Esta é uma semana extremamente importante, do ponto de vista político. Poder-se-á ter uma visão clara sobre duas das mais importantes instituições brasileiras, o Poder Judiciário e a imprensa.
Segundo informações obtidas pelo setor jurídico da ONG Movimento dos Sem Mídia (MSM) junto à Procuradoria-Geral Eleitoral, até sexta-feira será apreciada a representação que a Organização impetrou em 23 de abril último pedindo que o TSE audite todas as pesquisas de intenção de voto sobre a sucessão presidencial dos institutos Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi divulgadas neste ano e as que forem a campo até o fim do processo eleitoral.
Para quem não acompanhou o caso, informo que a representação em tela foi feita após uma sucessão de matérias publicadas na grande imprensa e na imprensa dita alternativa colocando em dúvida a seriedade das sondagens dos quatro institutos supra mencionados.
Ainda segundo o jurídico do MSM, quem apreciará o requerimento da ONG à Justiça Eleitoral será a vice-procuradora-geral eleitoral, doutora Sandra Cureau. Vale registrar que é a mesma que, recentemente, pediu ao TSE a suspensão do programa eleitoral do PT, que, apesar da recomendação oficial da vice-procuradora, provavelmente irá ao ar na próxima quinta-feira, dia 13 de maio.
Até o momento, portanto, os indícios são preocupantes. A grande imprensa simplesmente ignorou uma medida – a representação do MSM – a qual não tenho dúvidas de que colocou os institutos de pesquisa em “stand by”, o que ficou evidente em nota publicada pelo colunista da Veja Online Lauro Jardim, que deu conta de que, da eclosão do escândalo das pesquisas para cá, mais nenhuma pesquisa sobre a sucessão presidencial foi registrada no TSE.
Apesar disso, a grande imprensa ignorou a representação do MSM enquanto noticiou à farta a representação que o PSDB impetrou contra o instituto Sensus por conta de sua última pesquisa ter mostrado os pré-candidatos Dilma Rousseff e José Serra tecnicamente empatados, e se negou a registrar, da mesma forma espalhafatosa, a rejeição da representação tucana pela Justiça Eleitoral.
No entanto, quanto à procuradora-geral eleitoral ter aceitado o requerimento tucano pedindo a suspensão do programa do PT no próximo dia 13, não se pode dizer que signifique partidarismo da Justiça Eleitoral pelas razões que expus aqui em post publicado no último dia 6 intitulado “Não culpem a Justiça Eleitoral” e que o deputado Brizola Neto também expôs em seu blog três dias depois, no post “Mídia e PSDB pressionam TSE”.
Para resumir, minha tese e a do deputado pedetista são a mesma: o PSDB está ganhando tanto no TSE simplesmente porque o aciona mais contra o PT enquanto que este fica imóvel esperando que as ações tucanas e a pressão da mídia surtam efeito. E como a Justiça Eleitoral precisa ser provocada, se só os tucanos a provocam só eles conseguem prejudicar os adversários.
Contudo, a representação do MSM é extremamente robusta. Além de não ter viés partidário, porque não se limita a pedir auditoria só das pesquisas que agradam a um lado e desagradam a outro, foi apoiada por mais de dois mil cidadãos neste blog. E como se baseia em um farto noticiário da grande imprensa insinuando fraudes dos institutos Sensus e Vox Populi e da imprensa alternativa insinuando a mesma coisa sobre o Datafolha e o Ibope, vejo boas possibilidades de a Justiça acatá-la.
Se isso acontecer, como a grande imprensa fará para sonegar ao público a informação de que os quatro mais importantes institutos de pesquisa do país estarão sendo investigados pela Justiça? Será praticamente impossível esconder essa informação. Não tenho a menor dúvida de que repercutirá como uma bomba tanto no Congresso Nacional como entre a classe política.
Devido à forma como a procuradora-geral-eleitoral foi rigorosa com o PT, chegando ao ponto de pedir a suspensão de seu programa eleitoral semestral na TV e no rádio – o que, se for referendado pelo TSE, causará um prejuízo imenso ao partido –, a rejeição de uma representação tão justa, isenta, embasada e legítima quanto a do MSM será sinônimo de que alguma coisa está muito errada na Justiça Eleitoral.
Como se vê, duas das mais importantes instituições da República se encontram sob o olhar atento e preocupado da sociedade. E acredito que, em caso de se comportarem de alguma das formas incorretas aqui descritas, estarão criadas as condições para uma crise político-institucional no país. Esta semana, pois, configura-se extremamente importante do ponto de vista político.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h23
Matéria publicada por Leda Riobeiro (Colaboradora do Blog)
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