quinta-feira, 10 de junho de 2010

Afinando as sinapses

Manchete e foto do Globo de hoje à página 16. A Folha publicou a foto na primeira página.


Esse é um bom exercício de política para nosotros. Se você estivesse no lugar de Lula, apertaria a mão de Collor? Uns dizem que sim, outros dizem que não. De qualquer forma, acho importante lembrarmos o seguinte: Collor foi eleito senador da república pelo estado de Alagoas. É um neoliberal encurralado num nordeste onde Lula goza de 92% de aprovação popular. Esse aperto de mão deve ser interpretado, portanto, com inteligência. O Globo ajudou a criar a imagem que levou Collor ao Palácio do Planalto, depois exibiu a série Anos Rebeldes, insuflando a juventude, e militou pelo impeachment.

E hoje? Quem é Collor, o que ele significa no xadrez político eleitoral?

Collor hoje é um voto. Um voto que não pertence a ele, mas a milhões de alagoanos. Num Senado pequeno e conservador como o nosso, com apenas 81 membros, um voto pode ser determinante para o futuro do país. Quando Lula aperta a mão de Collor, portanto, está sendo um estadista, que não se deixa levar por arroubos ideológicos ou moralismo inconsequente. O presidente tem consciência de que é o Senado que aprova os aumentos do salário mínimo e o orçamento da União.

Além do mais, a oposição tem sua maior trincheira justamente no Senado. Espera-se que isso mude a partir de 2011, mas por enquanto a oposição tem muita força. E não demonstra escrúpulo nenhum em aprovar as medidas mais irresponsáveis, dentro da filosofia do quanto pior melhor, visando prejudicar o governo Lula - mesmo sabendo que o chester é pago, no fim das contas, pelos mais pobres.

Trata-se de um aperto de mão, portanto, dado com inteligência e republicanismo. É o mesmo princípio que fez Luis Carlos Prestes apoiar Vargas em 1950. Getúlio Vargas havia deportado sua esposa Olga, grávida, para a Alemanha nazista, mas o comunista sabia que a vitória do gaúcho era importante para a classe trabalhadora, como de fato foi, e que política se faz pensando no bem maior.

De qualquer forma, sempre se pode, mais tarde, desinfetar a mão com álcool.

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