sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quando os pais transmitem seus ódios aos filhos contra Dilma, não estamos mais numa sociedade democrática rompem-se os laços

outubro 6th, 2010 by mariafro

Eu sou amiga do Arnóbio Rocha, o autor do post que reproduzirei abaixo. Conheço sua esposa e suas duas filhas.

Sua filha mais velha, Letícia, 12 anos, está em tratamento, recebendo seções de quimioterapia, a menor que foi agredida na escola, já bastante fragilizada com a saúde e sofrimento da irmã mais velha, foi exposta a uma profunda violência. Neste caso, os pais das crianças agressoras deveriam para bem da sociedade fazer uma profunda reflexão sobre a sua responsabilidade em criar seus filhos no manto da ignorância, do ódio, do preconceito.

Toda minha solidariedade ao meu amigo e à sua família, na esperança que este episódio possa fazer a escola parar, refletir e usar o episódio para esclarecer a maior rede de boataria que já vi em toda a minha existência. A sociedade democrática agradece.

#BulliyngEleitoral: Quando os pais ensinam o ódio

Por: Arnóbio Rocha, em seu Blog
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

Mário Quintana

Bullying

Segundo a Wikipedia Bullying “é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully – «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.

Cena de uma escola de classe média de orientação católica de SP

1) Minha filha de 9 anos estuda numa escola cristã classe média de SP, hoje foi vítima de bulliyng pesado porque defendeu Dilma;

2) Ela foi importunada por coleguinhas cujos pais votaram no Serra. Começaram zoando que Dilma perdeu;

3) Minha filha revidou dizendo que tinha mais eleição, eles começaram a gritar “Dilma Assassina”, que ela foi presa, que roubava que mata crianças;

4) Minha filha tentando fugir desta turminha e sendo caçada, levou soco, chutaram e pisaram na mochila dela não paravam de gritar;

Ao chegar no carro ela contou para sua mãe e ainda estava em prantos, não por ter recebido soco, mas porque não conseguia se livrar da malta selvagem que lhe atacavam. Cheguei em casa ela me contou o caso fique assustado com este ódio, com esta campanha infame e pelos pais EDUCADOS, que no caso da escola têm curso superior, ganham em média de R$12 a 15 mil por mês, mas ensinam aos filhos pequenos que Dilma é BANDIDA, onde vamos parar?

Nem 1989 Collor ousou pregar o ódio de forma tão aberta. No meio das coisas diziam a minha Dilma ia matar crianças com aborto, criança repetindo Dilma ” Bandida”, “Assassina”, “que mata crianças”.

Pior tive que explicar porque Dilma foi presa, em que condições o país vivia na ditadura, o que é uma ditadura, o que é o aborto. Imagem desoladora, vontade de chorar diante deste ódio. Eles transformaram as eleições num inferno, em SP, classe média, perdeu a noção. Não dar mais para ficar calado. Reflete o que os pais falam em casa, criança não cria estas coisas da cabeça, onde estamos?

Da classe dela de 21 alunos, 4 dizem que os pais votaram na Dilma…a í são vítimas dos demais. Coisa raivosa.Vou preservar nome da escola.

Isto é um desabafo, estou absolutamente revoltado. Os pais sabem que somos de esquerda, nos respeitem. Entendam o que relatei é um alerta para campanha de ódio que estamos sendo vítimas, não existe limite ético, é fascismo aberto.

Quando os pais transmitem seus ódios aos filhos contra Dilma, não estamos mais numa sociedade democrática rompem-se os laços.Vamos criar nossos filhos com amor, não com ódio. Eleições passam, marcas ficam.

A Gênese do Neo-Fascismo

No espaço Wilhelm Reich encontrei esta definição sobre a natureza psicológica do Fascismo:

Na história da humanidade não é difícil encontrar inúmeros exemplos de processos de praga emocional em ação. O surgimento do fascismo na Alemanha nazista seria um excelente exemplo. O termo praga se refere à natureza contagiosa da histeria social e à dificuldade de se resistir a ela. Em seu livro A Psicologia de Massas do Fascismo, Reich já havia tentado compreender o surgimento do nazismo. Para ele o fascismo político seria a expressão social de um fascismo básico, emocional e individual. Poderia ser encontrado em todos os credos religiosos, podendo ocorrer mesmo em grupos de pessoas cujos objetivos conscientes tivessem um caráter extremamente positivo.”

