do país por 398 dias. A Cosntituição brasileira determina que a Presidência da República seja ocupada interinamente pelo vice sempre que o titular se ausenta do país.”

Flora: "O mundo está louco. Tem de Irmã Dulce a Hitler"

Claudio Leal, Terra Magazine

"A produtora Flora Gil se assustou com a "loucura do mundo" ao abrir sua caixa de e-mails, na manhã desta terça-feira, 29, para ler uma mensagem de Preta Gil, vítima de racismo do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ).

No programa CQC, da Band, Preta perguntou a Bolsonaro se ele deixaria seu filho namorar com uma negra. O líder da extrema direita militar reagiu: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu".

Mulher do compositor Gilberto Gil, Flora conta que Preta "está muito abalada com essa história". Mas prefere relatar sua reação ao episódio:

- O mundo está louco, a gente tem de Irmã Dulce a Hitler, passando por Mussolini e muitos outros mais. Todos viveram, todos passaram por nós. Basta dizer quem a gente admira, quem a gente não admira.”
Matéria Completa, ::Aqui::

Adeus José Alencar


Valeu, Zé Alencar!

Do Amigos do Presidente Lula - por Helena™ - terça-feira, 29 de março de 2011


"Peço a Deus que não me dê nenhum tempo de vida a mais, a não ser que eu possa me orgulhar dele". (José Alencar, 1931 - 2011)
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Quem foi o extraordinário José Alencar

CartaCapital

José Alencar Gomes da Silva nasceu em 17 de outubro de 1931, num povoado à margem do rio Glória, chamado Itamuri, município de Muriaé, Minas Gerais, é o décimo primeiro descendente do casal Antonio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva, de um total de 15 filhos. Cedo, aos sete anos, já ensaiava os primeiros passos para os negócios atrás do balcão da loja do pai. Aos 14 anos, decidiu que era hora de ir mais longe. E em Muriaé, ainda no interior de Minas, foi trabalhar numa loja de tecidos. Em 1948, Alencar mudou-se para Caratinga onde trabalhou com vendedor.

De vendedor a empresário. Aos 18, com a ajuda do irmão mais velho Geraldo Gomes da Silva, depois de ser emancipado pelo pai, abriu as portas de sua primeira empresa: “A Queimadeira”, em Caratinga.

Ele chegou a morar na própria loja, “atrás da prateleira”, e comer de marmita fazia parte do esforço para baixar os custos e tornar competitiva a lojinha que vendia quase de tudo: tecidos, calçados, chapéus, guarda-chuvas, sombrinhas, armarinhos, etc.

Pouco tempo depois, aos 20, casou-se com Mariza Gomes da Silva, com quem teve duas filhas Maria da Graça e Patrícia e um filho Josué, que, atualmente, controla as empresas do pai.

Com a morte do irmão Geraldo, Alencar é chamado para assumir os negócios que o mais velho havia iniciado em Ubá. A empresa era a União dos Cometas, de Geraldo Gomes & Cia. Com a reestruturação societária, em homenagem ao principal fundador, adotou a razão social Geraldo Gomes da Silva, Tecidos S.A.

Em 1963, José Alencar construiu a Cia. Industrial de Roupas União dos Cometas, que mais tarde ganharia outro nome, Wembley Roupas S.A.

Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, da área de beneficiamento de algodão – fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas, que hoje é uma das maiores empresas do setor têxtil. Com 15 fábricas no Brasil, cinco nos Estados Unidos, uma na Argentina e uma no México, emprega mais de 15 mil trabalhadores.

De empresário a vice-presidente. José Alencar quis mais e em 1994 candidatou-se a deputado estadual, ficando em terceiro lugar com 10,71% dos votos válidos. Esse era apenas o começo de sua carreira política. Depois de sua estreia no meio político, Alencar candidatou-se, em 1998, a senador, obtendo quase 3 milhões de votos. Foi durante esse mandato que defendeu o empresariado brasileiro e fez duras críticas ao governo da época pela não realização das reformas política e econômica.

