sábado, 8 de maio de 2010

O que é nosso dever

sábado, 8 maio, 2010 às 5:28

Muitos amigos, ao me perguntarem sobre o blog, com razão se manifestam preocupados por eu dedicar tanto tempo a ele e, nele, tanto tempo às questões nacionais.

Argumentam que vêm aí as eleições e, nelas, o que define o voto é o problema local, do município, do bairro, até o daquela rua que sofre com o abandono; ou o daquela categoria profissional que tem demandas a resolver.

Pode ser e é, muitas vezes, verdade.

São problemas que existem e dos quais não se pode negar a importância.

E não é ilegítimo que os políticos, candidatos, façam deles bandeiras eleitorais.

Mas é falso um sistema político que se baseie na deformação da escolha de seus integrantes por questões meramente locais, quando as decisões que irão tomar são de caráter nacional.

Uma parcela da sociedade compreende isso, mas reluto em afirmar que igual parcela dos políticos com mandato compreenda isso.

Acho que é por isso que este blog alcançou a relativa importância que tem hoje no debate político.

Não é pelo pouco talento ou pela experiência política que possa ter seu autor. Nem por contar com uma estrutura profissionalizada – e não vai demérito nenhum contra isto, pois eu próprio gostaria de te-la – que lhe permitisse fazer um trabalho de alta qualidade, todo o tempo.

Pois, meus caros amigos, é difícil manter este trabalho. Significa um enorme sacrifício para mim e para os poucos amigos que comigo colaboram. Poucos e necessariamente poucos, porque tudo o que vai dito aqui reflete minha opinião pessoal, a qual assino embaixo de cada post. O que sobra da vida pessoal, o parco tempo para o lazer, o convívio familiar, para o descanso de que todos precisam e de que me ressinto, muitas vezes se consome nestas madrugadas.

É um peso às vezes demasiado para minhas costas, confesso. Mas o peso, sobre os homens, pode ser uma sufocação ou um desafio.

Nós, humanos, somos limitados, mas somos os únicos seres na Terra a compreendermos o infinito.

É algo que nos assombra quando jovens e, como já percebi, nos assusta quanto mais velhos – de corpo ou de alma- somos.

Assombra, assusta, mas atrai.

Porque é triste ver meu país e meu povo, meus iguais, terem seu destino o destino de seus filhos ser decidido por técnicas de marketing e de comunicação.

Então, se somos tão capazes de domina-las quanto qualquer outro, que as usemos.

Mas que reservemos, também, o espaço para partilhar nossas dúvidas e fraquezas com quem partilha conosco forças e certezas.

Mantenhamo-nos homens e mulheres, como somos, e seguiremos sendo humanos como queremos ser.

Não estamos nas condições normais de temperatura e pressão. Estamos diante de uma encruzilhada, da definição de um caminho. Para mim ou para você, talvez a vida siga digna em qualquer rumo que o país tome. Por nós, que podemos sobreviver, que diferença teria um ou outro caminho?

Faz toda. É escolher o mundo em que desejamos viver. É decidir se queremos as falhas da utopia ou a perfeição da barbárie.

É decidir se seremos uma selva tropical devastada ou a nova civilização dos trópicos, pronta a florescer.

A neutralidade, a objetividade fria, neste momento, é a opção por um Brasil medíocre.

Que tenhamos forças para enfrentar o presente, sem nos desgarrarmos do sonho, porque o sonho é algo que só sobrevive quando guardado por um cérebro humano aliado a um coração humano.

Vamos adiante, somando a força da razão à força invencível da paixão. Que estejamos à altura deste desafio.

http://www.cubadebate.cu/reflexiones-fidel/2010/05/08/la-tirania-odiosa-impuesta-al-mundo/

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