segunda-feira, 17 de junho de 2013

O fascismo emergente

Sala Fério 

A tarifa básica (tarifa única) de ônibus urbanos no RJ era de R$ 1,60 em 2004, enquanto o salário-mínimo era da ordem de 260 reais. O salário mínimo hoje é mais de duas vezes e meia esse valor, enquanto a passagem não atinge o dobro do que era então, ou seja, seus reajustes foram bem abaixo dos dados ao salário-mínimo no período.
Hoje temos também mais gratuidades, já que os estudantes da rede pública, idosos, crianças e deficientes, entre outros, não pagam passagem e seu contingente aumentou, em proporção ao total de usuários.
Trabalhadores que ganham até uma faixa de três salários mínimos mensais têm, por lei, direito assegurado a vale transporte, o qual não constitui remuneração, legalmente, não é tributável e é bancado por patrões e governo. 
No período imediato antes do atual governo dos trabalhadores, o total da renda das populações mais pobres gasto em transporte era da ordem de 15%, aproximadamente. Hoje é da ordem de 5%, segundo estudos efetuados em várias capitais brasileiras. 
Transporte gratuito para todos só seria possível aumentando a carga tributária, que hoje é de 35% do PIB, na média dos países em iguais condições econômicas e bem abaixo da carga dos países nórdicos.
O pretexto de passagens caras para estimular a realização de marchas inflamadas com pessoas encapuzadas, algumas delas com pedras e gasolina nas mãos e mochilas, não parece algo legítimo. Quem quer se manifestar pacificamente não vai a uma marcha com esses apetrechos de guerra e evita praticar vandalismos. 
Nada justifica isso, já que estamos em plena vigência do estado democrático de direito e as coisas podem ser questionadas de outra forma, via denúncia ao Judiciário e ao Ministério Público (o mesmo que aproveita agora para aparecer em SP, depois dos estragos). 
Culpar a polícia por reagir à violência prévia praticada por manifestantes que já vão a um ato com espírito armado é errado. A polícia não pode permitir ou fechar os olhos para a depredação de patrimônios públicos e privados. Na hora de estimular greve na PM, não a chamam de 'assassina e repressora'. Nessa hora eles são trabalhadores, na outra 'repressores'. 
Tentar realizar uma 'primavera' aqui no Brasil, justo na hora em que um governo preocupado com questões sociais realiza muitos avanços em favor dos desassistidos, é uma insensatez: em todos os países em que houve 'primaveras', a direita e o capitalismo se deram muito bem, tirando enorme proveito. Nenhum país primaveril virou socialista ou melhorou o padrão de vida de seus habitantes, até aqui...
Os partidos emergentes que, através de suas ONGs e movimentos, patrocinam e estimulam essas marchas (suas bandeiras estavam lá, desfraldadas), apostam no quanto pior melhor e em ganhar espaço no grito, incendiando o país. Querem participar do diálogo político à força, usurpando a voz dos que dizem representar sem mandato.
Motoristas, trocadores, fiscais e empregados em geral das empresas de transportes urbanos também são trabalhadores e têm família para sustentar. Também querem reajustes e dependem da saúde das empresas em que trabalham para terem seu padrão de vida melhorado. Arrochar as tarifas significa, em médio prazo, arrochar ainda mais os salários desses profissionais. 
Tudo o que estamos vendo constitui um laboratório para os eventos previstos para ocorrer no país (Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas), durante os quais planejam realizar ferozes manifestações, como se o país estivesse de fato em guerra, em muitos casos com ajuda da direita mais reacionária. Intifada aqui? Vão fazer intifada fascista na pqp ... 

F. B. P. da S.

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