Além disto, revejo como didaticamente, os meios de comunicações vão degradando o espaço da informação, substituindo pela corrosiva luta política apelativa, sem noção do mal que carrega para sociedade, na tentativa de atingir o Governo atual e sua candidata não se negaram a publicar falsas notícias com o intuito claro de macular a imagem dela:

1) Ficha falsa da Dilma na Folha de SP, sem jamais se retratar;

2) Chamada de capa para artigo de Cesar Benjamin dizendo que Lula tentou violar um preso quando se encontrava preso (Menino do MEP);

3) Revista Época publica a imagem da Dilma “guerrilheira”;

4) Várias capas da Veja com os “radicais” do PT em forma de demônios;

5) Estadão publica editorial apoiando Serra, em que nomeia Dilma como o “Mal a evitar”;

6) Questão do aborto tratada sem a devida posição real do que Dilma pensa;

As centenas de emails falsos sobre a vida pessoal da Dilma, seu “lesbianismo”, sobre querer “matar as criancinhas” (Palavras de Mônica Serra em Nova Iguaçu-RJ) Vejam a lista no link. Isto combinado com os vídeos que o PSDB produziu e postou no Youtube e não teve coragem suficiente de pôr na TV. Os trolls que atacam sem a menor capacidade de debate político, que apenas reforçam o ódio, atacam a honra e a imagem de cada um de nós.

Por tudo isto vejo de onde vem todo este ódio, o Fascismo redivivo, que é protegido por uma mídia cada vez mais ardente por SANGUE e ÓDIO. Mas não dobrarão nossa vontade indômita de lutar por um mundo melhor e um Brasil mais justo.

Matéria publicada por Leda Ribeiro

(Colaboradora do Blog)


Outros textos já foram publicados, inclusive neste Blog, abordando este tema (Bullyng). Infelizmente é a mais pura verdade. Os pais transmitem ódio e preconceito aos filhos. E não só em época eleitoral. Diuturnamente. Os diálogos, quando há, são na base do "porra", "caralho" e os mais diversos xingamentos. E o tom empregado, quase nunca é expresso de forma natural, mas, geralmente, com raiva e ódio. A criança inocente vai introjetando esse linguajar na consciência e cresce com esta marca de violência e a extrapola nas mais diversas situações. Muitos pais acham que, se não for assim, o filho pode ficar um "bobão". A escola, para ser "moderninha", reproduz esta sociedade para agradar aos pais e, muitas vezes, também, é a ideologia da maior parte dos professores e da direção. Os conteúdos curriculares e os livros didáticos também são ideologizados porque não se faz a ruptura necessária numa análise crítica dos temas, deixando tudo como ali está. Se a ruptura fosse feita de forma aberta os alunos teriam a oportunidade de dialogar com os professores e seriam levados a pensar se o que lhes está sendo transmitido corresponde à realidade. Então, a ideologia subjaz aos conteúdos curriculares desde a mais tenra idade e a criança assimila absurdos como se fossem verdades absolutas. Sou de uma época em que a escravidão era ensinada como se fosse natural. Ninguém discutia aquele horror porque os livros de História eram escritos sob a visão dos dominadores. Outros há que não querem este tipo de educação para os seus filhos, mas, são a minoria. Gritam no deserto. O que ocorreu com esta menina é a mais explícita demonstração de intolerância. E, neste ano eleitoral, a intolerância em todos os níveis (político, social, religioso...) está chegando a níveis insuportáveis. Dilma e o Lula que o digam...Na condição de educadaora também me solidarizo com o sofrimento desta menina e de todos os seus familiares. Temos aí um caso em que avulta a nossa responsabilidade de não permitir que a democracia seja destruída e que o obscurantismo volte a nos assombrar. (Leda Ribeiro)



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