Mas um cargo mais alto ainda estava por vir e em 2000, ao comemorar os 50 anos de sua carreira como empresário, numa celebração com a presença de familiares, figuras políticas entre governadores, líderes de partidos, prefeitos e ministros, seu discurso encantaria uma das mais emblemáticas personalidades do cenário político brasileiro, o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, ainda não havia sido confirmada sua participação, pela quarta vez, como candidato às eleições para a presidência em 2002, mas saiu daquela festa já sabendo quem era seu vice.

Lula não resistiu à figura lutadora, cativante e com espírito nacionalista, que construiu um império, e agora estava no topo do mundo empresarial. Um homem chave para dialogar com o setor empresarial ao lado do governo petista.

Mesmo sendo um empresário milionário, Alencar sempre buscou manter sua simplicidade, e aceitou a missão de ser vice do metalúrgico para junto promoverem o desenvolvimento do Brasil, principalmente nas áreas sociais, que mais marcaram o governo Lula.

Muito disputado por sua desenvoltura política, Alencar foi assediado por três partidos: o PTB, PSD, mas acabou se desfiliando do PMDB para ingressar no PL que depois mudou o nome para PRB.

Antes já havia sido presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais e diretor da Associação Comercial de Minas, além da Câmara de Dirigentes Lojista de Belo Horizonte. No governo Lula, já como vice-presidente, em 2002, se tornou um dos interlocutores do governo com o setor empresarial, como era esperado. Uma aliança partidária histórica, das mais difíceis já realizadas, entre dois partidos com ideologias tão diferentes. Mas o senador Eduardo Suplicy tratou de citar José Alencar, num momento de saudação da aliança, como um empresário de visão social, que emprega 15 mil pessoas. “Juntos, [PT e PL] podem fazer a justiça social que este governo, o governo de Fernando Henrique Cardoso, não fez”, disse Suplicy em junho daquele ano.

Alencar e o câncer. Apesar de ter descoberto o câncer em 2000, José Alencar resistiu aos compromissos de vice-presidente. Em sua longa batalha contra o câncer, submeteu-se a um tratamento experimental nos Estados Unidos, com resultado inconclusivo.

No final de seu mandato como vice, em 2010, sua saúde estava delicada, sendo necessário inclusive a interrupção do tratamento contra o câncer. Desde então, o estado de saúde de Alencar começou a se agravar.

Em janeiro deste ano ele voltou a ser internado na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Sírio-Libanês com perfurações no intestino, mas recebeu alta para ser homenageado com a comenda de Cidadão Paulistano no dia 25, data do aniversário da cidade. Ele recebeu a Medalha 25 de Janeiro entregue pela presidenta Dilma Rousseff que, no discurso, destacou que participava da cerimônia como Presidenta da República, mas sobretudo como cidadã brasileira “para homenagear uma pessoa de tão profunda dimensão humana que todo o nosso povo aprendeu a respeitar, admirar e amar sem limites [...]nosso eterno vice-presidente da República, José Alencar”, afirmou. Nesse dia, integrantes de vários partidos, tanto de oposição quanto da situação, como o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) deixaram de lado as diferenças ideológicas para apertar as mãos do ex-vice.

Dentre as inúmeras visitas que recebeu enquanto internado, Alencar sempre fazia alguma declaração que repercutia na imprensa. Uma delas, em dezembro de 2010, Alencar reclamou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a alta dos juros. Algo recorrente em seu mandato. Com o jornalista Ricardo Kotscho, em fevereiro deste ano, falou sobre a aposentadoria do jogador Ronaldo. Ao lado do deputado federal Albano Franco (PSDB-SE), chegou a dizer que estava “preparado para morrer”, mas que pretende “viver até quando for digno”. Em entrevista a Jô Soares no ano passado, José Alencar repetiu mais uma vez a frase que sempre dizia: “Se Deus quiser me levar, ele não precisa do câncer para isso. E se ele não quiser que eu vá, não há câncer que me leve”. O homem resistiu bravamente, e todos os brasileiros foram testemunhas disso.

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Morre ex-vice-presidente José Alencar

O Brasil de Luto
Depois de lutar por mais de 13 anos contra um câncer na região abdominal, o ex-vice-presidente da República José Alencar morreu na tarde desta terça-feira (29), aos 79 anos, em São Paulo. Alencar morreu às 14h41 em decorrência do câncer e de falência múltipla dos órgãos.