domingo, 7 de fevereiro de 2010

O indecoroso Uribe

Também do Blog DILMA PRESIDENTE.



Passou despercebida pela mídia conservadora brasileira a proposta do Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de contratar e remunerar estudantes como informantes. Ou seja, Uribe quer oficializar os dedos-duros, como acontecia em épocas de ditaduras na área do Cone Sul. Trata-se, sem dúvida, de uma proposta indecorosa e que viola a dignidade dos estudantes, além de colocar em risco a própria segurança.

Uribe é o dirigente preferido dos Estados Unidos no continente americano. Tudo que é pedido pelo Departamento de Estado o presidente colombiano atende prontamente. Acabou de ceder sete bases militares ao Pentágono. Ele conta com o apoio substancial dos grandes órgãos de imprensa latino-americanos, que preferem ignorar o quadro de deterioração dos direitos humanos naquele país sul-americano.

Como se tudo isso não bastasse, há informações procedentes de Bogotá de que grupos paramilitares estão se reagrupando e se preparando para voltar a matar generalizadamente. A Colômbia bate recordes em matéria de desrespeito aos direitos humanos no continente, inclusive com assassinatos impunes de dirigentes sindicais em várias regiões do país.

Mas a mídia conservadora prefere dar destaque, não à Colômbia, mas a vizinha Venezuela, onde, se dependesse do noticiário diário dos grandes jornais e TVs brasileiros, o presidente Hugo Chávez já teria caído. Há até colunistas que defendem um golpe militar e vaticinam, com base em hipóteses sem sustentação na realidade, uma grande derrota dos partidários de Chávez nas eleições parlamentares de setembro. Em anos anteriores, as previsões não eram muito diferentes. Na última eleição, no entanto, prevendo fiasco nas urnas, a oposição, visivelmente estimulada pelo Departamento de Estado norte-americano, decidiu não participar do pleito, o que resultou numa vitória absoluta dos chavistas.

Nessa estratégia midiática se insere o silêncio quase total da informação segundo a qual das seis estações de TV a cabo suspensas pelo Estado venezuelano, cinco já tiveram autorização para voltar porque cumpriram rigorosamente as disposições legais. Falta ainda a RCTV a cabo responder ao Conselho de Comunicação. Mas a mídia, agrupada na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), prefere insistir na tese de que o governo venezuelano viola o direito da liberdade de imprensa.

Para se ter uma idéia, no dia 1 de março, em São Paulo, um Instituto de nome Millenium estará organizando um seminário com a participação do proprietário da RCTV, Marcel Granier e a fina flor da direita midiática nacional. Lá estarão, entre outros, Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, o opusdeista Carlos Alberto di Franco, tendo como mediadores, os globais William Waack, Tonico Ferreira e Luis Erlanger.

Podem imaginar o que vem por aí em matéria de manipulação da informação e propaganda antichavista, como se fosse uma grande e única verdade?

E voltou à tona a compra de caças para a FAB. A jornalista Eliane Catanhede anunciou na Folha de S. Paulo que o governo Lula bateu o martelo com a aquisição dos caças franceses Rafale. Poucas horas depois o Ministro Nelson Jobim desmentia a informação, da mesma forma que a própria FAB.

Os leitores devem se lembrar que há poucas semanas, jornais como O Globo, a Folha de São Paulo etc previam mais uma “crise militar” porque um suposto relatório da Força Aérea Brasileira dava prioridade a outros modelos.

Poucos dias antes, os mesmos jornais e canais de TV, davam com grande estardalhaço a certeza de que o descontentamento na área militar com o Plano Nacional dos Direitos Humanos tinha gerado uma crise no setor. A “crise militar” fabricada não aconteceu, mas poucos cobraram as barrigas do conservadorismo midiático.

É importante acompanhar com atenção o noticiário dos meios de comunicação conservadores, principalmente agora que no Brasil começa uma nova campanha presidencial para eleger o sucessor de Luiz Inácio Lula da Silva. Pode-se imaginar o que vem por aí em matéria de manipulação da informação, tanto em âmbito interno como externo.


Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação.
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