Ontem tivemos reunião, seguida de uma tertúlia etílica. Voltei com muito sono e dormi como um urso. Agora tenho que ler toneladas de jornais e blogs para voltar ao mundo terrível e emocionante da política. Quanto à reunião dos pijamados no dia 23, no Clube Militar (apoiada pelo Millenium), que abordei em tom (aparentemente) alarmista, deixe-me explicar algumas coisas:
- Não sou maluco. Sei que não há condições para golpe. Mas fiquei realmente chocado com a petulância desses militares, que ganham salário do contribuinte, em patrocinar um evento chamado DEMOCRACIA AMEAÇADA e chamarem Reinaldo Azevedo e Merval Pereira.
- É uma reunião de golpistas. Os generais aposentados que lideram o Clube são gente egressa do regime militar. Merval e Reinaldo defenderam o golpe em Honduras com sangue na boca.
- Minha revolta adveio da compreensão de que, se o Brasil teve a generosidade (exagerada?) ou complacência (tola?) de anistiar esses golpistas, que mataram milhares de brasileiros e solaparam a nossa democracia (eles não a ameaçaram, mataram-na direto), eles deveriam ter o bom senso de entender que esse evento que farão no dia 23 é um escárnio, uma agressão aos brasileiros que conhecem a história. Eu não vivi o golpe in loco, mas sinto-o por toda parte em nossa sociedade, e quando vi o anúncio do evento, foi como viajar no tempo e voltar a 1964. Também se falava em ameaça à democracia. Também se falava em república sindicalista. Também tinhamos uma imprensa a combater figadalmente o governo. Também tínhamos intelectuais odiosamente golpistas. Felizmente, as diferenças são muito mais profundas. Temos hoje uma sociedade mais consciente, mais informada e, quero crer, mais combativa.
- Em suma, não acredito em golpe, ou não no sentido militar, mas senti-me ofendido, enquanto cidadão brasileiro que sabe o que aconteceu no país de 1964 a 1984, que esses militares se conluiem novamente com a imprensa para vilipendiar a democracia brasileira.
- A democracia brasileira não está ameaçada porcaria nenhuma. Tudo que eu gostaria era simplesmente dizer uns bons palavrões. Como não quero perder a classe aqui, fica registrada a minha intenção e deixo para vocês imaginarem o que eu gostaria de vociferar na cara deles.
- Fiz alguns contatos. Pode ser que o Rio de Janeiro dê alguma resposta, evidentemente pacífica, democrática e educada, a esses golpistas atrevidos.
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