domingo, 14 de fevereiro de 2010

Menos Mercadante: Deixa a Dilma falar na CCJ

Do Blog TERRA BRASILIS.


Ninguém duvida das boas intenções do senador Aloísio Mercadante ao tentar reverter a manobra "171" que a oposição deu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do senado para convocar a Ministra Dilma Roussef para falar sobre o 3º Plano Nacional de Diretos Humanos, conhecido como PNDH3.

Mercadante tem razão quando argumenta que não seria função da ministra da Casa Civil falar sobre um programa que foi coordenado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, portanto o mais indicado seria o ministro Paulo Vanucchi. Ele ainda argumentou que a Ministra precisou assinar o documento porque sendo este multi-ministerial tem de passar pelo crivo da Casa Civil que faz a integração de todos os ministérios e secretarias.

Apesar de ter razão em parte, Mercadante tem na verdade a intenção de poupar Dilma de uma sabatina agressiva por parte da oposição que levaria a um desgaste da mesma. Entendo ser este um erro de avaliação do senador pois a ministra tem toda a possibilidade de enfrentar aqueles senadores e se sair bem, como já aconteceu em um embate direto com o Senador Agripino Maia, onde literalmente “acabou” com o senador.

Em maio de 2008, ao ser convocada para a mesma CCJ para falar sobre o banco de dados sobre os gastos do Governo Federal, Agripino Maia insinuou que a ministra poderia mentir para a comissão pois segundo ele, em uma entrevista em 2003, a ministra tinha afirmado ter mentido muito quando esteve presa pela ditadurta militar. Em uma resposta com toda a carga emotiva que um depoimento daquele pode e deve ter, Dilma deu uma aula sobre tortura ao senador que foi prefeito biônico de Natal nomeado pela ditadura e cuja família se favoreceu bastante dos horrores do regime:

“O que acontece ao longo dos anos 70 é a impossibilidade de se dizer a verdade em qualquer circunstância. O direito à livre expressão estava enterrado. Não se dialoga com o pau-de-arara, o choque elétrico e a morte. É isso que é importante hoje na democracia brasileira. Qualquer comparação entre ditadura e democracia só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira.

Me orgulho de ter mentido, mentir na tortura não é fácil. Diante da tortura, quem tem dignidade fala mentira. Agüentar tortura é dificílimo. Todos nos somos muito frágeis, somos humanos, temos dor, a sedução, a tentação de falar o que ocorreu. A dor é insuportável o senhor não imagina o quanto. Me orgulho de ter mentido porque salvei companheiros da mesma tortura e da morte”.

Sinceramente Senador Mercadante, o senhor não está protegendo a ministra, está involuntariamente impedindo que ela mostre a pessoa competente que ela é e capaz de falar com propriedade sobre qualquer dos pontos do PNDH e principalmente, debater e estabelecer um contraditório para a propaganda direitista repetida à exaustão, que propõe manter enterrados os crimes do regime militar e manter o privilégio de elites e grupos empresariais em detrimento da continuação das mudanças implantadas no governo do operário Lula.

Se algúem está sendo protegido ao evitar que Dilma vá CCJ são os senadores de oposição, que muito provavelmente dessa vez vão pensar duas vezes antes de tentar emparedar a ministra. Deixem a Dilma ir lá “acabar” com eles porque alguém tem que defender o programa publicamente e ninguém melhor que a futura presidente do Brasil.

Charge anexada do Bira.

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