domingo, 14 de fevereiro de 2010

Dilma e sua história no PDT

Do BLOG DE UM SEM-MÍDIA.

Do BLOG TIJOLAÇO, do Brizola Neto.

Dilma, os borzeguins do PT e sua história no PDT

A política é uma teia de relações humanas. Nela cabem amores, rancores, mágoas e, muito mais raramente, atos de desprendimento e grandeza. Brigas, então, quantas…E nelas se diz, como lamentou a Dolores Duran, coisas que não se quer dizer. É assim mesmo, e é bom que seja. A briga é mais generosa que a queixa, porque a queixa é detalhista, mesquinha, exigente e egoísta. Briga é coisa de alma jovem, queixa é de almas murchas da vitalidade que se foi.

Por isso, que contraste entre as duas matérias publicadas hoje em O Globo! Da alta cúpula do PT, vem aquela chorumela pelo fato de Dilma não pertencer a correntes que disputam espaço no partido. Até o presidente do Partido, José Eduardo Dutra, sabendo que não é criança e sabia estar falando com O Globo, onde todo cuidado é pouco, vem, como dizia a minha avó, “com borzeguins ao leito”

— Há ainda um estranhamento no partido com Dilma.
Essa é a grande preocupação da cúpula do PT: conseguir que a candidata, de fato, envolva os militantes. Por isso, em seu discurso, Dilma deve fazer um apelo para a militância, estabelecer uma espécie de compromisso mútuo — disse Dutra.

Ontem, a Benedita já tinha vindo com uma destas em O Globo, também, dizendo que não havia lulismo sem petismo.

Ah, será que essa gente não entende que não há estranhamento nenhum com Dilma, por parte de militantes do PT, nem simpatizantes do Governo? Será que tudo querem enquadrar e botar para render dividendos para os grupos internos que disputam poder e para isso não hesitam até em expor alguém que vai enfrentar uma fantástica máquina de dinheiro e mídia para evitar que a direita volte ao poder?

Garanto que lá no congresso do PT, a militância que “estranha” a Dilma vai gritar, eufórica, “Dilma, Dilma” e não “Dutra, Dutra”. Que aliás, não se perca pelo sobrenome.

Dilma não é da corrente do Dutra, não é da corrente do Tasso, não é da corrente do fulano ou sicrano. Dilma é escolha pessoal de Lula para ser sua continuidade. E, como tudo indica, seu aprofundamento. E aí vem a burocracia partidária fazer beicinho e reclamar do seu “esquerdismo”.

Mas bacana, no mesmo jornal está a matéria de Adauri Antunes Barbosa, que rememora a trajetória política de Dilma no PDT, durante mais de 20 anos. Vou colar aí embaixo. Mas, antes, quero que, ao ler, você repare que as declarações dos pedetistas que conviveram com ela mostram que eles dissiparam as brigas e saúdam o reencontro.

Brizola e Lula brigaram muito, trocaram desaforos, mas meu avô não hesitou em levantar sua mão e apontar para ele, no segundo turno de 1989 e, do alto da votação maciça que tivera aqui dizer: é esse!

Só quem ama o povo e sua causa pode agir assim.

Quando PT foi fundado, Dilma estava engajada, ao lado de Leonel Brizola, no movimento que levou à criação do PDT

Dilma, em 1993, no PDT. E em 2009, no PT. Um reencontro?

Há 30 anos, quando foi fundado o PT, a hoje pré-candidata do partido à Presidência da República, ministra Dilma Rousseff, era brizolista e trabalhava pela criação do PDT. Dilma, que morava em Porto Alegre em 1980, militava ao lado de Leonel Brizola e outros líderes trabalhistas. Ela só entrou para o PT há dez anos.
Vinda da luta armada contra a ditadura militar, ao lado do então marido, o advogado Carlos Araújo, Dilma integrava um grupo que atuava no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição à ditadura e que depois virou PMDB. Ela e o marido, porém, optaram por outro caminho e aliaram-se à reconstrução do antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Tendo à frente Brizola, que voltara do exílio em setembro de 1979, o movimento para a reconstrução do PTB foi frustrado no ano seguinte, quando a sigla foi entregue, após uma disputa no Tribunal Superior Eleitoral, à ex-deputada Ivete Vargas, sobrinha de Getulio Vargas. A data de recriação do PTB, 17 de junho de 1979, tornou-se a data oficial de fundação do PDT.
— Estávamos com o Brizola retornando do exílio, que tinha na sigla PTB sua principal ferramenta. Fizemos a resistência democrática no MDB. Éramos do grupo autêntico, e a Dilma vinha da luta armada.
Quando Brizola retornou, nos reunimos no PTB. Quando foi para fazer a oficialização da sigla, o Golbery e a Ivete Vargas se anteciparam, ou melhor, nos tiraram a sigla. Foi o momento mais dramático do trabalhismo brasileiro autêntico — relembra o ex-deputado, ex-prefeito e ex-governador Alceu Colares.
Em Porto Alegre, Dilma participou do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (Ieps), núcleo de esquerda que apoiou, por exemplo, a candidatura a vereador de Marcos Klassmann, pelo MDB.
— Era uma campanha muito progressista e corajosa. O slogan era “Vote contra o governo”. Foi a primeira vez que se politizou uma eleição em torno de um confronto direto com a ditadura — conta Carlos Alberto Teixeira de Ré, o “Minhoca”, que fazia parte do Ieps.
Além de apoiar Klassmann, quarto mais votado de Porto Alegre, cassado dois anos depois, Dilma era do Movimento Feminino pela Anistia, precursor dos Comitês Brasileiros pela Anistia (CBAs) formados em todo o país.

— Depois vem a reorganização dos partidos, e a Dilma se engaja na luta, com o Carlos. Ajudamos a fundar a Associação de Debates e Estudos do PTB. Depois passamos a nos chamar de PDT — lembra “Minhoca”.

Primeiro prefeito eleito de Porto Alegre após a redemocratização, governador de 1986 a 1988, Colares chamou Dilma para o primeiro escalão de sua administração.

— Ela foi minha secretária da Fazenda no município de Porto Alegre. Ali, começou a ter participação efetiva e foi oficializada secretária da Fazenda — afirma Colares. — Era uma das mais preparadas.
O meu programa de governo para Porto Alegre foi feito na casa dela e do Araújo — conta Colares, aos 82 anos.
Depois de passar pela administração municipal do PDT, Dilma foi novamente secretária de Colares, eleito governador.
Assumiu a Secretaria de Minas e Energia, comandando o setor de 1991 a 1998. O candidato do PDT à sucessão de Colares, Sereno Chaise, perdeu a eleição, mas o partido apoiou o petista Olívio Dutra no segundo turno e garantiu a permanência de Dilma no secretariado. Em 2000, o PDT de Porto Alegre rachou na eleição municipal e Dilma foi para o PT.

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